12 de dezembro de 2017

Conhecendo Malé, capital das Maldivas, em algumas horas.

Centro Islâmico em Malé.

Como dito anteriormente, não considero nem de longe Malé como o lugar mais interessante das Maldivas. Mas faço este comentário sem nenhum demétiro, já que competir com o senário de ilhas paradisíacas é impossível. Tanto que se não fossem as ilhas com praias de areias brancas como farinha e água azul de vários tons, Malé seria uma atração interessante.

Mesmo ficando em segundo plano durante uma viagem às Maldivas, sugiro que você deixe um espaço no seu itinerário de viagem para conhece-la. E para isso você não precisa de muito tempo não. Um dia ou até mesmo uma tarde (dependendo do seu ritmo de viagem) são suficientes para conhecer Malé e suas principais atrações.

Nós, por exemplo, aproveitamos o dia da volta para conhecê-la, já que o nosso voo para Ho Chi Minh partiria apenas à noite e chegamos em Malé por volta das 14horas. Ao todo não gastamos mais que 3 horas para fazer um breve, porém completo tour pela ilha.
A cidade inteira cabe em uma foto!
E o aeroporto fica em uma minúscula ilha adjacente. Na foto, a câmera do avião da Emirates. Será que a pista é suficiente??? 
É verdade que o nosso tempo acabou sendo muito bem otimizado por conta da ajuda de um funcionário do nosso hotel (Hideaway Beach Resort &SPA) que se ofereceu para fazer este tour conosco. Teríamos apenas que pagar as passagens de ferry-boat e uma muito merecida gorjeta ao final, já que a simpatia e presteza dele foram essenciais para que o passeio desse certo.

Mas e as malas? Se você não tiver um hotel em Malé, pode deixar as malas tranquilamente em um depósito oficial do aeroporto ao custo de US$5/10 por mala para 24 horas.

Agora se você estiver pernoitando em Malé o passeio fica ainda mais fácil. Tanto na cidade quanto na ilha onde está situado o aeroporto existem muitos hotéis (de tudo quanto é tipo e preço) que servem aos turistas que precisam de um lugar para pernoitar até pegar seu voo de partida do arquipélago. Os custos são bem competitivos.

Como disse no primeiro post da série, o aeroporto Internacional de Velana está situado em uma ilha anexa à capital, e o caminho de-para lá pode ser feito hoje por meio de ferry-boat ao custo de Rf10 por pessoa em uma viagem de apenas 10 minutos.
Balcão do ferry.
Bilhete comprado é só embarcar.
Muito em breve este caminho poderá ser feito também usando a ponte que estava sendo construída entre a capital e o aeroporto. Porém, considerando o quanto o trânsito de Malé é confuso e travado, não sei não se ir de barco não continuará sendo a melhor opção.
Em breve dará para usar esta ponte como entre Malé e o aeroporto.
Quem estiver como nós, apenas passando o dia na ilha, deve ficar atento ao fato de que os banheiros públicos sempre são pagos (Rf 2), mas nem sempre são limpos. Recomendo, portanto, utilizar os de restaurantes e cafés, que eventualmente também são pagos, mas mais limpos.

Mas porque visitar Malé? Para quem viaja às Maldivas para curtir as belezas naturais das ilhas remotas e não raras vezes exclusivas, a capital-ilha acaba sendo a única oportunidade de conhecer as Maldivas onde os locais vivem. É algo como as Maldivas fora do mundo perfeito dos resorts.

Neste quesito, para quem como eu gosta de um lugar diferente, a capital não decepciona. Agitada e talvez até confusa, é um excelente contraste diante daquela típica paisagem de paraíso que temos em mente.

A ilha é relativamente pequena (vendo no Google Maps ela tem 2km x 1km de tamanho). Melhor dizendo, para a capital de um país, ela é minúscula. Isto faz dela um apinhado de gente, já que ali vivem 100 mil pessoas (ou seja, 1/3 da população das Maldivas). Malé faz lugares densamente povoados como Tóquio e Hong-Kong parecerem desertos.


Também, não é para menos já que Malé (que pronuncia-se mar-lay) é o centro econômico-político-cultural das Maldivas. O interessante é que a ilha não tem como ser expandida por questões ambientais (já bastou a ilha artificial de Hulhumale onde está o aeroporto) e faz tempo que não existem terrenos vazios, então o governo está buscando outras ilhas para serem meio que suburbios de Malé.

Lá muito provavelmente você nem precise de transporte, já que tudo é perto o suficiente para ir caminhando. Só dois detalhes para os quais deve-se atentar: a mão de direção é inglesa e as motos, que são muitas, aparecem do nada.
Pelas ruas muitas motos, alguns carros e pedestres dividem espaço.
Um mar de motos no estacionamento.
Ah, mais um: esqueça aquele ar liberal dos resorts. Lembre-se , você está em um país muçulmano mais restrito, então especialmente às mulheres é melhor evitar roupas justas e decotadas. Não que você vá ser hostilizado(a), mas irá chamar a atenção dos locais. Isto sem falar que não entrará nas mesquitas.

