Cape Town

O que fazer em Cape Town: roteiro de viagem completo

Juro que tentei, mas o clichê é mais forte… Cape Town, a cidade mais interessante do país, está para a África do Sul assim como Rio de Janeiro está para o Brasil.

Duvida?

Ambas estão à beira-mar e têm nisso boa parte do seu encanto.

As duas têm formações rochosas icônicas que mais do que simplesmente trazer um charme adicional, definem toda a geografia local. Enquanto que o Rio de Janeiro tem o Corcovado, Cape Town tem a Table Mountain.

Ambas têm uma veia turística predominante. Conterrâneos paulistas que me perdoem, mas o a Cidade Maravilhosa é muito mais turística do que a nossa Sampa. Aliás a capital paulista estaria mais para Johanesburgo do que para Cape Town.

Assim como o Rio de Janeiro, Cape Town atrai muito mais turistas do que Johanesburgo, mesmo esta tendo o aeroporto mais movimentado do país. Mais uma semelhança com as duas principais cidades brasileiras.

Fala se não parece o Rio… Praia, montanha e até estádio!!!

O fato é que Cape Town é um destino praticamente obrigatório para quem visita a África do Sul, e o motivo disso está no fato de que ela proporciona ao turista uma experiência de viagem absolutamente distinta do restante do país.

Se no restante do país o foco são experiências de safari, Cape Town tem atrativos muito diferentes.

Ali o programa é curtir a mistura irresistível de mar e montanha, especialmente em atividades ao ar livre (por isso recomendo não ir no inverno como detalho abaixo), sem abrir mão de excelentes museus e muito mais.

história de Cape Town é bastante rica e tem laços com a nossa.

Os primeiros habitantes dali foram os povos Khoe-San, cujas raízes remontam a cerca de dois milênios. Os primeiros não africanos a aportar por ali foram os portugueses que desafiaram a traiçoeira travessia do Cabo da Boa Esperança no final do século XV, em busca de rotas comerciais para o leste. 

Depois vieram os holandeses em meados do século XVII e, mais tarde os britânicos no final do século XVIII, todos deixando suas marcas na cidade, seja na cultura, arquitetura ou culinária.

E mesmo na história mais recente, especialmente no período do nefasto apartheid, a cidade foi o local do cárcere de figuras importantes da resistência, como o Arcebispo Desmond Tutu e Nelson Mandela, que ficaram presos na Ilha Robben. 

Cape Town, nossa primeira parada na África do Sul.

Dicas práticas

Como costumamos fazer, antes de tratarmos das atrações em si, vamos ver algumas dicas práticas para você curtir a cidade ao máximo e otimizar seu tempo em Cape Town.

Chegando e circulando em Cape Town

Cape Town fica na costa oeste da África do Sul, praticamente 1.400km de Johanesburgo o que resulta numa viagem de carro de aproximadamente 1:50hs ou 2hs de avião a partir da mesma cidade.

Como deu para notar, é praticamente impossível fazer esta viagem de carro numa só pernada. Primeiro pelo tempo de viagem, segundo porque tem muita coisa interessante para ver neste caminho.

Nós até consideramos fazer esta longa road-trip, mas não tínhamos o tempo necessário para fazer isso caber no itinerário de viagem, ainda mais se considerarmos a ida e volta, já que o nosso ponto de chegada e partida da África do Sul foi Johanesburgo.

Mesmo considerando a excelente ideia de fazer o trajeto com umas paradas estratégicas e interessantíssimas ao longo da chamada Garden Route (pela costa), fazer tudo de carro ainda nos pareceu demais. Teríamos dois dias de intensa viagem pelo interior do país.

Então optamos por chegar voando via Johanesburgo, e voltar de carro percorrendo a Garden Route até Guquebera (antiga Port Elizabeth) onde pegamos um voo de volta para Johanesburgo com duração de pouco mais de 1h. Com isso eliminamos uma parte menos interessante que seria justamente o trecho entre Guquebera e Johanesburgo.

É um aeroporto pequeno, mas com boa infraestrutura.

A porta de entrada para turistas estrangeiros em Cape Town é o Aeroporto Internacional da Cidade do Cabo que fica relativamente perto do centro da cidade, uns 20km.

Não espere muito dele não… é um aeroporto relativamente simples, especialmente se comparado com o de Johanesburgo que é bem maior e considerado o principal da África do Sul.

Infelizmente para ir dele para a cidade e vice-versa, não existem outras opções além de táxis ou alugar um carro, o que como você verá abaixo já dá uma ideia sobre como se locomover entre as atrações da cidade.

Antigamente, até 2022 existia um sistema de ônibus, mas ele foi descontinuado. 

O custo de uma corrida de táxi do Aeroporto Internacional da Cidade do Cabo (CPT) para o centro da cidade pode variar, mas no geral espere pagar algo entre ZAR 300 e ZAR 400. Vale lembrar que é importante ou negociar um preço fechado ou pedir para ligar o taxímetro.

Já de Uber sai por uns ZAR 250, também considerando o centro de Cape Town.

O tempo de viagem é de aproximadamente 17 a 20 minutos.

Se me pedissem para apontar um defeito em Cape Town certamente seria o sistema de transporte.

Como já dito, não existe metrô ou trens, apenas um sistema de ônibus que nem sempre é tão rápido, tampouco conveniente como os demais meios.

Por exemplo, não cobre os arredores do Cabo da Boa Esperança e outras atrações mais ao sul.

Se você tiver um hotel com estacionamento, carro fica ainda mais atrativo.

Isso nos leva à melhor opção que é alugar um carro.

Mas não pense que isso é isento de inconvenientes.

Primeiro, como eu já disse no post de introdução à África do Sul, você vai dirigir um veículo com volante à direita e trafegar pela mão inglesa (oposta à nossa). Nas cidades, é preciso redobrar a atenção.

Adicionalmente, tem sempre a dificuldade e custo de estacionar. Seja o hotel ou nas atrações, isso acaba sendo sempre um inconveniente, especialmente naquelas localizadas nas áreas mais centrais ou urbanas.

