10 de novembro de 2013

Dicas da Tailândia (II): Como locomover-se em Bangkok

Ruas, vias suspensas, metrô, trem e barcos. Não faltam opções de transporte em Bangkok.
       Com pouco mais de 8 milhões de habitantes (e uns 14 milhões na área metropolitana), Bangkok não só é a capital da Tailândia, mas também a cidade mais populosa do país.
Aliando a calmaria dos templos com a agitação das ruas como muito bem explorado por Hollywood, Bangkok é uma das cidades mais vibrantes que já visitei. Não é só New York que merece aquele título de “the city that never sleeps”.
A qualquer hora, as suas fervem num fluxo constante de pedestres. As barracas de street food parecem funcionar 24 horas – boa parte dos tailandeses prefere fazer várias pequenas refeições durante o dia ao invés das 3 refeições tradicionais.
Ainda que eu defenda que a Tailândia tenha muito mais a oferecer do que Bangkok, a cidade é certamente uma excelente porta de entrada para este país.
O ar exótico e até certo ponto bagunçado de Bangkok lhe rende uma verdadeira horda de turistas todos os anos. Isto se justifica, afinal estamos falando de uma das cidades mais interessantes do sudeste asiático.
Embora nos idos de 1548 já houvesse um pequeno entreposto chinês na região de Bangkok, oficialmente a cidade foi fundada pelo Rei Buddha Yodfa Chulaloke (Rama I) em 1782 no local em que hoje fica a ilha de Rattanakosin – os canais ao redor da ilha foram construídos justamente como uma forma de fortificação.
Vielas,
Ruas tomadas por todos os tipos de veículos e até "restaurantes".
Muitas calçadas são tomadas por lojas e ambulantes.
E canais. Tudo isto faz parte do exótico layout de Bangkok. Felizmente!!!
Bangkok só passou a ser a capital do reino da Tailândia quando a Birmânia tomou a então capital tailandesa, Ayutthaya.
Uma pequena curiosidade é que o nome oficial da cidade, é .... tome fôlego que lá vem uma sopa de letrinhas... “Krung Thep Mahanakhon Amon Rattanakosin Mahintharayutthaya Mahadilok Phop Noppharat Ratchathani Burirom Udomratchaniwet Mahasathan Amon Piman Awatan Sathit Sakkathattiya Witsanukam Prasit”. Mas o que significa tudo isso? Bom, são vários elogios à cidade: cidade dos anjos, a grande cidade, a cidade que é jóia eterna e por ai vai...
Semelhantemente com outros tantos destinos, o primeiro contato que os viajantes têm com a cidade é o aeroporto, ou melhor, os aeroportos de Bangkok.
Pois é, dada a grande quantidade de turistas que recebe, a cidade tem dois grandes aeroportos na cidade: o Aeroporto Internacional de Don Mueang e o Aeroporto Internacional de Suvarnabhumi (BKK) a sudeste. Ambos estão entre 25 e 30km do centro da cidade.
O Aeroporto Internacional de Suvarnabhumi (acreditem ou não pronuncia-se “su-wan-a-poom”) inaugurado no final de 2006 é tido como principal em relação ao Don Mueang para vôos internacionais, principalmente os de longa distancia.
Com uma média anual de quase 50 milhões de passageiros, é o sexto aeroporto mais movimentado da Ásia e tem um visual bastante moderno sem abrir mão de mostrar um pouco da cultura local, como estes guerreiros protetores tipicamente tailandeses.

O aeroporto em si, embora com uma intraestrutura bem mais completa que a dos aeroportos de Cumbica (que GRU Airport que nada, obviamente sempre o chamarei pelo velho apelido!!!) e do Galeão, não tem nada de mais.
Tem uma boa quantidade de lojas no free shopping e algumas opções interessantes de restaurantes e lanchonetes. Para quem quiser economizar um pouco, sugiro o mini-mercado da rede Family Mart no piso térreo, próximo aos guichês de check-in.

Um pouco do duty-free.



