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África do Sul: um roteiro completo com praias, história e safaris

Resumir em poucas palavras uma viagem à África do Sul não é uma coisa simples, então ao invés de tentar fazer isso deixo para ti uma provocação: se você quer conhecer a África esta é uma excelente porta de entrada.

Digo isso porque mesmo sendo o país mais desenvolvido do continente, o que traz o conforto para fins de infraestrutura e conforto para os viajantes menos experientes, a África do Sul não deixa de entregar uma super experiência cultura e de vida selvagem.

Então se você nunca esteve no continente africano, a porta de entrada é a África do Sul!!!

Mesmo separado por um oceano, talvez você tenha a mesma impressão que tive ao desembarcar na África do Sul: estou longe de casa, mas nem tanto.

Tem coisas que sim, nos são absolutamente estranhas, como o idioma, a fauna (esta única!!!) e o fato de dirigirem na mão inglesa, dentre outras.

Praia na África do Sul
Praias de tirar o fôlego,
África do Sul
Lugares cheios de histórias marcantes (Robben Island),
Africa do Sul
E muita vida selvagem!!!

Mas uma espiada mais atenta pode revelar mais semelhanças do que diferenças.

Os nossos colegas de BRICS da África, assim como nós devem o seu sucesso como destino turístico às belezas naturais, e têm desafios econômicos e sociais semelhantes à gente.

Até mesmo cidades irmãs temos: Cape Town de um lado e Rio de Janeiro de outro. Esta semelhança eu detalho mais quando falarmos sobre a mais turística das cidades da África do Sul.

África do Sul
É Cape Town, mas bem que poderia ser o Rio de Janeiro.

Sempre que eu escrevo sobre um destino aqui, fico pensando para que tipo de viajante é uma viagem à África do Sul.

Não tenho receio nenhum de dizer que a África do Sul é capaz de satisfazer qualquer tipo de viajante.

Uma viagem à África do Sul entrega de tudo um pouco.

Montando direitinho o roteiro, você consegue curtir praias incríveis, cidades charmosas, museus fantásticos para admirar arte e principalmente aprender sobre a história local, vinícolas, e parques nacionais com uma fauna que você dificilmente verá noutro lugar que não num zoo (o que sob nenhum aspecto é o mesmo…).

Constantia Goot
Constantia Goot, a vinícola mais antiga do hemisfério sul e uma das melhores do país.

História da África do Sul

Se de um lado não dá para viajar para a África do Sul sem curtir um safari, ou game-drive como eles falam, também não dá para desembarcar lá sem conhecer ao menos um pouco da história sul africana.

Geralmente nos posts eu faço apenas um breve relato para contextualizar o viajante. Mas no caso da África do Sul, a coisa é diferente. Me vejo no dever moral de ir mais além e espero que ao final desta leitura você conclua por conta própria o motivo…

Explorar o passado da África do Sul é essencial para entender verdadeiramente o país hoje, e notadamente seu capítulo mais conhecido de todos nós o apartheid

A história da África do Sul é um passeio por períodos absolutamente diferentes que vão da pré-história (literalmente), passando pela chegada dos europeus e o período do colonialismo, que em certa medida resultou, ou ao menos favoreceu a criação de um dos mais (porque a humanidade não tem limites…) nefastos regimes de segregação racial.

apartheid
O apartheid é o capítulo mais famoso (e nefasto) da história sul-africana.

Começando do começo, a África do Sul reivindica ser o “berço da humanidade”.

Em 2022 que cientistas, usando datação radioativa, conseguiram comprovar que um crânio hominídeo (precursor do Homo sapiens) data de nada menos do que um milhão de anos mais velho do que se aceitava anteriormente.

Este crânio pertenceu à uma mulher que foi apelidada de “Mrs Ples”. Seus restos mortais têm 2,3 milhões de anos e foram encontrados nas Cavernas de Sterkfontein, a noroeste de Joanesburgo. Este achado é mais antigo do que a “Lucy”, um esqueleto encontrado na Etiópia na década de 1930. 

Em 2023, uma nova pesquisa na África do Sul também descobriu que o Homo naledi (uma espécie de humano arcaico com cérebros menores) pode ter sido um indivíduo mais complexo do que acreditávamos inicialmente. Os achados locais comprovam que eles acendiam fogueiras e decoravam paredes ao redor dos túmulos de seus mortos.

