22 de maio de 2015

Dicas dos EUA (VI): Los Angeles, muito mais do que Hollywood

LA reserva muito mais atrações que Hollywood.
Associar Los Angeles ao cinema é automático, é como ligar o Rio de Janeiro à praia. E querer ver as típicas atrações de Hollywood é algo natural, principalmente àqueles que visitam a cidade pela primeira vez. Mas LA oferece muito mais do que atrações ligadas à indústria do cinema.


É possível passear por dias pela cidade sem visitar sequer uma atração do roteiro cinema-estrelas. Duvida? Confira ai.


Pense num lugar para você se sentir pobre. Poucos bairros ostentam tantas mansões e lojas de luxo como Beverly Hills, o bairro dos ricos, muito ricos de Los Angeles.

Se você quiser ver casa de gente famosa, vá para lá. Ops, esqueci que prometi não falar de cinema neste post! Rsss.
Beverly Hills 90210? 
Ruas largas e bem arborizadas.
Cheias de casões.
Típica rua de LA cheia de palmeiras. Momento Um Tira da Pesada?
A maioria das casas suntuosas estão nos arredores da Sunset Boulevard que vai da Figueroa Street, no centro da cidade, até a Pacific Coast Highway com 35km de extensão, cortando dentre outros bairros, Hollywood, West Hollywood, e Beverly Hills. A título de curiosidade, foi na esquina dela com a Courtney, que o ator Hugh Grant foi pego em “atitude mais que suspeita” com aquela digníssima senhora.

Mas talvez a rua mais famosa, e certamente a mais luxuosa da região é a Rodeo Drive.
"Show me the money!!!"
Aquele momento em que você fica olhando tanto tempo para um carro que parece até flanelinha.
Fê, para você: #NostroBugatti!!!
Quem assistiu filmes como Uma Linda Mulher deve se lembrar das lojas de luxo ali existentes. Confira ai uma amostra das lojas:









O seu trecho mais interessante é o que vai da Santa Monica Blvd. à Wilshire Blvd. Vale a pena dar uma olhada no centro de compras que fica no 332 N. Rodeo Drive, nem que seja para ver, afinal os preços por ali são para poucos. Para uma lista de lojas, recomendo dar uma olhada neste site e neste mapa.

Um pouco mais distante dali fica um dos estúdios de tatuagem mais famosos de LA, o High Voltage. Talvez pelo nome você não tenha reconhecido, mas provavelmente já tenha visto a sua proprietária, Kat Von D na televisão, no reality show LA Ink.

High Voltage Tattoo.
O interior do estúdio mais parece uma balada rock`n roll.
Para quem nunca já assistiu o programa, ele mostra o dia-a-dia dos tatuadores e muitas das obras de arte que tatuam em seus clientes. Já vi fazerem coisas incríveis.

Anexo ao estúdio, ha uma espécie de galeria de arte / loja com muita coisa diferente. Vale a visita.


O estúdio fica na 1259 North La Brea Avenue e abre diariamente do meio dia às 22h00. Para saber o preço das tatuagens, entre em contato direto com eles, mas já adianto que o valo mínimo é de US$ 200,00.

Situada bem na região central de LA está a Cathedral of Our Lady of the Angels, uma moderna catedral construída em 2002, ao custo de US$250 milhões, e capacidade para 3 mil fiéis. É a principal igreja católica em Los Angeles.
Catedral de Nossa Senhora de Los Angeles. 
Relicário da antiga igreja local.


Detalhe da porta que tem elementos modernos e tradicionais.
Só pelo seu design moderno a "COLA", como também é conhecida, já vale a visita. Ela praticamente não tem ângulos retos, apenas agudos. A atual estrutura é fruto do grande terremoto de 1994 que destruiu a Catedral de Saint Vibiana. Fica na 555 W. Temple Street.

Ali ao lado está o Walt Disney Concert Hall. Este moderníssimo teatro é a sede da filarmônica de Los Angeles. Olhando para ele talvez você note uma semelhança com o Guggenheim de Bilbao. Reparou? A semelhança é justificável. Ambos os edifícios têm o mesmo arquiteto: Frank Gehry. Ele fica na 111 South Grand Avenue e para visitar o seu interior existem tours guiados e gratuitos.
Walt Disney Concert Hall
Para fechar o dia, sugiro uma subida ao Griffith Observatory para curtir o pôr do Sol.
Griffith Observatory.
Lá de cima, um senhor pôr do Sol!
Ainda que você não tenha aptidão para astrônomo, não deixe de dar uma olhada neste observatório. Ali você encontrará algumas coisas interessantes, além da oportunidade de visitar a maior (e uma das poucas) áreas verdes de Los Angeles (Griffith Park). É o melhor lugar para observar a cidade do alto (345m), e um bom lugar para ver o letreiro de Hollywood também!