Quem precisar de uma boa noite de sono antes de encarar um voo para casa, pode optar pelo Novotel situado ao lado do aeroporto. Já tive a oportunidade de experimentar um destes ao lado do Aeroporto de Atenas, e garanto: vale cada centavo.
Mandando sinal de vida!
Precisando mandar um sinal de vida para casa? Existe internet wireless gratuita (por 1 hora) na área interna, após o controle de passaportes. Basta escolher a rede SSID:SVB e preencher o cadastro. A senha é obtida no quiosque próprio.
Um alerta que alguns viajantes fazem a respeito do Aeroporto Internacional de Suvarnabhumi diz respeito ao controle de segurança. A recomendação é para não lavar absolutamente nada de líquidos na bagagem de mão, pouco importa o tamanho do frasco. Apesar do padrão aceitável internacionalmente ser de até 100ml, vi alguns relatos de que mesmo assim os oficiais da segurança confiscam os frascos. Na dúvida, evite!
Ah, e nada de levar estrelinhas ninja!!! Era só o que faltava.
Superado o controle sanitário e a imigração que mencionamos anteriormente, é hora de descobrir como ir do aeroporto à cidade (e vice-versa).
Ainda que a visão do saguão de embarque e desembarque possa ser um pouco chocante, por conta da quantidade de gente e da aparente confusão, é relativamente fácil ir até a cidade a partir do Aeroporto Internacional de Suvarnabhumi.
A opção mais em conta e rápida, pois o trânsito de Bangkok é terrível, é sem dúvida o Airport link, pois ele serve bem àqueles que estão hospedados na região mais central da cidade.
Em funcionamento desde 2010, o Airport Link tem dois serviços distintos.
O SA Express faz viagens diretas entre a Bangkok City Air Terminal (BCAT) / Makkasan e o Suvarnabhumi Airport em apenas 15 minutos. Funciona diariamente das 6h00 às 0h00 e custa 150 baht.
Com o mesmo horário de funcionamento, o SA City Line serve o trajeto entre a Phyathai Station e o Suvarnabhumi Airport em 30 minutos e para em 6 estações (Rajprarop Station, Makkasan Station, Ramkhamhaeng Station, Hua Mark Station, Thab Chang Station, e Lad Krabang Station). Custa entre 15 baht e 45 baht, dependendo de onde você desce.
O AirportLink.
A estação fica no subsolo do aeroporto.
O bilhete, ou melhor, as fichas 
São compradas nas máquinas na própria estação.
Algo bastante interessante e que já tinha visto anos atrás em Hong-Kong é que os passageiros da Thai Airways International podem fazer o check-in prévio das bagagens diretamente na estação Makkasan. Será que um dia chegaremos lá???
A viagem de trem pelo SA City Line foi uma ótima escolha. Mesmo com as paradas, a viagem foi bastante rápida e confortável. Na estação de Phaya Thai, fizemos uma baldeação para pegar o metrô e descer na porta do hotel.
Já para ir do hotel para o aeroporto, optamos por ir de táxi, já que era madrugada e o sistema de metrô/trem não estava funcionando. A corrida de não mais que 30 minutos (por contado horário) custou uns 500 baht, algo em torno de R$ 36.


Já para quem chegar pelo Don Mueang em voos de curta distância, só existem duas saídas: ônibus público ou táxis.
Uma vez na cidade, vocês notarão um layout bastante confuso. Relaxe! Faz parte do pacote até certo ponto exótico!
Misture nomes de ruas impronunciáveis, quarteirões irregulares, vielas estreitas e para ajudar mais ainda existe o rio Chao Phraya e alguns canais cortando boa parte da cidade.
Não chega a ser uma Veneza em termos de “perder-se”, mas a noção de desorientação é grande, principalmente depois de mais de 20 horas de voo (14h30 de Guarulhos até Dubai + 6h20 de Dubai para Bangkok), fora as 5 horas de conexão em Dubai.
Ahhhh, o que são 24horas de viagem na enomiCÃO sem dormir direito? Fora o dia todo que você trabalhou, tempo para ir até o aeroporto, check-in... E tem gente que ainda acha que viajar é só glamour...
Bom, mas voltando ao desafio de locomover-se em Bangkok. A maior parte das atrações está numa região mais antiga e bem próxima ao rio Chao Phraya; enquanto que a maior parte dos shoppings está numa parte mais nova da cidade, como vocês podem conferir no mapa abaixo.


Visualizar Tailândia - 2013 em um mapa maior


Alugar um carro em Bangkok? Esqueça!!! Nem sonhe. O trânsito é caótico, estacionar é um desafio, e a mão é inglesa. Dirigir na “mão errada” na Nova Zelândia é uma coisa, já em Bangkok.... Acho que prefiro uma surra de Muay Thai!!!.
O confuso trânsito de Bangkok.
Num táxi, tive que recorrer ao GPS para tentar ajudar o taxista!
Sem dúvidas, uma boa opção é usar o transporte público, leia-se metrô e trem. Separado em metrô e trem porque Bangkok tem dois sistemas independentes.
O primeiro deles é o BTS / Skytrain, que corre na maior parte do tempo de forma suspensa, como um monotrilho. Limpo e confortável, conta com ar-condicionado e atende uma boa variedade de regiões da cidade. São basicamente duas linhas, a linha Silom liga a cidade de oeste a sul, e a linha de Sukhumvit de norte para o leste.

