13 de janeiro de 2014

Flight Review - SriLankan Airlines: voando de Bangkok para Beijing


Aguardando para embarcar em Bangkok.
Mais uma da série “viajar não é só glamour”. Quem pensa que a nossa viagem para a Ásia foi só o “bem bão” da Emirates, também tivemos empresas bem menos conhecidas e pequenos “perrengues”.
Caçando um modo de irmos de Bangkok para Beijing, ou Pequim como ainda preferem alguns, em meio a preços astronômicos, topei com uma daquelas ofertas que você pensa: ir ou não ir, eis a questão.
O fato é que em algumas viagens, reduzir os gastos parece ser mais essencial do que em outras. E era exatamente o caso!
Ciente disto, e principalmente que era apenas a segunda pernada da viagem pela Ásia, resolvi arriscar e pegar um bilhete com uma empresa que certamente poucos que por aqui passam já voaram: a SriLankan Airlines.
Como o próprio nome dá a deixa, esta é a maior empresa aérea de Srilanka, Ceilão para os mais antigos. Onde fica? É uma nação insular ao sul da Índia, um daqueles lugares que talvez ainda possamos chamar de exótico.
Ainda que passados alguns dias, foi um tremendo choque sair de um A-380 da Emirates e embarcar num avião da SriLankan Airlines. Sem nenhum demérito não, mas é que não dá nem para sonhar em comparar.
O mais interessante é que mesmo com uma enorme distância em termos de qualidade dos serviços, a Air Lanka (antigo nome da SriLankan Airlines) foi comprada em parte pela Emirates em 1998; que a devolveu gestão dela para o governo de Srilanka dez anos depois.
As semelhanças param por ai.
O fato de que muitos simplesmente desconhecem esta empresa aérea deve-se ao fato das suas rotas de voos estarem mais focadas na Ásia e Oriente Médio – fora isto, existem voos para cinco cidades europeias (Londres, Paris, Moscou, Frankfurt, Milão e Roma).
Ao todo, eles voam para 65 destinos em 35 países. Alguns em codeshare, é verdade.
         A frota da SriLankan é composta exclusivamente de aeronaves Airbus. Hoje eles contam com aeronaves A-320; A-330 e A-340. No nosso caso, voamos num Airbus A340-300.
A340-300 da SriLankan.
A compra do bilhete foi feita diretamente no site da empresa. O site é bastante intuitivo e não tive dificuldade alguma no processo de compra. Minutos depois já recebi um e-mail com a confirmação e os bilhetes eletrônicos para serem apresentados no check-in.
O custo foi relativamente competitivo, principalmente se comparado com as demais empresas, THB 18.310.00 ou R$ 1.277,09 para dois adultos na econômica – detalhe importante que vocês depois entenderão o motivo...
Pelo que vi instantes atrás, o preço é mais ou menos este para a data deste post.
Infelizmente, apesar do banner da OneWorld, no site da SriLankan, o programa de milhagem deles (FlySmiles) não tem conexão alguma com esta aliança nem como nenhuma empresa aérea conhecida. Assim, ao menos que você só queira o cartão para guardar de recordação, esqueça.
O trecho entre Bangkok e Beijing é percorrido em praticamente cinco horas de vôo.
A frequência de voos é toda segunda, quarta, sexta e domingo (na presente data), mas os horários variam conforme o dia da semana. Nós, por exemplo, partimos às 7h25 de Bangkok (aeroporto Suvarnabhumi International - BKK) e chegamos a Beijing às 13h20. Mas encontrei voos partindo às 20h25 e chegando às 2h15 em outros dias da semana. Vale sempre conferir no site da empresa.
franquia de bagagem permitida para despacho no voo em questão foi de 30kg, apesar do site falar em 32kg que é o padrão. Seja como o for, é mais que suficiente para uma viagem como esta. Nunca é demais lembrar: se você for realizar algum outro voo interno ou até regional, deverá considerar os limites impostos pela empresa com menor franquia de bagagem, caso contrário poderá ter que pagar excesso de bagagem em algum trecho.
Para bagagem de mão, eles seguem o limite de 7kg na econômica – uma mala apenas. O tamanho desta é limitado em 46x36x20 cm para tal classe.