Paciência, é o inconveniente que se tem que enfrentar pela comodidade.

Quanto tempo em Cape Town?

Eu poderia sim dizer que a resposta para a questão acima “depende do seu ritmo de viagem”, como eu sempre digo.

Mas Cape Town é uma cidade que demanda sim, pelo menos, uns 3 ou 4 dias inteiros do seu itinerário de viagem, especialmente se você viajar no verão.

Vá com tempo para poder curtir Cape Town com calma.

E não é apenas Cape Town em si, existem muitas outras atrações nos arredores que merece a sua visita.

A região como um todo tem muita coisa interessante. Por exemplo, a partir dali você consegue expandir para praias mais a leste e oeste, vinícolas bem próximas e até mesmo alguns Safaris dirigindo não mais do que 1h30 de Cape Town.

Nós, por exemplo, ficamos um total de 3 dias inteiros e deu para conhecer bem as principais atrações. E mesmo assim vendo apenas o essencial e sem tempo de sobra.

Onde se hospedar?

Procurando por hotéis em Cape Town, você vai encontrar uma enorme variedade de opções e localizações bem diferentes.

Como não poderia deixar de ser na cidade mais turística da África do Sul, existem opções para todos os bolsos e estilos.

A minha vontade era ficar no Waterfront, mas o custo…

Você encontra desde hotéis mais simples até super exclusivos com preços de diárias que talvez custem o equivalente à viagem inteira.

Olhando a questão sob o prisma da localização, até mesmo considerando as atrações que você vê no mapa que ilustra este post, a minha sugestão é que você tente se hospedar na região central (com as observações que faço abaixo) ou nos arredores do Waterfront.

A área nos arredores do Waterfront é sem dúvida a mais nobre de Cape Town, e a partir dela você tem acesso a uma série de atrações que podem ser conhecidas a pé mesmo, como detalharei mais a diante.

O problema disso é o custo. Dependendo da época do ano pode ser caríssima.

Foi por isso que acabamos tendo que ficar na região central porque como fomos perto do Ano Novo, as diárias para os hotéis mais bacanas no Waterfront eram impraticáveis.

A região mais central tem a vantagem de, estando de carro (novamente altamente recomendável), você estar a meia distância tanto do Waterfront quanto de outras tantas atrações de Cape Town.

Mas tem um problema… Esta não é nem de longe uma área agradável para você passear à pé, nem de dia, quanto menos à noite. O esquema é pegar o carro e visitar outras áreas da cidade.

Por que? Pela quantidade de moradores de rua, lixo espalhado em algumas esquinas, imóveis degradados e etc. Tudo isso a despeito de existirem sim alguns hotéis bacanas na região.

Onomo Cape Town Inn on the Square.

Outras áreas bem interessantes em termos de hotéis são Gardens ou até mesmo zonas mais praianas como Sea Point e Camps Bay, mas com a desvantagem de gastar mais tempo em deslocamento.

Mas e os preços? Olha, sei que isso é relativo, mas comparando com outros destinos, não só Cape Town como a África do Sul como um todo me pareceu super convidativa ao bolso do brasileiro. Ou seja, bem mais barato que cidades nos EUA ou Europa, por exemplo.

A nossa escolha ao final acabou sendo o Onomo Cape Town Inn on the Square que nos atendeu super bem e cuja experiência detalharei em breve aqui no site.

O que fazer em Cape Town

Como você poderá notar do que detalho abaixo, cada região de Cape Town tem seus atrativos. Tem áreas que são mais urbanas, mais focadas em belezas naturais e finalmente praias. Sim, Cape Town tem isso também!

E tudo isso tem um detalhe importante: as atrações estão espalhadas em uma área relativamente grande, e não raras vezes distantes umas das outras.

Então aqui, mais do que nunca vale aquela dica importante de dividir as atrações por dias, tentando agrupar elas conforme a proximidade e conveniência de visita-las numa sequência lógica que minimize os deslocamentos e otimize o tempo.

Dentro do possível, tentei já deixar isso meio que mastigadinho para você na sequência/roteiro abaixo, bastando você dividir isso em 3 ou 4 dias conforme o seu ritmo de viagem.

Table Mountain

Comecemos a explorar Cape Town justamente por sua atração mais famosa, a Table Mountain.

Mais do que um cartão postal que atrai milhares de turistas, podemos dizer que Table Mountain literalmente atraiu uma cidade inteira. Afinal Cape Town estabeleceu-se ao redor desta montanha que pode ser avistada praticamente de todos seu os bairros.

Olhando deste lado dá para notar o quão grande a Table Mountain é.

Toda a área da Table Mountain é na verdade um parque, o Parque Nacional Table Mountain, uma área protegida que se estende por toda a Península do Cabo, e é um Patrimônio Mundial da UNESCO. São ao todo 220 km²!!!

Como comparei acima, a Table Mountain está para Cape Town assim como o Cristo Redentor está para o Rio de Janeiro.

Então é sem dúvida alguma uma atração que você precisa admirar de perto, seja olhando de baixo para notar a sua imensidão e como ela circunda a cidade, seja lá de cima.

Como você já deve ter percebido, o nome Table Mountain é uma referência à sua característica mais marcante: um planalto extenso e plano no topo, com aproximadamente 3 quilômetros de ponta a ponta, cercado por imponentes penhascos.

Vá com tempo para poder sentar-se e admirar a vista!!!

O ponto mais alto é ali é o Maclear’s Beacon, um rochedo que atinge 1.086 metros acima do nível do mar.

Antigamente conhecida como Hoerikwaggo (Montanha do Mar) pelos povos originários da região, ela serviu como uma espécie de farol natural para os navegadores que se aproximavam do Cabo da Boa Esperança.

A forma mais popular de acesso ao topo é através do Table Mountain Cable Car inaugurado em 1929.

Table Mountain Cable Car.