Créditos BTS. Clique para full size.
Ele funciona diariamente das 6h30 às 0h00 e o preço da tarifa varia conforme o trajeto percorrido – começa em 15 baht e vai até 40 baht. Quem for usar muito, talvez seja interessante adquirir um passe diário por 130 baht, e para quem for passar mais tempo, existem cartões com 15, 25, 40 ou 50 viagens no período de 30 dias – para preços atualizados, verifique este site.
Trem da BTS ou Skytrain.
Em geral, deve-se usar a máquina de auto-atendimento. Como em outros lugares, para sair da estação você vai precisar do seu bilhete, portanto, não o perca!
Trens limpos e confortáveis.
A outra opção é o metrô propriamente dito, lá conhecido como MRT. Com apenas 1 linha; 18 estações; e 20km de extensão, tem trens passando a cada 5-7 minutos e atende boa parte da cidade. Funciona das 6h00 às 0h00.
O preço das passagens também varia conforme a quantidade de estações percorridas. Para conferir os valores atuais, clique aqui.
Metrô, limpo e moderno. Pena que não vai a todos os pontos turísticos.
Os únicos pontos negativo são que não existe uma integração tarifária entre o sistema MRT e BTS / Skytrain, portanto as passagens devem ser compradas separadamente, e que ele não chega até as atrações do centro velho.
Uma dica importante é que a compra é feita exclusivamente nas máquinas de autoatendimento (tem menu em inglês). Os guichês só funcionam em caso de falha destas e para a troca de notas por moedas. Eu mesmo fui ao guichê e pedi dois bilhetes; entreguei a cédula e ao invés de me dar os bilhetes, a atendente me deu um monte de moedas e apontou para a fila. Dancei!
Andar a pé pelas ruas é uma excelente opção, mas exige alguns cuidados, o primeiro é a mão inglesa, e o segundo são os motoristas malucos -  motos, scooters, tuk-tuk e qualquer outra engenhoca motorizada; o que me faz comparar o ato de cruzar a rua com aquele jogo da galinha no Atari - agora entreguei a idade! Kkkk
Uma foto que ilustra bem a mistureba do trânsito de Bangkok. Tem de tudo.
E eles ainda inventam novos veículos!
Improviso é a regra.
Outro ponto importante é que em algumas regiões como a de Siam, não existem pontos de travessia nas principais avenidas, o que obriga o pedestre a transitar pelas infindáveis passarelas que também servem de estação de trem.
Em linhas bem gerais as avenidas são abreviadas para Th e as ruas para Soi. A numeração é bem irregular, tenha sempre um mapa à mão e um ponto de referência. Perdeu-se? Entre numa loja ou num hotel e peça informações.
Dá também para alugar scooters.
E bicicletas, mas com um trânsito louco, eu não recomendaria não!!!
Os táxis são relativamente baratos se comparados à maioria dos destinos pelos quais já passamos. Valem apenas as precauções contra os espertalhões que às vezes levam os turistas a lojas não solicitadas ou simplesmente dão voltas além do necessário.
Dê preferência aos verde-amarelos, pois são dirigidos pelos próprios donos.
Prefira os verde-amarelos!
Dois flagras num táxi: os penduricalhos que eles adoram.
E os avisos de proibido: bodes (?); armas; bebida; cães; o fedido durian (fruta); fumar (ok!); e sexo (!!!). Coisas de Bangkok, onde tudo pode acontecer. Rssss
Sempre antes de entrar é bom fazer duas coisas: confirmar se o motorista te leva até o seu destino (li alguns relatos de recusa) e pedir para ele ligar o taxímetro (muitos preferem cobrar uma flat rate, que sempre sai mais cara que a medida).
Como a numeração das ruas é uma zona, vale aqui ter também o nome do lugar e um ponto de referência se possível, pois às vezes nem os locais se acham. E sempre tenha dinheiro trocado – gorjeta não é comum não.
Ah e por fim, mas não menos importante, tem muito taxista que simplesmente não fala nem compreende inglês, portanto se você puder ter o nome do seu hotel anotado em tailandês pode te salvar!
O último, porém nem um pouco menos importante meio de transporte... os famosos tuk-tuk.