Se você não tiver tempo para uma visita mais demorada, mesmo assim vá até o saguão principal e aprecie o pêndulo de Foucault (mecanismo que comprova que a terra gira no seu próprio eixo) e as belas pinturas no teto.


O teto mais parece de uma bela igreja.
Pêndulo de Foucault.
O Griffith Observatory fica na 2800 East Observatory Road; abre de quarta à sexta das 12h00 às 22h00, e finais de semana das 10h00 às 22h00. O acesso ao observatório é gratuito, apenas o planetário e algumas exposições são pagas.

Um museu interessantíssimo, especialmente para quem viaja com crianças é o Natural History Museum. Mais ou menos no estilo do Museu de História Natural de NY, esta é uma excelente opção de passeio além dos estúdios e da Disneyland. Fica na 900 Exposition Blvd, abre diariamente das 9h30 às 17h00, e o ingresso custa US$ 12.

Quem curte arte também tem dois bons museus para visitar em LA. O The Los Angeles County Museum of Art – LACMA tem com um foco em arte moderna e fica na 5905 Wilshire Boulevard. Abre de segundas, terças e quintas das 11h00 às 17h00; sexta até as 20h00; sábados e domingos das 10h00 às 17h00 (fecha às quartas) e o ingresso custa US$ 15. O outro bastante popular é o Getty Museum – fica na 1200 Getty Center Drive; fechado às segundas, abre as portas nos demais dias às 10h00 e fecha às 17h30 às terças, quartas, quintas e domingos; sábados e sexta às 21h00; gratuito.

Com mais de 150 modelos de carros contemporâneos, protótipos e clássicos, o Petersen Automotive Museum é um daqueles lugares capaz de satisfazer a paixão dos apaixonados por carros. Fica na 6060 Wilshire Blvd; abre de terça a domingo das 10h00 às 18h00 (na data deste post estava fechado para renovação, visite o site oficial para atualização e valor do ingresso).

Alguns podem até considerar meio nerd (#ToNemAi). Mas que dentre as atrações fora do circuito cinema-estrelas, a atração mais bacana de Los Angeles é o California Science Center. Este museu de ciências já era interessante antes de 2012, mas ficou consideravelmente mais atrativo depois que ganhou uma concorrida disputa para ser o berço final do Endeavour, o ônibus espacial.
Antes de você ver o Endeavour, eles te colocam numa pequena ante sala com uma daquelas músicas bem com estilo odisséia no espaço, para ir criando um clima.
E de repente este monstrão surge. É emocionante!
Pode parecer loucura, mas sou daqueles que pagaria uma bela grana para sentar ali para um voo espacial. Imagina o flight review!!!
Pode parecer pouca coisa, mas o Science Center é um dos poucos museus do mundo que pode se gabar de apresentar ao público um veículo como estes – todos os demais ônibus espaciais estão hoje em museus espalhados pelos EUA.

O Endeavour, cujo nome homenageia o navio comandado pelo Cap. James Cook na sua viagem de exploração do Oceano Pacífico no século XVIII, foi o quinto da geração ônibus espacial da NASA, substituindo Challenger, destruído durante um acidente em 1986. Momento “Tô velho!”, lembro bem deste dia...

Interessante que como ele foi fabricado literalmente na última hora, se é que dá para fabricar um monstrengo destes nesta condição... eles usaram peças do Discovery e do Atlantis que estavam sobrando. Pois é, a NASA também faz “gambiarras”.
Para dar uma proporção do tamanho do Endeavour, repare no tamanho das pessoas.

Só assim para caber na foto. Uma das coisas mais bacanas que já vi!
O primeiro lançamento deu-se em 1992 e ele foi aposentado apenas em 01 de junho de 2011, depois de uma série de missões importantes. Uma delas foi a que colocou em funcionamento o Telescópio Espacial Hubble, mas também foram realizadas importantes operações como a montagem e o constante abastecimento da Espação Espacial Internacional (ISS).