Hora do check-in! E da surpresa também.
É como eu sempre digo, em viagem deve-se estar preparado para tudo, até para o impossível.
Aeroporto de Bangkok.
Check-in vazio às 4 da manhã pode não ser sinal de tranquilidade...
Após um bom dia às 4 da matina e carregado de sotaque (ela deve ter pensado o mesmo de mim!!!), a então simpática atendente, após nos perguntar o destino, questiona se precisamos mesmo voar naquele dia.
Como assim cara pálida?
Quem conhece o que vem após esta pergunta sabe o quanto ela é temida nesta hora... Isto significa algo como “voo cheio e nós pretendemos não te embarcar”.
Dito e feito, ela informou que o voo estava cheio e que eles procuravam candidatos que gostariam de deixar de embarcar em troca de algo. Para não deixar passar em branco, resolvi perguntar “quanto me faria rir” ($$$) caso aceitasse a proposta.
Ela informou que eles trocariam para um voo da Thai Airways. Hum... Sabendo da qualidade dos voos da Thai, confesso que a moça conseguiu chamar a minha atenção. Acontece que este voo partiria mais de 6 horas depois do nosso.
Empresas aéreas menos comuns para nós brasileiros são vistas em Bangkok.
Em outra situação, eu certamente pensaria com mais carinho, mas para quem já estava ali desde as três da matina, esperar mais tudo isso e atrasar tanto a chegada não era uma boa opção.
Com a minha negativa, a feição simpática da moça simplesmente sumiu. Xiiii...
Hora de apresentar passaporte e bilhete.
Pela primeira, de muitas vezes nesta viagem, fui literalmente interrogado não só o motivo da viagem como também tive que apresentar os bilhetes de bordo e reservas de hotéis.
Comecei a separar tudo pensando comigo mesmo desde quando a polícia de fronteira delegou poderes de interrogatório para o pessoal do check-in?!?! Rsss.
Respira fundo. Conta 1, 2, 3. Coloca um simpático sorriso no rosto e começa a explicar a jornada...
Ela chamou uma outra senhora da SriLankan, conversou em tailandês, mostrou os bilhetes, me fizeram mais umas perguntas do tipo qual a sua profissão, quantos dias em cada destino, endereço do hotel e etc.
Solicitou ainda para ver o cartão usado para comprar as passagens. Mesmo que vencido ou não pretenda usar, sempre leve o cartão usado para comprar as passagens. Não contente, ainda me fez assinar uma declaração dizendo que aquele cartão de crédito era meu mesmo.
Caramba! O que mais ela iria solicitar?
Com isto, mesmo sendo o primeiro da fila, o nosso check-in demorou uns 20 minutos só de balcão.
Depois pensando sobre estes questionamentos que se repetiram tanto nas chegadas quanto partidas, notei que de fato é pouco usual alguém fazer uma viagem voando com tantas empresas aéreas diferentes e em muitos voos só de ida, já que a volta seria também “pingada”.
Em todas estas oportunidades, tive que provar para eles que eu estava indo para não sei onde, depois para tal lugar.... e então voltando para casa voando com tal empresa.
Passei a deixar uma copia à mão mesmo dos bilhetes já voados para mostrar.
Passado o susto de quase não ir, eles nos embarcaram e o voo decolou com uns 15 a 30 minutos de atraso. Pontualidade razoável para os padrões.
Pequeno atraso devidamente compensado durante o voo.
Acesso para a sala de embarque no aeroporto de Bangkok.
Sala de embarque.
Apenas um detalhe com relação ao embarque propriamente dito. Enquanto estávamos esperando para na sala de embarque, vimos uma cena que não esperava ver por ali: um novo, rígido e chato procedimento de revista no portão de embarque.
Ok, já vimos isto em muitos lugares, seja por conta da empresa aérea (como quando voamos de El Al da Grécia para Israel); seja em razão do destino (coisa comum em voos de / para os EUA). Mas a China fazer isso? Me pareceu To much!?!?
Nada de levar estrelas ninjas hein!!!
Na Tailândia, nem na bagagem despachada é permitido levar itens que unitariamente tenham mais de 1L.