Vamos então às atrações de Malé:

Sugiro começar pela atração mais antiga da ilha, a Friday Mosque (Hukuru Miskiy). Esta é a mais antiga mesquita das Malvidas, datando de de 1658. É bem verdade que ela poderia estar mais bem conservada.
Entrada da Friday Mosque.
Tapetes para rezar e os entalhes em pedra.
Considerada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, não deixe de reparar no intrincado trabalho de arte que orna as suas paredes. São belos entalhes em pedra coral.

Do lado de fora há também um cemitério. Repare que o tamanho das lápides dão ideia de com que idade as pessoas faleceram. Quanto menores, mais jovens, provavelmente crianças.
Os túmulos cobertos são da família real e os demais tem entalhes trabalhados.
Visitar o seu interior é possível desde que você esteja adequadamente vestido (ombros e joelhos cobertos, e mulheres com cabelos cobertos) e peça autorização para um dos oficiais na porta.

Os horários permitidos para não muçulmanos são das 9h00 às 17h00 e fora dos horários das preces. O melhor é ir entre 14h00 e 15h00.

Ali perto fica o Medhu Ziyaaraiy um pequeno templo em homenagem à Abu-al Barakath Yusuf al Barbaree, um estudioso marroquino que acreditam ser o responsável pela introdução do islamismo nas Maldivas em 1153.
Medhu Ziyaaraiy.
Se quiser aprender um pouco mais sobre o islamismo, sugiro visitar também o Islamic Centre que fica ali ao lado. É um enorme edifício branco e muito bonito que mistura elementos arquitetônicos modernos e um estilo tipicamente árabe. Lá dentro, a maior mesquita de Malé (capacidade para 5.000 fiéis), salas de conferências e uma biblioteca.
Centro Islâmico.
Se você tiver oportunidade de fazer alguma refeição na ilha, vá à uma das Tea Shops, lojas que além de venderem chás, servem também algumas comidas rápidas. Como você provavelmente não deve ter comido nada tipicamente maldiviano na sua estadia no resort, esta é a oportunidade para comer algo local.

Lembre-se apenas que lá não há nada alcoólico, então aproveite para tomar um delicioso chá que pode ter vindo do vizinho Sri-Lanka (dizem que têm os melhores chás do mundo) ou uma Coca-Cola feita com água dessalinizada, coisa que só as Maldivas têm.

Antigamente o palácio de um sultão, o Muleeaage é atualmente o palácio presidencial desde 1953. Vale ao menos conferir o seu exterior.
Minarete de mesquita em Malé.
Um dos pontos obrigatórios para quem quer ver de perto como as pessoas vivem em Malé é a avenida principal (Majeedee Magu), onde está todo o comércio de rua – inclusive algumas lojas de souvenires nos arredores de Chandhanee Magu atrás da Grand Friday Mosque.

Como deixamos o passeio para o final de tarde não deu para conhecer os mercados da ilha: o Fish Market (Boduthakurufaanu Magu) que é o principal mercado e por onde passa todo o comércio de peixes (lembrando que pesca é a principal atividade econômica do arquipélago); e o Produce Market (Haveeree Hingun) que vende outros produtos, como por exemplo vegetais e frutas, muitos destes itens importados porque quase nada se produz no arquipélago.

Não deixe de andar pelos arredores da Republic Square (Jumhooree Maidan) onde está a enorme bandeira das Maldivas. Foi ali que eles travaram a batalha de independência. A área passou por uma recentíssima renovação e é muito frequentada pelos locais que têm ali uma (raríssima) área de lazer.
Republic Square.

Ah e por falar em área de lazer, ali perto também fica o Sultan Park e o November 3rd Memorial Victory Day Monument que marca a data de 1998 quanto alguns guerrilheiros vindos do Sri-Lanka tentaram dar um golpe militar contra os maldivianos mas foram derrotados.
Sultan Park.
November 3rd Memorial.
Algo que praticamente não existe em Malé são praias, e a única é artificial. Pois é, com um mar destes e tantas ilhas, parece não fazer sentido que a única praia da ilha seja justamente a Artificial Beach – sim, eles a chamam assim.

Só fique muito atento se você deixar para conhecer Malé em uma sexta-feira, pois por conta das orações neste dia boa parte do comércio não abre.

Tá vendo, viram como rapidinho dá para fazer um breve e gostoso passeio por Malé?

No próximo post sobre as Maldivas, vamos contar como foi mergulhar neste paraíso.

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