Para quem cresceu nos anos 80 e 90, viagem espacial era sinônimo de ônibus espacial ou space shuttle, como eles dizem lá. O programa espacial dos EUA foi durante vários anos, mais precisamente até 2011, focado neste tipo de meio de transporte que tinha como principal vantagem a possibilidade de reutilizar os veículos – em contraposição aos foguetes que eram literalmente inutilizados a cada lançamento.

Durante o programa espacial space shuttle, que durou entre 1981 e 2011, foram utilizadas 5 unidades (Columbia, Challenger, Discovery, Atlantis, e Endeavour) que realizaram juntas 135 missões a partir do Kennedy Space Center no Cabo Canaveral na Flórida de onde eram lançadas. Ao todo, elas levaram ao espaço 355 astronautas, voaram 500 milhões de milhas em seus 1.300 dias em órbita. Alguém ainda duvida do sucesso do programa???
Spacehab, uma espécie de área de trabalho para ser colocada no compartimento de cargas das space shuttle.
E como é dentro da SpaceHab.
Alguns dados curiosos a respeito da Endeavour:

- Comprimento: 122.17 ft (37.237 m)
- Envergadura: 78.06 ft (23.79 m)
- Altura: 56.58 ft (17.25 m)
- Peso: 172,000 lb (78,000 kg)
- Carga máxima: 55,250 lb (25,060 kg)
- Velocidade máxima: 7,743 m/s (27,870 km/h; 17,320 mph)
- Passageiros/Tripulação: de 2 a 7, mas em situação de emergência até 11 poderiam voar nela.

Diferentemente dos aviões, as space shuttle têm um acabamento totalmente diferente, vez que não são pintadas, mas sim cobertas com revestimentos especiais, cada um com funções opostas.
Os dois revestimentos no detalhe.
A parte de cima, branca, é revestida com um material que visa evitar a perda de calor e refletir a fortíssima radiação solar quando em órbita. Já a parte preta, embaixo delas é revestida com placas feitas de sílica que têm como função não absorver o calor durante a reentrada. Embora sejam super resistentes ao calor, elas são incrivelmente frágeis, sendo possível quebrá-las com as mãos. Só para dar ideia do custo de tudo isso, cada placa preta destas custa aproximadamente US$ 2.000,00 e são necessárias mais de 24mil delas.

Em órbita, a temperatura pode ser de -157ºC, e no extremo oposto, durante a reentrada, a temperatura bate nos 1.649ºC, suficiente para derreter praticamente qualquer coisa.


São vários componentes dela que estão expostos. Um dos mais interessantes é o motor de órbita, responsável pelas manobras no espaço e aquelas necessárias durante a reentrada.

É um senhor motor. Se ele gerasse eletricidade, poderia abastecer quase 1 milhão de lâmpadas. Ele funciona com hidrogênio e oxigênio líquidos, o único resíduo dele é água!
O motor é enorme, repare no tamanho dos queimadores.
Ali deve ter um monte de rebimboca da parafusada.
No espaço as manobras mais sutis são feitas com pequenos propulsores na parte traseira e frontal.
Quando nos damos conta do tamanho dos riscos envolvidos numa viagem espacial é que notamos o quanto as coisas têm que funcionar perfeitamente. Desde os mais avançados equipamentos até os mais simples, nada pode falhar.

Pneus podem parecer algo relativamente simples. Mas não num ônibus espacial. Basta notar que eles precisam suportar um frio insano no espaço e momentos depois temperaturas de capazes de derreter qualquer coisa. Esta variação de temperaturas faz com que a pressão interna deles tenha uma enorme variação, a qual é compensada por uma mistura de ar enriquecido com 21% de nitrogênio.
Olhando assim parece um simples pneu.

Algo que sempre tive curiosidade de ver de perto é o banheiro de um ônibus espacial. Na exposição é possível ver um de perto e entender um pouco do seu funcionamento. Por conta da gravidade, é meio óbvio que os dejetos não irão seguir o fluxo normal; e pela mesma razão não existe descarga como conhecemos aqui.
Literalmente um penico espacial. Reparem no pegador e no lugar para amarrar os pés! #Meda!
A solução foi desenvolver um sistema que faz com que os dejetos sejam sugados por vácuo. Para tudo isso funcionar, é preciso utilizar um funil para o “n.º 1” e que o assento do sanitário seja menor que o usual para que o “nº2” não escape. Imagino que depois da caminhada no espaço, usar o banheiro corretamente seja a segunda coisa mais importante a ser treinada pelos astronautas – no espaço não dá para fazer fora do penico!