Muito antes da chegada dos europeus, os primeiros grupos a ocupar a região de forma duradoura e cujas linhagens remontam a milhares de anos são os Khoisan, um termo guarda-chuva que se refere a dois grupos principais: os san que eram caçadores-coletores e os khoikhoi que eram pastores.

A partir do século IV e V d.C., os assentamentos de povos de língua Bantu começaram a se fazer presentes ao sul do Rio Limpopo, vindos mais do Noroeste, mais ou menos de onde hoje é a Nigéria.

Apesar dos europeus à época alegarem que a África era um enorme vazio, a realidade era bem diferente disso. Isso tudo não era terra de ninguém não!!!

Africa do Sul
Antes da chegada dos europeus, isso não era terra de ninguém não!!!

Pois é… que mania os meus e talvez seus ancestrais tinham de “reclamar” terras “vazias”…

Se muitos já consideram a colonização das Américas um caos, na África não foi diferente. Apenas deu-se depois, com métodos mais “precisos” e talvez um pouco mais documentados os absurdos.

Isso para não falar nas marcas que deixaram e que se vê até hoje, vide apartheid.

Sim, fico piiiiii…. com isso!!!

colonização moderna da África do Sul começou em 1652, com a chegada da Companhia Holandesa das Índias Orientais (VOC) à Baía da Mesa (futura Cidade do Cabo). O objetivo inicial era estabelecer apenas um posto de reabastecimento para navios que viajavam entre a Holanda e as Índias Orientais.

Marco de Vasco da Gama no Cabo da Boa Esperança.
Marco de Vasco da Gama no Cabo da Boa Esperança.

O estabelecimento do posto rapidamente levou à apropriação de terras e água, que pertenciam aos povos Khoikhoi, e ao início de conflitos. Em 1658, os holandeses trouxeram os primeiros escravos do Leste (principalmente de Angola, Moçambique, Madagascar e das Índias Orientais Holandesas) para suprir a demanda de trabalho forçado. 

Os nativos, assim como nas Américas, foram subjulgados, escravizados, dizimados por doenças e empurrados para o interior. 

Os colonos de origem holandesa, francesa e alemã que se estabeleceram e se fixaram na região ficaram conhecidos como Bôeres (do holandês “fazendeiro”) ou, posteriormente, Africânderes.

No início do século XIX, descontentes com a crescente administração britânica (que veremos a seguir), muitos Bôeres deixaram a Colônia do Cabo em um movimento conhecido como Great Trek (Grande Jornada). Eles migraram para o interior, fundando repúblicas independentes como o Estado Livre de Orange e o Transvaal. 

A Grã-Bretanha ocupou a Colônia do Cabo pela primeira vez em 1795 e, após um breve retorno aos holandeses, a consolidou como colônia britânica em 1806, motivada por interesses estratégicos na rota marítima para a Índia e o Oriente.

Durante o século XVIII e XIX, os britânicos travaram uma série de guerras, conhecidas como Guerras da Fronteira ou Guerras Xhosa, contra o povo Xhosa no Cabo Oriental, expandindo violentamente o território colonial às custas das terras e da soberania Xhosa.

Africa do Sul
Imigrantes europeus na África do Sul.
Constantia Goot
Ainda hoje você vê algumas construções deste período.

O poder e a organização militar do Reino Zulu representaram um grande obstáculo para a expansão britânica. Em 1879, a Guerra Anglo-Zulu culminou na derrota dos Zulu, permitindo a anexação de seus territórios e o fim de sua independência.

A descoberta de grandes reservas de diamantes (1867) e, principalmente, ouro (1886) no interior da África do Sul transformou a região no centro da cobiça imperialista.

A riqueza mineral levou a conflitos diretos entre o Império Britânico e as repúblicas Bôeres (Transvaal e Estado Livre de Orange). A Segunda Guerra dos Bôeres (1899-1902) foi particularmente brutal. Os britânicos venceram, utilizando a tática de “terra arrasada” e instituindo campos de concentração para aprisionar mulheres e crianças Bôeres, um método que resultou em dezenas de milhares de mortes.

A guerra terminou com a derrota Bôer, mas, em um movimento de conciliação entre a elite branca, em 1910, as colônias britânicas e as ex-repúblicas Bôeres se uniram para formar a União da África do Sul. Este novo estado era um domínio autônomo dentro do Império Britânico, ou seja, gozava de um governo soberano, mas a soberania era restrita e exercida exclusivamente pela minoria branca.