Atualmente, este teleférico tem cabines modernas, que comportam 65 passageiros, giram 360 graus durante o percurso de cinco minutos até a estação final situada pouco mais de 1.000m acima do mar, oferecendo vistas panorâmicas espetaculares da subida e da cidade.

Esta é a forma mais fácil e conveniente de chegar ao topo. Você até pode, dependo da sua disposição fazer a subida por uma das trilhas, mas é altamente recomendável não só um preparo razoável, como também contratar um guia especializado para isso.

Não existe a opção de subir de carro.

A estação do teleférico fica na 5821 Tafelberg Rd, Table Mountain (Nature Reserve) – marquei no mapa acima para facilitar. O estacionamento ali é gratuito. Você pode inclusive estacionar ali e pegar o ônibus gratuito que vai te levar até a estação de embarque do cable car.

Os ingressos estão disponíveis tanto na bilheteria existente no local quanto online (altamente recomendável). O preço não é lá muito barato não… na época da nossa viagem o ingresso adulto ida e volta saia por ZAR 450 e menores de 17 anos ZAR 225. Comprando presencial custa um pouquinho mais.

Vista para o lado contrário ao centro de Cape Town.

Como o horário de funcionamento varia muito ao longo do ano, sugiro você consultar diretamente o site deles acima indicado. Mas apenas para te dar uma ideia, durante o verão ele opera das 8h-19hs todos os dias.

Recomendação: melhor ir logo cedo ou no final do dia por conta da iluminação para fotos e principalmente quantidade de pessoas ali.

No cume, os visitantes encontram infraestrutura completa, incluindo loja de souvenirs, café/restaurante e banheiros públicos. 

Lá também existem algumas trilhas bem demarcadas, como a Dassie Walk, que levam a diferentes mirantes.

Prepare-se para uma fila enorme!!!

Escolha bem o dia e horário para a visita para poder ter uma vista mais ampla possível, já que nuvens se formam ali com certa frequência.

Não que estas nuvens não façam parte do espetáculo em certas circunstâncias. Dependendo das condições climáticas, quem está embaixo pode admirar o que eles chamam de tablecloth (“toalha de mesa”) que é formada por nuvens que literalmente fluem das suas bordas, tamanha a altura.

A famosa tablecloth.

A presença da “tablecloth” frequentemente leva à suspensão da operação do teleférico devido às condições de visibilidade e vento. Fique atento.

Ah, já ia esquecendo… mesmo no verão, é bom ter ao menos uma jaqueta leve ou a prova de ventos porque lá em cima não só é mais frio, como as condições do clima são notoriamente instáveis. 

Ao lado da Table Mountain fica o Lion’s Head, um pico rochoso com 669m de altura. 

Este é o pico mais escalado da África do Sul, com uma incrível média anual de 200mil pessoas fazendo o trajeto para apreciar o pôr do sol.

Lion’s Head, o que para nós seria o Pão de Açúcar.
Para você ter a visão completa: Table Mountain, Lion`s Head e Signal Hill.

Normalmente esta caminhada começa noutra formação rochosa ali ao lado, a Signal Hill, com seus 350m de altura.

Dizem que é uma escalada razoavelmente tranquila que começa com uma trilha de cascalho, mas que chega numa série de escadas de metal e correntes para acesso ao topo de onde se tem uma vista 360 graus de Cape Town.

Ainda que você não vá fazer a trilha, não deixe de dar uma espiada no Signal Hill Table Mountain Frame, um quadro que (perdão pelo pleonasmo) enquadra a Table Mountain para fotos perfeitas. 

Ah, e é um lugar incrível para um pôr do Sol também. Só fique esperto porque às vezes é preciso chegar até duas horas antes durante a alta temporada – para garantir um lugar e encontrar estacionamento antes que fique muito lotado

Se você estiver por ali ao meio dia e ouvir um estrondo não estranhe. Signal Hill é o local do famoso Canhão do Meio-dia de Cape Town, um tiro de canhão que dispara exatamente ao meio-dia, de segunda a sábado.

Canhão do Meio-dia.

É o lugar perfeito para admirar uma das faces mais belas da Table Mountain, e ainda do outro lado ver toda a região de Green Point e o The Stadium Bowl (ou DHL Station) que recebeu jogos da Copa do Mundo e hoje é mais conhecido por receber os jogos do DHL Stormers, o time local de rúgbi.

The Stadium Bowl (ou DHL Station).

Na ida ou na volta dali, pare no Lion’s Head Hike Parking, também marcado no mapa deste post, para uma vista incrível da Lion’s Head.

Victoria & Alfred Waterfront

Popularmente conhecido apenas como V&A Waterfront, o Victoria & Alfred Waterfront é um complexo turístico à beira-mar com shoppings, restaurantes, museus, e muitas atrações como uma roda-gigante e o aquário Two Oceans.

Victoria & Alfred Waterfront.

O Waterfront era uma zona portuária cujas origens remontam a 1882 quando instalaram ali algumas docas e os primeiros entrepostos.

Assim como outras tantas cidades Cape Town revitalizou uma área degradada e a transformou em um belíssimo centro de lazer e compras. Tanto que acabou atraindo hotéis de luxo e condomínios de alto padrão.

E apesar de terem feito uma grande renovação ali, ainda existe uma doca em operação desde a inauguração do complexo, a Doca Robinson. Não deixe de espiar a Torre do Relógio de 1882, que originalmente serviu como escritório do capitão do porto. 

Torre do Relógio.
African Trading Port, a melhor loja de souvenires da cidade fica ali.

Dica… ache um lugar para estacionar e explore toda esta região a pé, já que ali predominam calçadões de pedestres e entre uma atração e outra há sempre algo interessante para ver seja uma praça, uma loja ou um bar.

São raras as viagens em que você tem a oportunidade de, em uma única viagem, molhar os pezinhos em dois oceanos. Normalmente os países, quando muito tem cada costa banhada por um oceano, como por exemplo Canadá, EUA, Costa Rica, e Panamá.