Quando da nossa visita, o Endeavour ainda estava nesta posição horizontal, mas futuramente, será exposto na vertical, com os foguetes e tanques de combustível (aqueles cilindros laranja ao lado), como se estivesse pronto para decolar. Infelizmente não há previsão de quando será construído o novo edifício para este novo formato de exibição.
Huston we have a problem! Simulação de uma sala de controle como a de Cabo Canaveral.
Fala ai se não é uma super atração? Para quem curte aviação é literalmente “o programa” em Los Angeles.

Para quem quiser, existem vários vídeos na internet de quando o Endeavour foi levado para a exposição permantente, como este abaixo. Uma galera se juntou nas calçadas literalmente para ver a “nave” passar durante os dois dias que foram gastos para percorrer as 12 milhas do aeroporto até o California Science Center:


Fora o ônibus espacial e uma unidade do cinema IMAX, o museu apresenta uma série de outras atrações, sempre com um cunho de experimentação e de forma interativa. A garotada adora.
Do lado de fora um Blackbird.
O California Science Center fica no 700 Exposition Park Drive; abre diariamente das 10h00 às 17h00. O ingresso tem um esquema todo especial: a entrada para algumas exibições, inclusive para a Endeavour é gratuita. Eles cobram apenas uma taxa de reserva de US$2,00 para a pré-reserva (obrigatória) e para a impressão dos tickets.

Ao lado do California Science Center está o Los Angeles Memorial Coliseum, um dos poucos, senão único estádio a receber duas edições dos Jogos Olímpicos, em 1932 e 1984 – quem era criança nesta época deve se lembrar do sujeito que voou num jetpack sobre o campo.
O bloco de pedra à direita veio diretamente do Coliseu de Roma, e o da esquerda de Olímpia na Grécia.
Com mais de 90 mil lugares, após os Jogos Olímpicos de 1984, ele passou a ser utilizado para alguns jogos da NFL (Liga de Futebol Americano) e jogos de baseball.

Como toda grande cidade dos EUA, Los Angeles oferece uma boa variedade de lojas de rua, lojas de departamentos e shoppings.

Um dos maiores shoppings da cidade é o Beverly Center, que conta com uma boa quantidade de lojas, dentre as quais Bloomingdale's; Macy´s; e para quem procura por eletrônicos, uma Apple Store e uma Sony Store.

O shopping que mais gostei nesta viagem foi o The Grove. Um charmoso shopping a céu aberto com muitas lojas bacanas.
The Grove.
Literalmente ao lado dele fica o Farmer´s Market. Um mercadrão com aproximadamente 100 lojas com produtos naturais e lugares bacanas para comer. Bom, precisando de um lugar diferente para comer, não deixe de visitar este mercado fundado em 1934.
Farmer's Market.
Bancas de frutas,
Pequenos restaurantes.
E hummm.
Para quem estiver downton de Los Angeles, a dica é o FIG at 7th, um dos centros comerciais mais recentes da cidade com grandes lojas e uma boa variedade de restaurantes.

Procurando por equipamentos fotográficos? Sugiro a Samy's Camera; uma rede de lojas com endereços em vários pontos da cidade. Na nossa última visita estava procurando por uma lente bem específica para a minha máquina. Encomendei por e-mail e retirei diretamente na loja. Excelente atendimento.

E como não poderia deixar de ser, nos arredores de LA (70km) existe um excelente outlet, o Camarillo Premium Outlets (na 740 E. Ventura Boulevard, Camarillo). Trata-se de um outlet da mesma rede do Woodbury Common Premium Outlet de NY, Las Vegas e outros tantos destinos.

Viram como dá para passear alguns bons dias em LA sem sequer lembrar de cinema? No próximo post vamos ao Six Flags, o parque de diversões mais radical da Califórnia.


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4 comentários :

  1. Oi, Diogo. Tudo bem? :)

    Seu post foi selecionado para o #linkódromo, do Viaje na Viagem.
    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Bóia – Natalie

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  2. Legal, parabéns pelo conteúdo !!!!

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