Quem perdeu mesmo as Guerras dos Bôeres foram os negros africanos mesmo 😢

Apesar da “independência” em 1910, este ato de unificação foi um divisor de águas que consolidou o poder dos brancos. A Lei de Terras Nativas (Native Land Act) de 1913, por exemplo, confinou a maioria da população negra a apenas cerca de 13% do território total do país, reservando os 87% restantes para a minoria branca, estabelecendo as bases geográficas e econômicas para o futuro apartheid.

África do sul
Quem saiu perdendo foram os negros africanos.

apartheid (palavra em africâner que significa “separação” ou “estado de estar separado”) foi a culminação lógica e brutal de séculos de segregação e discriminação racial impostas pela minoria branca.

apartheid foi formalmente instituído em 1948, quando o Partido Nacional (NP), de extrema-direita (me reservo o direito de nem tecer maiores comentários sobre extremos…) e composto majoritariamente por africânderes, venceu as eleições gerais (nas quais apenas brancos podiam votar).

O objetivo central do apartheid era garantir a supremacia branca em todos os aspectos da vida sul-africana (política, econômica e social) e o controle total sobre a vasta maioria negra, evitando qualquer ascensão social, econômica ou política dos não-brancos. Foi a transformação do racismo em lei.

A primeira e mais fundamental lei foi a Lei de Registro Populacional (Population Registration Act) de 1950, que classificou rigidamente todos os sul-africanos em quatro grupos raciais: Brancos, Negros (Africanos), Mestiços (Coloreds) e Indianos (Asiáticos). Essa classificação era registrada em documentos de identidade obrigatórios e, em casos de dúvida ou para separar famílias multirraciais, usava-se até mesmo o “teste do lápis” no cabelo – um absurdo alto explicativo, né!

identidade do regime do apartheid
As identidades da época diziam se as pessoas eram ou não negras.

O regime era uma reação direta ao crescimento da população negra nas áreas urbanas e à necessidade de garantir uma fonte barata e controlável de mão de obra para as indústrias e minas, ao mesmo tempo que se retirava todo o poder político e direitos civis da maioria.

O Partido Nacional promulgou cerca de 300 leis segregacionistas, criando um sistema de opressão total:

Lei de Proibição dos Casamentos MistosIlegalizou o casamento entre pessoas brancas e não-brancas.
Lei de ImoralidadeProibiu relações sexuais entre brancos e não-brancos.
Lei de Áreas de Agrupamento (Group Areas Act)Criou a segregação urbana, dividindo as áreas residenciais por raça e levando à remoção forçada de centenas de milhares de não-brancos para “áreas negras”, como Soweto, muitas vezes em condições de miséria.
Lei de Reserva de Benefícios SociaisDeterminou a segregação de espaços públicos, como praias, parques, piscinas, hospitais, escolas, e até mesmo assentos em ônibus e entradas de prédios, com placas indicando “Apenas Brancos” ou “Apenas Não-Brancos”.
Lei da Educação BantuCriou um sistema educacional inferior e segregado para a população negra, explicitamente destinado a preparar os africanos para serem apenas trabalhadores não-qualificados, limitando severamente suas chances de ascensão.
Lei de PassesExigia que os africanos negros apresentassem passes para circular em áreas urbanas designadas para brancos, controlando rigorosamente sua mobilidade e vida. A falta do passe era motivo de prisão.

Para dar a aparência de uma “separação justa” e para remover a maioria negra da cidadania sul-africana, o governo criou os Bantustões (ou Homelands). Eram territórios designados como “pátrias” para as diversas etnias africanas, que, no entanto, eram geograficamente fragmentados, economicamente inviáveis, pobres em recursos e correspondiam a apenas os 13% de terra reservados pela Lei de 1913. 

Viver em um Bantustão significava a perda da cidadania sul-africana e a impossibilidade de usufruir dos direitos (já limitados) nas áreas ricas do país.

apartheid foi recebido com resistência imediata, liderada principalmente pelo Congresso Nacional Africano (ANC), fundado em 1912.