Mas poucos são como a África do Sul que têm em um litoral contínuo, dois oceanos, no caso o Atlântico e o Índico.

E no Two Oceans Aquarium você pode aproveitar para admirar a vida marinha destes dois oceanos tão distintos.

Dos mares para as artes.

No V&A Waterfront fica o mais importante museu de arte contemporânea não só de Cape Town como da África do Sul como um todo, o Zeitz MOCAA.

Zeitz MOCAA.

O Zeitz MOCAA, cujo nome completo é Museu Zeitz de Arte Contemporânea da África foi inaugurado em 2017 para exibir a excelente coleção de arte contemporânea da África Austral do empreendedor Jochen Zeitz e para fornecer espaço para outras obras de todo o continente. 

Além das obras de arte expostas no museu, o seu edifício já é um bom motivo para você visitá-lo.

Ele fica no que era um silo de grãos que foi completamente adaptado para esta finalidade.

O hall do Zeitz MOCAA é uma obra de arte.

Repare nos recortes no concreto onde eram os silos:

Destaque também para as típicas janelas.

A história do silo, assim como de outras construções na região é controversa. Como grande parte do restante da área da orla, foi construído por detentos encarcerados na vizinha Prisão Breakwater (hoje Protea Breakwater Lodge) e inaugurado no início da década de 1920 como o edifício mais alto da África do Sul. 

Quando o silo deixou de ser usado, tiveram a brilhante ideia de aproveitar a estrutura e em 2014 começaram o projeto de adaptação que foi conduzido pelo arquiteto britânico Thomas Heatherwick.

O grande destaque é o um átrio no qual foram esculpidos 42 tubos verticais originais do antigo silo, expondo seções de suas estruturas circulares que se elevam até oito andares. 

Dizem que o design do átrio é inspirado no formato de um grão de milho, em lembrança às colheitas que costumavam ser armazenadas aqui.

Não deixe de visitar o último andar do museu. Dali para cima é um hotel de luxo.

Funciona diariamente das 10hs às 18hs (última entrada às 17h30) e o ingresso custa ZAR 265 (menores de 18 anos não pagam).

Se você estiver com crianças talvez seja interessante conhecer a roda gigante que instalaram ali, a The Cape Wheel.

Outra boa atração é o The Stadium Bowl (ou DHL Station) do qual falei anteriormente. Os mais fanáticos por futebol podem inclusive fazer um tour pelas instalações. Não é todo dia que se pode visitar um estádio que sediou uma Copa do Mundo.

A esta altura espero que você esteja já com fome de tanto andar pela cidade e em especial por esta região. Isso porque ali existe uma unidade do Time Out Market, muito parecida com aquela que existe em Lisboa.

É uma boa oportunidade para experimentar coisas diferentes e com uma qualidade excelente. Fora que o edifício, como noutras unidades é lindo – uma antiga power station.

Abre de quinta a sábado das 11hs às 23hs e de domingo à segunda das 11hs às 22hs.

Ao lado do Time Out fica a Nobel Square, uma praça que homenageia os quatro vencedores do Prêmio Nobel da Paz da África do Sul: Nelson Mandela, Albert Luthuli, Desmond Tutu e FV de Klerk com estátuas de bronze quase em tamanho real e citações históricas de cada um deles.

Nobel Square.

A área tem muitas lojas, mas se você quiser um shopping, especialmente para refrescar do calor do verão local, vá ao Victoria Wharf Shopping Centre.

Victoria Wharf Shopping Centre.

Se você estiver por ali no verão e for uma quarta-feira, vá ao Oranjezicht Farm Market em ação para conhecer uma feira local.

Robben Island

Situada uns 8km da costa, uma visita a esta ilha é uma experiência comovente e essencial para entender o passado do país.

Robben Island, um lugar de dor no passado e protesto hoje.

O ponto de partida para conhecer ela fica justamente no The Nelson Mandela Gateway to Robben Island no V&A Waterfront, dai porque é muito interessante você aproveitar para fazer estas duas atrações no mesmo dia. Uma pela manhã e a outra na parte da tarde.

Digo isso porque a Robben Island só pode ser visitada num tour específico comprado no link acima e que demora 3,5hs.

O tour tem horários fixos: 9hs, 11hs, 13hs e 15hs na alta temporada – na baixa que vai de maio a agosto, não tem o das 15hs. E não é nada barato… custa ZAR 600 por adulto (ZAR 310 menores de 18 anos).

The Nelson Mandela Gateway to Robben Island.
O passeio começa com o ferryboat para Robben Island.
Depois uma primeira parte num ônibus com um guia explicando história local.

Mas o que esta ilha tem de especial?

Inicialmente ela era apenas um ponto de parada para navios que passavam por ali, sendo o primeiro deles, em 1488, o explorador português Bartolomeu Dias quando da sua escala na região.

Acontece que a partir de meados do século XVII, a Ilha Robben passou a ser utilizada como prisão, colônia de leprosos, enfermaria para aqueles que sofriam de doenças crônicas e mentais e como base militar. 

Mas ela passou à (in) fama com o apartheid quando se tornou uma prisão de segurança máxima, principalmente para prisioneiros políticos negros. 

Pátio onde os presos tomavam banho de sol.
A maioria delas tinha apenas um banco e um “colchão” fino.
Nas celas, o nome dos prisioneiros que ali ficaram.

O seu prisioneiro mais famoso foi Nelson Mandela que passou ali nada menos do que absurdos 18 anos da sua vida, de 1964 à 1982. Lembrando que ao todo ele ficou preso por 27 anos – a condenação era na verdade prisão perpétua.

Ela deixou de ter esta nefasta utilidade apenas em 1991, sendo 6 anos depois declarada monumento nacional.

Hoje abriga um museu sobre o apartheid, onde os tours são frequentemente conduzidos por ex-prisioneiros, oferecendo uma perspectiva comovente e poderosa da história sul-africana.