Boarding pass na mão, entramos no avião procurando as nossas poltronas. Estranhei o fato do número dela ser muito baixo para classe econômica... Normalmente as primeiras poltronas são reservadas para primeira classe ou classe executiva.
Poucos passos depois de entrar no avião, olhei para uma poltrona e lá estava o número do meu boarding pass. Em plena executiva! Conferi o boarding pass e lá estava escrito economic class. Alguns segundos de dúvida, e a atendente confirmou.
O fato é que, como o avião estava cheio, eles pegaram os primeiros passageiros da econômica que fizeram check-in, e os alocaram nas vagas disponíveis na executiva.
Ainda que a executiva tenha um preço que neste caso é praticamente o dobro daquele pelo qual a econômica é vendida, ao meu ver é bem mais inteligente do que simplesmente realocar os passageiros em outra empresa/voo. Ponto para a SriLankan!
Mas não pensem vocês que tivemos serviço de bordo de executiva.
Sim, por incrível que pareça, serviram na classe executiva exatamente as mesmas refeições que foram servidas na econômica. Não consegui notar se que alguém da executiva (efetivo ou realocado) teve serviço próprio de executiva.
Pois é, nunca ganhei um up-grade de empresa aérea, e quando finalmente ganho, é literalmente meia-boca! Rsss. Droga! Por que isto não acontece na Emirates?!?!? Se fosse na Emirates eu ainda estaria ainda lá na aeronave curtindo!!!
A bordo os atendentes muito simpáticos. Sempre defendo que a empresa aérea é a primeira imagem que temos de alguns países. Neste quesito, fiquei com uma excelente impressão dos cingaleses (sim, este é o gentílico de SriLanka).
Fora as roupas que são bem diferentes.
A típica veste das atendentes.
Nunca tinha visto um encarte destes. Manual de civilidade à bordo.

À parte o evidente conforto e espaço interno da poltrona da executiva, praticamente uma cama, infelizmente no quesito estado de conservação e limpeza do avião estava um pouco longe de ser bom.
Excelente espaço para as pernas. Também, nem poderia ser diferente.
Bons ajustes da poltrona. 

Poucas vezes vi uma aeronave tão bagunçada e mal conservada. Uma pena. Meio desleixada.
Na contramão das demais empresas, eles não fornecem o kit conforto. Apenas cobertor e fone de ouvido.
O sistema de entretenimento a bordo, se comparado a outras empresas que avaliamos, me pareceu claramente ultrapassado com uma tela de tamanho inferior às demais.

Detalhe da tela.
Nada de kit conforto.
Quem já leu os meus reviews já deve ter percebido que dificilmente eu critico de forma veemente alguma refeição a bordo, até mesmo porque a regra geral é que comida de avião nunca é boa.
Salvo exceções que já relatamos aqui, comida de avião tende a ser meio sem gosto, sem sal e sem cheiro. Na minha opinião, isto serve justamente para tentar agradar o maior número de pessoas, numa espécie de homogeneização do paladar.
Mas o que dizer quando uma empresa abusa do caráter regional nas suas refeições???
Infelizmente não tive como avaliar de forma adequada a refeição servida pela SriLankan por um simples motivo: não consegui comer. Lamento. Certo ou errado, sou meio enjoado para comida, especialmente se ela tiver cheiro muito forte.
O menu.
Omelete de tofu com curry. Ai não deu!!!
Ao sermos informados das opções, notei que ambas delas vinham acompanhadas de curry. Como já comentamos num post anterior, é uma mistura de temperos, algo mais tipicamente consumido na Índia e nos países vizinhos.
Pelo seu cheiro e sabor forte, é uma daquelas coisas que ou você adora, ou odeia. Infelizmente estou no segundo grupo.
Resultado? Me contentei com o acompanhamento da refeição. Ainda bem que caprichamos no café da manhã do aeroporto.
Neste voo, eles serviram apenas uma refeição, que seria um café-da-manhã / almoço.
Enfim, China!!!

O que eu achei da experiência?
Bem, superadas as deficiências acima apontadas, e indo bem na linha do exótico e que o que vale é a experiência, achei interessante voar com a SriLankan, mas se tivesse outra opção com um custo-benefício um pouco melhor, certamente não seria a minha primeira opção.
E você já voou com uma empresa assim menos conhecida?
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