Apartheid
Acho que é auto-explicativa a origem da ideologia do apartheid 🙁

E não pense que não aconteceram conflitos…

Em 21 de março de 1960, a polícia abriu fogo contra uma manifestação pacífica contra as Leis de Passes em Sharpeville, matando 69 manifestantes negros desarmados e ferindo mais de 180. Este massacre marcou a escalada da violência estatal, levando o ANC a abandonar a não-violência e criar seu braço armado, o Umkhonto we Sizwe (Lança da Nação), com Nelson Mandela como um de seus líderes.

Após o Massacre de Sharpeville, o governo declarou estado de emergência e prendeu milhares de ativistas. Em 1964, Nelson Mandela e outros líderes foram condenados à prisão perpétua no histórico Julgamento de Rivonia, transformando Mandela em um símbolo global da luta contra a opressão.

Levante de Soweto (1976): Milhares de estudantes negros protestaram contra a imposição do ensino do africâner nas escolas. A polícia reprimiu brutalmente o protesto, matando centenas de crianças e adolescentes. As imagens do levante chocaram o mundo e impulsionaram a resistência interna e a condenação internacional.

Veículo utilizado durante conflitos no Apartheid
Veículo utilizado durante conflitos no Apartheid.

Felizmente no final dos anos 80, o apartheid passou a ser insustentável por conta de pressão interna e sanções internacionais que acentuaram o colapso econômico do país.

Em 1989, F.W. de Klerk, do Partido Nacional, assumiu a presidência. Diante da inevitabilidade, ele deu passos históricos. Em 1990, ele suspendeu a proibição do ANC e de outros partidos de resistência e, notavelmente, libertou Nelson Mandela após 27 anos de prisão.

Nos anos seguintes, De Klerk trabalhou com Mandela para desmantelar a legislação do apartheid. As leis de segregação foram revogadas, e a nova Constituição, que garantiria direitos iguais a todos, começou a ser negociada.

Mandela e De Klerk foram agraciados com o Prêmio Nobel da Paz em 1993 por seu trabalho conjunto na transição para uma África do Sul democrática e não-racial.

O apartheid chegou ao seu fim oficial em abril de 1994, com as primeiras eleições multirraciais na história do país. Nelson Mandela foi eleito o primeiro presidente negro da África do Sul, simbolizando o triunfo da justiça e da dignidade humana sobre a tirania racial.

Apartheid
Camiseta da campanha presidencial do Mandela.

O fim legal do apartheid não significou o fim imediato do racismo e da desigualdade. O regime deixou um legado de profundas disparidades socioeconômicas que persistem até hoje. A minoria branca ainda detém uma parcela desproporcional da riqueza e da propriedade de terras, enquanto a maioria negra enfrenta taxas elevadas de pobreza, desemprego e acesso desigual à educação e à saúde, um reflexo direto das políticas segregacionistas. 

Curiosidades sobre a África do Sul

Se você acha que a África do Sul é só safari, praias e personalidades fantásticas como Nelson Mandela, saiba que o país guarda uma série de curiosidades bem típicas.

Diferente da maioria dos países, a África do Sul não tem uma, nem duas, mas três capitais! Pretória é a capital executiva (administrativa), a Cidade do Cabo é a capital legislativa (onde o parlamento fica) e Bloemfontein é a capital judiciária. Três assim eu nunca tinha visto!!!

Johanesburgo
Ao contrário do que muitos pensam, Johanesburgo não é a capital.

Também na linha de curiosidades geográficas… a África do Sul é quase uma “matryoshka” (aquelas bonequinhas russas que ficam umas dentro das outras) com um país dentro do outro

Existem dois países inteiros – Lesoto e Eswatini (antiga Suazilândia) – que estão rodeados pelo território sul-africano. Lesoto, inclusive, é totalmente cercado pela África do Sul.

Port Elizabeth - Africa do Sul
Dá para tomar um banho de mar no Atlântico de manhã e um mergulho no Índico à tarde.

Na África do Sul você pode experimentar ver dois oceanos em uma só costa. No Cabo Agulhas, o ponto mais meridional da África, fica oficialmente a divisão entre os oceanos Atlântico e Índico

E por falar em mar… na África do Sul você encontra pinguins nas praias

Sim, você leu certo. Na Cidade do Cabo, a praia de Boulders é o lar de uma colônia de milhares de pinguins-africanos. Ver essas criaturas engraçadinhas, de “smoking” natural, tomando sol na areia branca é uma das experiências mais inusitadas e adoráveis desta viagem.

África do Sul
Onde mais você veria pinguins na praia???