O tour que começa já no embarque no Mandela Gateway, numa viagem de barco que leva alguns 30 minutos. Já na ilha você pega um ônibus no Murray’s Bay Harbour que vai te levar para todos os pontos interessantes na ilha.

Uma das paradas do tour é a pedreira de cal onde Mandela e muitos outros realizaram trabalhos forçados.

Pedreira de cal em Robben Island.

Outro ponto interessante é a a pequena casa de Robert Sobukwe, um dos líderes do movimento antiapartheid, ficou confinado em regime de solitária por nada menos do que 6 anos.

Não deixe de visitar o kramat construído em memória de Sayed Abdurahman Motura, que morreu em 1754 após ser exilado na ilha por 11 anos pelos holandeses. 

Sayed Abdurahman Motura.

Mas o ponto mais alto da visita é sem dúvidas o mais concorrido deles é a cela utilizada por Nelson Mandela.

A cela utilizada por Nelson Mandela em Robben Island.

Além do impacto que o local em si causa, o que chama muito a atenção é ouvir os ex-detentos explicando como era a vida dos prisioneiros. É algo bastante impactante, já que exceto se você for racista (o que espero que não sejas!!!), não dá para não se comover com os absurdos do apartheid que ali têm uma das suas mais notórias marcas.

Mas porque então visitar e manter um lugar tão terrível? Bem, é exatamente aquilo que eu disse quando visitamos Auschwitz: lembre-se sempre dos terríveis erros (crimes) do passado para não os repetir no futuro!!!

Aqui vale repedir aquela maravilhosa frase dele:

“Ninguém nasce odiando outra pessoa por causa da cor de sua pele, da sua origem ou da sua religião. Para odiar, é preciso aprender. E, se podem aprender a odiar, as pessoas também podem aprender a amar.”

Se você puder, leia a autobiografia de Nelson Mandela, “Uma Longa Caminhada para a Liberdade”, antes de visitar. 

Poderosas palavras de Nelson Mandela.

Kirstenbosch National Botanical Garden

Como se não bastasse a Table Mountain, mais ao sul você encontra mais uma área verde bem interessante, o Kirstenbosch National Botanical Garden.

Ele é o jardim botânico de Cape Town. Uma área perfeita para um piquenique.

O maior destaque ali é a passarela suspensa “Boomslang” com vistas incríveis. Aliás, se você procurar fotos áreas dela entenderá o nome… Boomslang é o nome de uma cobra e a ponte é uma linda obra arquitetônica sinuosa que corta a mata com vistas incríveis da Table Mountain.

Adultos pagam ZAR 250 e menores de 18 anos ZAR 40.

Cape Town Central

A região central de Cape Town, que compreende os bairros de City Bowl, Foreshore, Bo-Kaap e De Waterkant, representam o coração histórico e cultural da cidade.

Toda esta região está aos pés da Table Mountain à oeste e tem um punhado de atrações que, embora não sejam na minha opinião as mais interessantes de Cape Town, valem uma breve visita.

Long Street e suas construções típicas.

Comecemos pelo Castelo da Boa Esperança, uma construção do século XVII que marca o início da presença holandesa no continente. 

É o edifício mais antigo da África do Sul, construído pela Companhia Holandesa das Índias Orientais entre 1666 e 1679. Funcionou como fortaleza, sede do governo e prisão. Hoje, é um museu militar e local histórico.

Quando o tema é apartheid, um dos museus mais importantes de Cape Town é o District Six Museum

Ele documenta a história do vibrante bairro multicultural de District Six, mas também a triste história dos mais de 60.000 residentes que foram forçosamente removidos durante o regime do Apartheid.

Já imaginou o absurdo de remover forçosamente 60 mil pessoas (um estádio inteiro!) de suas casas por racismo???

Ainda com a temática apartheid, recomendo visitar a Catedral de São Jorge, que serviu como um ponto de encontro pela liberdade durante a era do apartheid.

Catedral de São Jorge.

O vencedor do Prêmio Nobel Desmond Tutu, o primeiro arcebispo negro da África do Sul, liderou a Marcha pela Paz de 20.000 pessoas em 13 de setembro de 1989 de seus degraus. Ou seja, está para a África do Sul como as escadarias do Lincoln Memorial está para Washington com Luther King.

Ao sul, fica o Company’s Garden, um refúgio verde no centro de Cape Town.

Ele faz parte do layout da cidade há quase 400 anos quando foi criado como uma horta e parada de reabastecimento para a Companhia Holandesa das Índias Orientais. 

Company’s Garden.

Ali predominam árvores-de-fogo-africanas, aloés e rosas. Não perca os restos da árvore mais antiga do jardim – uma pereira-açafrão com mais de 350 anos – embora o que você vê agora sejam, na verdade, brotos das raízes da árvore original. 

Diante dele fica o Parlamento da África do Sul e um interessante monumento chamado Arch for Arch, um conjunto de 14 arcos que representam os 14 capítulos da constituição da África do Sul, e também uma homenagem ao Arcebispo Desmond Tutu – cujo apelido era “o Arco” – em seu 86º aniversário em reconhecimento ao seu trabalho e impacto social durante e após a luta do apartheid. 

Parlamento da África do Sul.
Arch for Arch.

Seja de dia, mais principalmente durante à noite quando ela é ainda mais interessante, não deixe de passear pela Long Street.

Famosa por seus edifícios vitorianos com varandas de ferro forjado, livrarias vintage, lojas de curiosidades, hostels, bares descolados é o centro boêmio de Cape Town.

Ali perto, fica a Greenmarket Square, uma praça histórica que abriga uma feira a céu aberto, ideal para comprar artesanato africano (máscaras, tecidos, joias) e lembrancinhas.

Greenmarket Square.

Indo para oeste, em direção à Table Moutain, você encontra o colorido bairro de Bo-Kaap.

Você pode achar estranha a arquitetura, saiba que a explicação para as suas casas de cores vibrantes está justamente no fato de que este é um bairro fundado por muçulmanos, em sua maioria malaios.

Destaque para a Mesquita Auwal, a mais antiga da África do Sul.

