19 de abril de 2017

Flight Review: Como é voar com a Malaysia Airlines de Bali para Kuala Lumpur

Malaysia Airlines: voar ou não voar, eis a questão.
Imagine a cena, você tem uma viagem com vários destinos pela Ásia. Compra os voos mais longos que são aqueles de/para o Brasil e para suas portas de entrada para o continente já que são os que têm uma frequência menor e são mais caros. Isto fechado, começa a comprar os voos regionais que você já havia pesquisado antes.

De repente você nota que aquele voo que você queria simplesmente triplicou de preço. A única opção que casa dia-horário-preço é justamente uma empresa que esteve no foco dos noticiários por motivos nada felizes. O que você faz?

Foi assim que fomos parar em um voo da Malaysia Airlines.

Para quem tem memória fraca, o ano de 2014 não foi nada positivo para a Malaysia Airlines (e para a avião como um todo). Em 8 de março daquele ano o voo MH370 literalmente desapareceu nos mares do Sudeste Asiático, tornando-se um dos grandes mistérios da aeronáutica. Meses depois, em 17 de julho, o voo MH17 da empresa caiu (ou melhor, foi abatido) na Ucrânia matando todos à bordo em um ato covarde de guerra até hoje sem a devida responsabilização dos culpados.

Respirei fundo. Aguardei alguns dias. Tentei espantar qualquer pré-conceito ou superstição e ser o mais racional possível, e foquei a minha decisão em algumas premissas. A primeira é que nenhum dos casos restou comprovado que a culpa teria sido da empresa (ok, no caso do sumiço talvez um piloto louco?). A segunda é que, normalmente, uma empresa que tem um problema grande qualquer tende a ser mais diligente dali para frente, mesmo que não esteja configurada a sua culpa pelos eventos passados.

E por fim, somei uma boa dose de fé. Particularmente acredito que estas grandes e lamentáveis tragédias não são obras do acaso.

Tentando me pegar a isso (e às estatísticas) comprei os bilhetes.
Aeronaves da Malaysia Airlines no aeroporto de Kuala Lumpur.
A nossa experiência com a empresa deu-se no voo de Bali para Kuala Lumpur, uma viagem de não mais que 3 horas. A Malaysia tem 3 voos diários nesta rota, um partindo por volta do meio-dia, outro no meio da tarde, e um no começo da noite.

Fiz a compra dos bilhetes diretamente no site da empresa. O site é bastante intuitivo e não tivemos nenhuma dificuldade em concluir a operação.

Mas fique atento. Durante o processo de compra no site da Malaysia é preciso informar logo de início o número do passaporte – a maioria das empresas permite fornecer esta informação mais tarde. Logo, para comprar a passagem você precisa ao menos ter um número. No nosso caso, parte dos passaportes estava vencido e eu não poderia aguardar a renovação. Decidi então informar o número antigo e depois corrigir quando tivesse o novo em mãos. Deu super certo, bastou enviar um e-mail à empresa solicitando a correção e dias depois recebi uma resposta positiva e os bilhetes foram atualizados sem qualquer dificuldade.

Quanto ao custo, achei o valor bastante interessante dada a qualidade dos serviços. Para você ter uma ideia, para o mês de agosto, por exemplo, um voo ida-e-volta (lembrando que fizemos apenas uma pernada), o custo é de uns R$ 450 para o câmbio de hoje – se for só de ida, cai para uns R$ 350. Vale lembrar que para esta mesma rota existem empresas lowcost como a AirAsia, mas que eventualmente podem apresentar um custo maior por conta da necessidade de pagar à parte pelas bagagens despachadas e outros itens que já estão embutidos na tarifa da Malaysia. Compare.
Aeroporto de Kuala Lumpur.
Algo que infelizmente a Malaysia e outras tantas empresas fazem é cobrar pela escolha do assento. Particularmente penso que isto é apenas uma forma das empresas ganharem dinheiro fácil. Ora, qual é o serviço ou produto que é fornecido nesta escolha do assento dentro de uma mesma classe? Ganhar dinheiro fácil assim qualquer um quer! Pronto falei!