Embora pareçam mais uma atração eles são sim uma opção de transporte relativamente eficaz se comparado aos táxis.
Criticados por alguns e amados por outros, ir para a Tailândia e não andar de tuk-tuk é como ir para San Francisco e não dar ao menos uma voltinha num típico bonde.
Também é certo que não dá para imaginar as cidades da região do mundo sem estas barulhentas e às vezes mal cheirosas “motos”. Digo mal cheirosas por conta da fumaça do trânsito local.
Tecnicamente, os tuk-tuk são motos de motores dois tempos às quais é acoplado um eixo traseiro com duas rodas, formando um triciclo; e uma cabine para levar os passageiros.
As decorações e eventuais gambiarras estão por todos os lados, como mostram as fotos abaixo.
Reparem no teto e no banco "super esportivo".
Fiquei com a impressão que eles pegam um pouco de cada tipo de veículo para juntar num tuk-tuk!
Tem até oficina especializada.
Embora a origem deste típico meio de transporte do sudeste asiático seja incerto – alguns dizem que é indiano, outros tailandês – é certo que ele é uma versão “moderna” dos antigos riquixás chineses, aquelas “carrocinhas” puxadas por um condutor.
O nome tuk-tuk vem justamente do típico som dos motores dois tempos de baixa cilindrada utilizados. De uns anos para cá, por conta da causa ambiental, muitos governos têm incentivado a troca dos motores para sistemas menos poluentes como o gás natural.
Com preços (às vezes) mais acessíveis que os táxis e uma melhor mobilidade, eles são uma excelente opção para vencer o caótico trânsito de Bangkok.
Não existe taxímetro, e o preço da corrida deve ser combinado antecipadamente com o condutor, e pechinchar é regra. Nunca aceite o primeiro preço que lhe derem.
Faça como a turista ai, esta ai não combinou o preço da corrida e depois ficou reclamando. Combine antes!
Pelas ruas tem de tudo. De Tuk-tuk "tuning"
A tuk-tuk para andar de galera.
Um alerta importante é a respeito dos pequenos golpes que alguns motoristas aplicam. Muitos deles simplesmente param em lugares não solicitados, muitas vezes lojas de amigos ou querem lhe vender “pacotes” de tour integrado. Ah tá bão!!!
A sugestão é não só combinar a tarifa, mas também avisar claramente: “se você parar em algum lugar que eu não pedi... não pago!” A mesma regra deve ser aplicada para táxis.
Fiz isto em todas as oportunidades que andamos de tuk-tuk e não tivemos problema algum.
Vai por mim, é uma experiência bem interessante:


Como lhes disse, Bangkok não chega a ser uma Veneza, mas tem uma boa quantidade de canais e um rio principal, o Chao Phraya. Para fazer estes trajetos, a melhor pedida é utilizar os barcos da empresa Chao Phraya Express Boat.
Esta opção de transporte torna-se ainda mais interessante se considerarmos que a cidade tem um trânsito que pode literalmente travar de uma hora para a outra (nós mesmos passamos nada menos que duas horas num táxi). Ademais, é no final um verdadeiro passeio.


Pena que poucos turistas o usam ou acabam pegando os nem sempre baratos tours de barco. Nós mesmos, só optamos pelos barcos populares da Chao Phraya Express Boat por insistência do simpático concierge do nosso hotel que nos ajudou a planejar o itinerário na primeira manhã de passeios.
A dica literalmente salvou o nosso dia que estava fadado a ser gasto num táxi ou numa sequência interminável de baldeações no metrô. E ainda deu para curtir o visual das margens.
Mapa com as paradas.
O bilhete é comprado no próprio pier de embarque.
Barco da Chao Phraya Express. 
Alguns optam pelos long-boats. Mais caros, mas mais rápidos.
Construções modernas.
Dividem espaço com casas em palafitas.
As linhas são basicamente as seguintes: “No Flag - Route: Nonthaburi - Wat Rajsinkorn; Orange Flag - Route: Nonthaburi - Wat Rajsinkorn; Yellow Flag - Route: Nonthaburi - Wat Rajsinkorn and Rajburana-Nonthaburi; Green Flag - Route: Pakkret – Sathorn; Blue Flag Chaophraya Tourist Boat (CTB) - Route: Phra Arthit – Sathorn.” Os preços variam conforme a quantidade de estações / piers percorridos, mas fica entre 10 baht e 32 baht. Vide site oficial para atualização de valores e este time-table para horários.
Em suma, Bangkok tem boas opções de transporte ao turista. Basta você planejar o seu itinerário e verificar qual é a mais adequada a ele.
Bem, agora que já temos uma ideia de como locomover-se por Bangkok, no próximo post começaremos a falar das atrações da cidade.
Até lá!
Booking.com

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