Praias em Cape Town

Cape Town não só está cercada de praias como tem praias para todos os gostos.

Como você pode notar do mapa que ilustra este post, elas estão situadas especialmente a oeste e ao sul da Table Moutain.

E a minha sugestão é que você aproveite um dia inteiro para percorrer ao menos algumas delas. Aqui, selecionei as que achei mais interessantes.

Llandudno Beach.

E comecemos por uma praia incomum.

Tem praia que é famosa por sua beleza natural, pelas ondas perfeitas para o surfe e outras que são conhecidas por serem badaladas.

Algo que eu nunca tinha visto é uma praia famosa por ter algo que é absolutamente estranho para um clima de praia… pinguins.

Boulders Beach é famosa por abrigar uma colônia de pinguins que você avista a partir de passarelas. Imperdível.

Boulders Beach.

Estes pinguins são chamados de pinguins-do-cabo ou pinguins-africanos e os melhores meses para avistá-los são de março a maio e de fevereiro a agosto.

No pico, espere ver até 3.000 pinguins!!!

Nos demais meses, os pinguins passam a maior parte do tempo na água engordando antes da temporada de muda.

Dependendo da estação, você pode ver os pinguins mudando de pele, chocando os ovos ou protegendo os filhotes. 

Você vai caminhando por passarelas que passam pertinho dos pinguins.

É um mais bonito que o outro.

A principal área de observação de pinguins, com passarelas acessíveis para cadeiras de rodas, fica em Foxy Beach, entre os estacionamentos de Seaforth e Boulders Beach.

Seu ingresso para observação de pinguins também é válido para entrada nas pequenas enseadas e áreas de natação aninhadas entre as enormes pedras de granito em Boulders Beach. 

Acho que nem preciso dizer que em se tratando de animais selvagens, você deve manter uma distância mais do que respeitosa. Eles podem parecer fofos, mas eles mordem!

Aqui sugiro que você chegue bem cedo para poder visitar a colônia de pinguins antes da multidão de turistas chegarem.

Tem até lojinha na saída.

Como nadar na praia dos pinguins não é permitido, você pode ir dar um mergulho e curtir a Water’s Edge Beach, uma praia deliciosa ali ao lado.

Water’s Edge Beach.

Ali ainda no lado leste, recomendo visitar a a Muizenberg Beach com suas coloridas cabanas que na verdade são vestiários e acabaram virando um cartão postal local. 

Mas é uma praia mais para ver do que para ficar ali curtindo porque, na minha opinião existem melhores na costa oeste.

Muizenberg Beach.
Mas não é uma praia bacana para banho de mar por conta do vento e sargaço.

Mudando para a costa oeste, suba de volta pela costa oeste até a Noordhoek Beach, a primeira de uma sequencia de praias lindas voltadas para o Oceano Atlântico (charme de Cape Town de ter praias nos dois oceanos!).

Ali você pode admirar um naufrágio em plena areia, o Wreck Of The Kakapo que afundou em 1900 depois de um erro de navegação do seu capitão. Ele achou que já tinha passado o ponto do Cabo da Boa Esperança e mandou acelerar ao máximo o navio que acabou indo parar na areia de tão rápido que estava.

Felizmente ninguém morreu, mas o navio ficou encalhado ali para sempre. O capitão, tão envergonhado não quis sair do navio e acabou morando ali por 3 anos!

Noordhoek Beach.
Naufrágio na Noordhoek Beach.

Mas o principal motivo para ir até ali é começar ou terminar a Chapman’s Peak Drive, que vai dali até Hout Bay Beach.

São ao todo 9km de extensão em uma das rotas costeiras mais espetaculares do mundo, com muitos mirantes ao longo para você ir parando e admirando a paisagem.

Vá devagar para contornar suas 114 curvas e parar em locais para piquenique e mirantes. Embora seja necessário pagar pedágio para percorrer toda a extensão da estrada, durante o dia você pode explorar os primeiros 2,7 km gratuitamente com um passe diário (‘voucher de piquenique’) disponível no pedágio no final da estrada em Hout Bay.

Chapman’s Peak Drive, um dos pontos altos de Cape Town.

Assim como outras atrações de Cape Town, também melhor ir cedo ou final do dia. E não deixe de parar no Twelve Apoteles Hotel para vistas.

Ah, e mais uma dica, tente fazer no sentido sul-norte pois assim você já estará na mão de direção mais propícia para parar nos mirantes, sem ter que cruzar a pista estreita para poder estacionar nas vagas e assim admirar melhor as paisagens.

É um dos pontos altos de uma viagem à Cape Town.

Fiquei imaginando um pôr do Sol aqui.

Não tem como resistir a parar nos mirantes.

Como ela é uma estrada pedagiada, separe aproximadamente ZAR 66 para poder trafegar ali.

A praia de Hout Bay é talvez uma das mais belas e tranquilas de Cape Town e um excelente ponto de parada nesta jornada pelas praias da cidade. Ela fica numa vila costeira charmosa cercada por montanhas.

Hout Bay Beach.

Ao norte, vale seguir sentido Table Mountain, para as praias de Camps Bay e Clifton Beaches.

Ambas são praias mais urbanas, sendo Camps Bay uma praia com belos hotéis e bons bares na sua orla de uma vista para a formação rochosa chamada de “Twelve Apostles” que nada mais são do que lindos penhascos na ponta da Table Mountain.

Twelve Apostles.
Leões marinhos diante dos Twelve Apostles.

Boa pedida para um pôr do Sol.

Já as Clifton Beaches são na verdade quatro pequenas praias de areia branca, separadas por rochedos. Estaque para a quantidade fantástica de imóveis de alto luxo.

Estas duas praias também são uma boa pedida para o dia em que você for para a Table Mountain em razão da proximidade.

Cabo da Boa Esperança

Quem não se lembra das aulas de história sobre o Cabo da Boa Esperança, ou Cape of Good Hope em inglês?

Para quem não se lembra, um puxão de orelha!