No passado até que recente, a Malaysia operava uma extensa malha de rotas, com voos próprios para as principais capitais da Europa e algumas cidades nos EUA. Porém com a lamentável sequência de acidentes, e o compreensível receio dos passageiros em voar com a empresa, ela passou por uma profunda crise que quase a levou à falência.

Atualmente eles operam voos próprios para toda a Ásia, e existem alguns voos intercontinentais como para Los Angeles, Londres, algumas cidades da Austrália.
Boeing 777-200 no qual voamos.
A Malaysia tem seu próprio programa de milhagens, o Earn Enrich Miles. Optei por não fazer o cadastro no programa, mas resolvi computar as milhas voadas com a Malaysia no TAM Fidelidade, já que a Malaysia faz parte do One World que reúne várias empresas como Ibéria, American Airlines, British Airways, QANTAS por exemplo.

Há ainda uma parceria firmada em 2016 entre a Malaysia e a Emirates para codeshare. Mas não está claro se é possível pontuar e utilizar as milhas de uma empresa na outra. Alguns especialistas dizem que esta parceria foi firmada como uma forma de resgatar a empresa da crise acima mencionada.

A franquia de bagagem praticada pela Malaysia é a seguinte: para bagagem de mão vale a regra dos 115cm lineares (a somatória das medidas altura, comprimento e largura não pode ultrapassar estes 115cm) limitados a 7kg; e bagagem despachada são duas peças de 30kg na econômica, duas de 40kg na executiva e duas de 50kg na primeira classe (acho que nunca vi limites tão generosos). Quem viaja com bebê de colo tem direito a um item adicional de 10kg para levar a bordo.

O check-in no aeroporto de Bali (DPS) foi bem rápido.
Check-in literalmente sem filas em Bali.
Apenas uma curiosidade, assim como em alguns outros destinos como Puket e Israel, para entrar no aeroporto, eles pedem para você colocar a sua mala em um enorme scanner antes de entrar no hall. Portanto não estranhe.

Lá dentro, já na área de embarque, além de um excelente dutyfree, você encontra boas opções de lugares para comer.
Aeroporto de Bali.
Opções de compras lá é o que não falta.
No portão de embarque despachamos o carrinho de bebê e o retiramos logo no finger em Kuala Lumpur. Embora esta seja a regra geral, nem todos aeroportos / empresas aéreas trabalham assim, varia em função das regras locais.

A aeronave utilizada neste voo foi um Boeing 777-200 até que bem conservado e limpo. A configuração dos assentos era 2-5-2.

Como viajamos na primeira fileira, não tenho como avaliar a distância das entre as demais poltronas. A distância entre esta primeira poltrona e a galeria era mais ou menos a mesma que nas demais empresas / aeronaves.
Bom espaço para as pernas nas primeiras poltronas.
A inclinação do encosto também era bem satisfatória.
Literalmente uma telinha.
O sistema de entretenimento a bordo é um pouco ultrapassado. Telas pequenas, um pouco maior que um iPhone 5C como dá para ver na foto abaixo. A resolução também não era das melhores.

A refeição servida a bordo foi simples. Talvez pela duração do voo ser de 3 horas ou ser no meio da tarde, serviram amendoim, sanduiche e suco. Pelo preço x tempo de voo achei justo.
Refeição simples mas suficiente para o tempo de voo.
O atendimento de bordo não teve nada de extraordinário. Os comissários foram bastante simpáticos e atenciosos, mas embora tenhamos solicitado previamente no site da empresa uma refeição de bebê para o Cumbiquinho, enviaram uma normal.

Quanto à pontualidade, não tivemos problema algum. E olha que como já dito em outra oportunidade, embora não estivesse dentro do controle da empresa, estávamos bem preocupados com o risco de fechamento do aeroporto de Bali por conta de uma erupção vulcânica em uma ilha vizinha.
No final, o nosso medo era uma erupção como as que antecederam a data da viagem.
No geral, se considerar o preço da passagem e o nível de conforto/serviço fiquei satisfeito com a experiência com a Malaysia, mas muito mais com o fato da maré de má sorte deles ter passado.

E você já voou com a Malaysia Airlines? Como foi? Deixe seu comentário abaixo.


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