2 de outubro de 2015

Dicas da Suíça (XV) - Compras na Suíça

Bahnhofstrasse em Zurique, um dos destinos de compras na Suíça.
Pelo preço das coisas, eu não classificaria a Suíça como um destino de compras. Pensando bem acho que com a desvalorização do Real destino de compras é um sonho remoto na memória do turista brasileiro (momento snif!!!). Mas já que você está lá, tem sempre uma coisinha aqui e outra ali que muito provavelmente você não resistirá e acabará comprando.


Metódicos e exigentes, os suíços têm um grau de exigência elevado em relação aos produtos que fabricam e vendem. Então, a exemplo do Japão, na Suíça você até pode pagar um pouco mais caro por determinado produto, mas pela qualidade não tenho dúvidas que compensa muito.

Quem procura por lojas de grife vai se esbaldar nas maiores cidades, como por exemplo Genebra e Zurique, que têm ruas e áreas com grande concentração de lojas deste tipo.

São bem comuns por lá as lojas de departamento (até hoje não entendo porque não temos grandes magazines no Brasil!). Algumas são mais caras e outras mais baratas. As principais são a Manor, onde encontramos preços mais em conta para relógios e artigos esportivos; a Globus e a Jelmoli. As duas primeiras têm filiais em várias cidades, já a Jelmoli só lembro de ter visto em Zurique.
Manor.
Jelmoli.
Quem estiver à procura de artigos de decoração mais descolados – sim, nisto os suíços também estão se destacando – deve ir para a região de Züri-West onde existem muitas lojas que vendem produtos deste tipo.

Brinquedos? Existem lojas interessantíssimas, indo desde de brinquedos vintage e educativos até os mais modernos. Uma das lojas mais tradicionais é a Franz Carl Weber, que como já disse num post anterior é a versão suíça da extinta FAO  Schwarz de NY.
Franz Carl Weber.
Steiff Galerie, especializada em pelúcias.
Ainda bem que não cabia na mala porque o Cumbiquinho ficou doido pela girafa.
Mas não tenho dúvidas que primeira coisa que muita gente pensa ao programar uma viagem à Suíça é: “Oba, vou comprar um relógio bacana a preço de banana!!!”. Momento cara de frustração!

Ainda que a Suíça seja sim o berço dos mais tradicionais fabricantes de relógios – tanto de pulso quanto aqueles maravilhosos cucos - isto não significa que eles sejam baratos lá não.

Sabe aquela coisa de que 1 kg de ouro tem praticamente o mesmo valor em qualquer lugar? Pois é, por mais que você esteja de fato perto da fonte, isto não implica necessariamente em grande redução de preços.
Tem até relógio feito com pedaços do Titanic!
A vantagem fica mesmo por conta da variedade de marcas e modelos. Além das lojas de departamento venderem as principais marcas, muitas delas conhecidas apenas por quem realmente entende de relógios, alguns fabricantes têm lojas próprias. E que lojas!

Para quem quiser procurar por relógios em um único lugar, sugiro duas lojas: a loja de departamentos Manor onde encontramos excelentes preços e as lojas da rede Bucherer, que fundada em 1888, tem filiais em praticamente todo o país.
Bucherer, uma loja várias marcas.
A fama dos relojoeiros suíços começou no século XVI, em Genebra. A história é bastante curiosa. O João Calvino pregava que as pessoas não deveriam ostentar riqueza, chegando ao ponto de proibir a utilização de joias por parte dos fiéis. Como resultado desta proibição, os ourives tiveram que procurar outro ofício. Com habilidade de sobra para manusear peças pequenas nada melhor que migrar para a relojoaria.

Até a metade do século XIX os suíços reinavam absolutos no ramo. Mas o processo de industrialização e massificação do produto deixaram os suíços um passo atrás, pois seus relógios eram até então feitos quase que exclusivamente de forma artesanal.
A tradicional Tissot é uma das marcas que tem lojas próprias em vários lugares.
Apenas após uma queda nas exportações é que os suíços resolveram fabricar relógios de forma industrial (mas hoje ainda existem vários fabricantes artesanais). A partir dai eles não pararam e inventaram coisas essenciais como o relógio a prova d`água, com a Rolex em 1920, e o primeiro relógio automático em 1926.

Mas as coisas deixaram de ser um mar de rosas para os suíços a partir de 1967, pois embora o primeiro relógio de quartzo tenha sido criado lá, eles acabaram por não se interessar pela novidade. Pronto, os japoneses e americanos tomaram o mercado na década de 70.

A indústria local somente voltou a prosperar com o lançamento dos relógios baratos e descolados da Swatch, que recolocaram a relojoaria suíça no seu devido lugar. Hoje, mesmo os fabricantes mais artesanais têm um bom mercado porque algumas pessoas procuram por algo realmente exclusivo.

A maioria das fábricas está situada na região norte do país, conhecida como Jura.

Além dos evidentes relógios outros produtos também competem pela atenção dos turistas.