Cabo da Boa Esperança.

Mas é neste ponto que o Oceano Atlântico encontra o Índico, meio que a divisão do mundo em ocidente e oriente. 

Sim, amo este conceito. Meio que passou dali é desconhecido…

Embora a maioria das pessoas ache que o Cabo da Boa Esperança (Cape of Good Hope) seja o ponto mais austral, mais ao sul, do continente africano, na verdade, este posto pertence ao Cabo das Agulhas que fica um pouco mais a leste, no sentido da Garden Route da qual falaremos mais a diante. 

Situado no extremo sul do Parque Nacional Table Mountain, o Cabo da Boa Esperança é um lugar obrigatório no itinerário de quem visita Cape Town. 

O local tem uma importância histórica enorme para o ocidente.

Em agosto de 1487, Bartolomeu Dias, navegador português, partiu de Lisboa com o objetivo de contornar o extremo sul da África e encontrar uma rota marítima para as Índias, concretizando um sonho português de longa data.

Foi ali que os europeus cruzaram rumo ao oriente.

Em 1488, após ser desviado para o sul por uma grande tempestade, Dias conseguiu, sem saber, dobrar o cabo. Ao retornar para o norte, buscando a costa, ele se deu conta de que havia ultrapassado o ponto extremo da África.

O feito de Bartolomeu Dias foi fundamental, pois provou que era possível contornar a África. Esta descoberta pavimentou o caminho para a expedição de Vasco da Gama, que, em 1498, completou a jornada e chegou à Índia, estabelecendo a rota marítima direta para o Oriente, o que transformou o comércio global.

Para marcar o feito, foram fincadas cruzes como que para marcar novos domínios portugueses ao longo da costa.

Claro que nenhuma delas está mais lá. Entretanto em respeito ao feito foi construída uma cruz de concreto e pedra chamada Cruz de Bartolomeu Dias que deixei marcada no mapa deste post. Há também uma outra em homenagem à Vasco da Gama.

Marco de Vasco da Gama.

O Cabo da Boa Esperança foi imortalizado na literatura épica portuguesa. Em “Os Lusíadas” (Canto V), de Luís Vaz de Camões, a passagem pelo cabo é marcada pelo aparecimento do gigante mitológico Adamastor. O monstro marinho personifica os perigos, as tormentas e o medo do desconhecido que os navegadores enfrentavam ao cruzar aquele ponto. Sua figura prevê, de forma trágica, os naufrágios e infortúnios futuros no mar.

Entendo perfeitamente a metáfora ao olhar o vento intenso e as ondas que açoitam o rochedo!

Tanto que Bartolomeu Dias nomeou-o inicialmente como Cabo das Tormentas.

Mas ao regressar a Lisboa em dezembro de 1488, o rei Dom João II, exultante com a descoberta da rota para o Oriente, preferiu dar um nome mais promissor ao local, rebatizando-o como Cabo da Boa Esperança, simbolizando a esperança de sucesso na abertura do caminho marítimo para as Índias.

Um dos pontos altos da visita à região é o Farol do Cabo da Boa Esperança, um farol que fica alto de um rochedo situado no ponto mais extremo.

O acesso a ele dá-se por meio de um funicular (ou subindo a pé a trilha adjacente) e depois uma escadaria. A vista lá do topo é fantástica. Deixarei as imagens falarem por si:

De um lado um rochedo.
E de outro uma das praias mais belas que já vi.

Farol do Cabo da Boa Esperança.

Chegando ao topo da escadaria acima, você tem aos pés do farol um mirante e um daqueles marcos com a distância em relação a alguns pontos, como por exemplo o Pólo Sul.

O Polo Sul é logo ali… 6.000km.
Ponto mais ao sul do Cabo da Boa Esperança.

Para conhecer toda esta área do parque você precisa pagar uma taxa de visitação que na época da nossa viagem era de RAD 515/250 (adulto/criança). Confira no site do Table Mountain National Park – Cape Point o valor atualizado para a época da sua viagem.

Prepare-se para dirigir um bom tempo pelas estradas do parque porque apesar da distância não ser grande, o limite de velocidade é de 40km/h, e você vai parar muito para admirar os lugares e ainda pode topar com um engarrafamento de babuínos, típicos na região.

Babuinos em Cape Point.

Constantia Wine Route

Muita gente acaba não lembrando, ou não sabe, mas a África do Sul é famosa por seus vinhos.

A cultura do vinho na África do Sul é uma das mais antigas do Novo Mundo, marcada por mais de 360 anos de história, resiliência e, mais recentemente, por um período de rápido crescimento e reconhecimento internacional após o fim do apartheid.

Groot Constantia, uma das principais e melhores vinícolas de Cape Town.

A história do vinho sul-africano tem suas raízes na época da colonização europeia, especificamente holandesa.

Tudo começou com a chegada do holandês Jan van Riebeeck à Cidade do Cabo em 1652, como administrador da Companhia Holandesa das Índias Orientais. 

Ele estabeleceu um posto de reabastecimento para as rotas marítimas e logo percebeu a necessidade de cultivar uvas para a produção de vinho, tanto para consumo quanto para uso medicinal contra o escorbuto. Essa é para você que estava procurando mais uma boa desculpa para uma tacinha de vinho!

Dizem que o primeiro vinho sul-africano foi produzido em 2 de fevereiro de 1659, marcando o nascimento oficial da indústria.

Groot Constantia.

A qualidade deu um salto com a chegada dos huguenotes franceses (refugiados protestantes) no final do século XVII. Eles trouxeram suas avançadas técnicas de vinificação e um conhecimento superior em viticultura, instalando-se principalmente na região que hoje é Franschhoek (literalmente, “Canto Francês”).

A produção ganhou fama mundial no século XVIII com o lendário “Vin de Constance”, um vinho de sobremesa doce da vinícola Groot Constantia (fundada por Simon van der Stel em 1685). Este vinho era apreciado pelas cortes reais da Europa, incluindo Napoleão Bonaparte e a realeza britânica.

No cenário mundial, a África do Sul é um ator importante no cenário de vinhos, ocupando entre a 7ª e a 8ª posição em termos de volume de produção, dependendo da safra e das condições climáticas anuais, como as secas recentes.

A maior parte da produção de vinho se concentra na província do Cabo Ocidental (Western Cape), uma área com clima mediterrâneo ideal para a viticultura.

Vinhedos perto de Cape Town.

E dentro desta área, algumas existem algumas micro regiões que merecem destaque.

Stellenbosch é considerada o coração da produção de vinhos finos. É a segunda cidade em estilo europeu mais antiga do país e famosa por seus tintos robustos (Cabernet Sauvignon, Pinotage). Existe até mesmo a Universidade de Stellenbosch que tem um centro de pesquisa vinícola.

E junto dela merece destaque justamente Constantia que é a região vinícola mais antiga do Novo Mundo. 

Situada praticamente ao lado de Cape Town, é famosa por seus vinhos brancos, especialmente o Vin de Constance (vinho de sobremesa) e Sauvignon Blancs. 

A África do Sul oferece uma grande variedade de estilos.

Uva/EstiloCorDetalhes
PinotageTintoUva emblemática e exclusiva da África do Sul. É um cruzamento das uvas Pinot Noir e Cinsault (chamada Hermitage no passado), criado em 1925. Produz vinhos encorpados com notas de frutas escuras, especiarias e, frequentemente, toques de café, chocolate ou defumado.
Chenin BlancBrancoÉ a uva branca mais cultivada no país, onde é tradicionalmente conhecida como “Steen”. Produz vinhos extremamente versáteis: de leves e cítricos a encorpados, complexos e doces (vinhos de sobremesa).
Cabernet SauvignonTintoUma das tintas mais plantadas, especialmente em Stellenbosch. Resulta em vinhos tintos robustos, com taninos firmes e notas de cassis e tabaco.
Syrah (Shiraz)TintoProduz vinhos potentes com notas de pimenta, especiarias e frutas escuras, ganhando notoriedade, especialmente na região de Swartland.
Sauvignon BlancBrancoVinhos frescos e aromáticos, com notas de frutas cítricas, maracujá e toques herbáceos, beneficiados pelo clima frio da costa.
Cap Classique (MCC)EspumanteÉ o nome dado aos espumantes sul-africanos produzidos pelo Método Tradicional (o mesmo utilizado em Champagne), geralmente feitos com Chardonnay e Pinot Noir.
Cape BlendTintoUm estilo de assemblage (corte) tipicamente sul-africano que deve conter Pinotage(geralmente como o principal componente), complementado por uvas bordalesas como Cabernet Sauvignon e Merlot.

Além de evidentemente aproveitar deliciosas taças de vinhos nos muitos bares e restaurantes de Cape Town, você pode aproveitar a sua viagem para conhecer de perto uma das charmosas vinícolas da região.

Esta é uma experiência que vai além do vinho e esbarra na própria história da região.

Digo isso porque as melhores e maiores vinícolas ficam em propriedades históricas, especialmente da época da colonização holandesa desta região.

As marcas também ficaram na arquitetura (Groot Constantia).

Aliás te dou uma sugestão: pesquise a região de Constantia no Google Maps, usando a visão de satélite…

A beleza dos vinhedos vistos de cima é de encantar qualquer enólogo!!!

Depois de muito pesquisarmos a respeito, optamos por conhecer a mais antiga delas, a Groot Constantia.

Fundada em 1685, oferece tours para degustação de vinhos em uma propriedade histórica e belíssima, permitindo que os visitantes experimentem a renomada tradição vinícola da região.

O tour demora aproximadamente 1 hora e para por várias etapas da produção com uma excelente explicação da história da vinícola.

A degustação é feita nos jardins diante do wine bar da vinícola, uma delícia de lugar. Eles servem uns quatro tipos de vinhos diferentes e sempre acompanhados de uma excelente explicação sobre cada rótulo.

Nos jadins da Groot Constantia experimentamos alguns dos melhores rótulos da casa.

Ao final, você leva as taças para casa (eles embrulham muito bem!!!).

Vale também dar uma espiada na loja deles porque os preços são um pouco melhores do que na cidade, e a variedade de rótulos é excelente.

Quem quiser ainda tem um restaurante no complexo para você que quer uma experiência ainda mais completa.

Lista de rótulos e preços no Tour Groot Constantia.
Um dos restaurantes da Groot Constantia.

A Groot Constantia fica apenas 30 minutos de carro de Cape Town. Para horários e valores do tour e degustação, recomendo você consultar diretamente o site deles acima para ter as informações atualizadas para a época da sua viagem.

E aí, curtiu Cape Town? Bóra fazer as malas?

Diogo Avila

Compartilhe
Publicado por
Diogo Avila
Tags: praia

Posts recentes

África do Sul: praias, história e safáris

Resumir em poucas palavras uma viagem à África do Sul não é uma coisa simples, então ao…

22 de fevereiro de 2026

Sofia e Mosteiro de Rila, dois destinos imperdíveis na Bulgária

Se tem uma dobradinha que você precisa conhecer numa viagem à Bulgária é Sofia e o…

29 de janeiro de 2026

Como usar SmartTag para localizar sua mala

Que tal usar uma SmartTag na mala para saber em tempo real onde ela está? Ok, o…

23 de janeiro de 2026

Nesebâr e Sozopol, num roteiro pela costa do Mar Negro

Se você quer um destino de viagem para curtir praias no verão europeu e com…

21 de janeiro de 2026

Bulgária: se jogue e se surpreenda com este destino!

O que eu sei sobre a Bulgária? Quais são as minhas primeiras referências sobre este país?…

31 de outubro de 2025

Roma num roteiro de 3 dias

Existem muitos destinos de viagem que eu considero obrigatórios para qualquer viajante, e Roma é certamente um…

24 de agosto de 2025

This website uses cookies.