O principal deles é uma típica invenção suíça, o canivete suíço. Aliás embora existam muitos modelos genéricos por aí, a faca de utilidades é praticamente sinônimo de suíça. Tanto que a maioria deles é vermelha e as marcas mais tradicionais têm logos parecidos com a cruz que estampa a bandeira suíça.
Uma demonstração dos extremos... do mais simples ao mais complexo canivete suíço.
O pequeno utensílio, que é o verdadeiro “1001 utilidades” do MacGyver (#ToVelho), foi criado em 1894 por um cuteleiro chamado Karl Elsener e se espalhou pelo mundo ao ser um dos equipamentos obrigatórios dos soldados suíços. Pronto, estava feita a fama.

Numa breve e recomendada visita à loja de qualquer uma das principais fabricantes, a Victorinox (em homenagem à mãe do Karl Elsener, Victoria e Inox por conta do material utilizado), vocês notarão a variedade de modelos existentes. Tem desde modelos mais simples e consequentemente mais baratos, até aqueles que de tantas funcionalidades parecem difíceis de utilizar e carregar.

Tem com lâmina de tudo quanto é tamanho; saca-rolhas; tesoura; pinça; lupa; lanterna; bússola; pendrive e por ai vai... Hoje são mais de 100 funções.

A maioria das lojas dão de presente a gravação do seu nome.

Ah, só não se esqueça de colocar seu canivete na mala para ser despachada, senão ele fará parte da coleção de objetos apreendidos pela segurança do aeroporto.

Outro típico produto suíço que vocês encontrarão em vários lugares são as garrafas da  SIGG. Para quem não conhece, a empresa foi responsável pela onda de garrafinhas de alumínio que vemos hoje. Apesar da companhia existir desde o começo dos anos 1900, foi a partir de 1980 que eles começaram a fazer as garrafas que conhecemos hoje e que viram febre não só entre aqueles que praticam esportes de aventura, mas também nas mesas dos escritórios.
Garrafas da SIGG.
Os modelos e tamanhos são bem variados e existe até mesmo uma versão especial para as crianças levarem na escola. Fora que existem muitos acessórios para você turbinar a sua garrafa. Sou meio suspeito para falar da SIGG, já que estou já na minha terceira.

Infelizmente não encontrei nenhuma loja própria deles, mas vi muitas lojas vendendo uma quantidade enorme de garrafas.

Como os suíços adoram a vida ao ar livre, equipamentos esportivos, especialmente esportes de aventura, são também uma ótima coisa para comprar por lá. Quem procura por equipamento de esqui, roupas e mochilas para esportes de aventura vai encontrar uma série de lojas super legais. As da marca local Mammut são uma perdição.
Mammut a mais tradicional marca de produtos de esporte de aventura.
Ocshsner Sport, outra excelente opção.
Souvenires? Tem muita loja legal como a Shcweizer Heimatwerk, mas até mesmo em algumas unidades dos supermercados da rede COOP vocês encontram uma seção completa com excelentes souvenires.
Literalmente tudo com tema suíço.
Mas e os famosos chocolates? Bem, isto é assunto para um outro post específico sobre a culinária local e onde comer na Suíça!

O horário comercial padrão é de segunda-feira à sexta-feira das 9h00 às 19h00 e sábados até as 18h00 para as lojas, sendo que em algumas cidades menores, elas podem fechar na hora do almoço.

Apesar das coisas serem razoavelmente caras Suíça, ao menos um alento, a possibilidade de recuperar parte do imposto VAT (uns 8%). Em linhas bastante gerais, as regras na Suíça são as seguintes:

Procure pelas lojas que têm o logo da Global Blue Tax Free Shopping e ao realizar as suas compras, solicite o Tax Free Form. Ai é só pegar o carimbo na alfândega do aeroporto (antes do check-in!), apresentando o formulário, seu passaporte, recibos e os bens adquiridos. Depois vá ao guichê e apresente o carimbo e os formulários para pegar seu reembolso em dinheiro ou crédito no cartão. Quem estiver na correria, pode simplesmente postar o formulário (carimbado) para ter o crédito no cartão.
Junte os cupons, passe pela alfândega e depois é só pegar seu reembolso. Sem complicação.
Ah, a compra mínima deve ser de CHF 300.

E por falar em VAT Refund, a Global Blue, empresa que gere o sistema, está disponibilizando app para smartphones para que as pessoas possam ter algumas informações de bate-e-pronto.

Então, prepare seus francos suíços, porque coisa bacana é o que não falta para comprar na Suíça!!!


Quer receber mais dicas de viagem e saber quando saem os próximos posts?
Curta nossa página no Facebook, aqui.
Siga-nos no Twitter @cumbicao.
E no Instagram – Cumbicão.

4 comentários :

  1. Olá mas será que posso pedir meu reembolso um dia antes de retornar ao Brasil? Pois meu võo sairá as 7h da manhã de Zurique logo terei que chegar no aeroporto as 4h, e penso que o guichê não estará aberto.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Pati, não sei se é possível, mas não custa tentar.
      Se puder depois conte se deu certo pois pode ajudar outros viajantes.
      Abraço.

      Excluir
  2. o valor mínimo de CGF300 deve ser em única compra ou pode ser somado várias compras?

    ResponderExcluir

Deixe seu comentário, sugestão ou dúvida aqui