Talvez andando pela África do Sul você ouça que eles são chamados de “Nação Arco-íris”.

Embora seja sim um país também inclusivo no tema diversidade LGTB, esta é uma referência ao fato de que a África do Sul tem 11 línguas oficiais

É possível ouvir Zulu, Xhosa, Africâner, Inglês e mais sete idiomas em um único dia. 

Mas isso não é um problema, já que oficialmente o inglês (junto com o africâner) não só é um destes idiomas, como um dos principais.

Africa do Sul
Não achei nenhuma placa em africaner. Talvez porque eles usem só para falar?

Como eu sempre brinco, é simpático aprender um pouco do idioma local para fazer uma graça e arrancar sorrisos dos gringos. 

Se você quiser aprender um pouco de africâner para fazer graça com os locais, a primeira palavra é Howzit que tem mais um uso porque significa “olá” e “como vai?” ao mesmo tempo. 

Então bora tentar um pouco de africâner (notem, parece holandês):

  • Hallo – Olá
  • Hoe gaan dit met jou? – Como você está? 
  • Wel, dankie – Bem, obrigado(a).
  • Ja – Sim
  • Nee – Não
  • Asseblief – Por favor
  • Dankie – Obrigado(a).
  • Ek verstaan ​​nie. – Eu não entendo.
  • Jammer. – Desculpe.
  • Totsiens. – Adeus.
  • My naam is… – Meu nome é…
  • Plesier om jou te ontmoet. – Prazer em conhecê-lo(a).

Mas como são os sul-africanos?

Eu tenho a impressão que, até mesmo pela quantidade de afrodescendentes que temos no Brasil e a nossa (super bem vinda) miscigenação, podemos dizer que temos muitas semelhanças com eles.

Africa do Sul
Pelas ruas de Johanesburgo, mas poderia ser Salvador.

A África do Sul tem uma população estimada em 62 milhões de pessoas, fazendo dela o 25º país mais populoso do mundo.

Uma coisa que eu achei de diferente em relação ao Brasil (e eu acho que ainda é uma chaga do apartheid) é a miscigenação que me pareceu ser muito menor do que é no Brasil. Eles chegam lá! 😃

São no geral alegres e muito receptivos, especialmente aos brasileiros. Aqui novamente a identidade cultural e ancestral ajuda muito, além dos desafios de sermos também países em desenvolvimento e com claras desigualdades sociais.

Nisso, parece que você está apenas vendo um Brasil do outro lado do Atlântico, agora o Sul.

A África do Sul é o país mais desenvolvido da África, com um IDH 0,713 (109.º) alto e uma renda per capita de US$ 16.211 (97.º), mas mesmo assim é um país em desenvolvimento no cenário global.

Até mesmo sob o prisma religioso existem semelhanças, com 80% de cristãos (meio que divididos entre protestantes e católicos), 15% sem religião definida, e 5% professando religiões de matrizes africanas.

Cristo na praia
A grande maioria é cristã.
Igreja de São Jorge em Cape Town
Mas curiosamente não se vê muitas igrejas (Igreja de São Jorge em Cape Town)

O ponto das religiões de matrizes africanas me causou inicialmente um estranhamento. Mas depois fui entender que dentre a grande quantidade de cristãos, muitos aliam o cristianismo com religiões tradicionais africanas naquele processo de sincretismo também conhecido no Brasil.

Como montar uma viagem para a África do Sul

Para ajuda-los a programar a sua viagem para a África do Sul, vamos às questões práticas.

Precisa de visto e seguro saúde?

Segundo apurado na época da nossa viagem junto ao Ministério das Relações Exteriores, brasileiros não precisam de visto para turismo na África do Sul e lá podem permanecer por até 90 dias, mas devem apresentar passaporte válido por pelo menos 30 dias após a saída, com duas páginas em branco

Nunca é demais lembrar que mesmo não existindo visto ou tendo requisitos rígidos para a entrada, as autoridades de imigração podem exigir a apresentação da passagem de volta, prova de meios de subsistência durante a viagem, e comprovante de hospedagem. Esteja sempre, para qualquer lugar, preparado com isso.

Esteja muito atento: na África do Sul eles exigem a comprovação de que você tomou a vacina contra a febre amarela.

Aeroporto Port Elizabeth
Já no check-in você precisa apresentar o comprovante da vacinação.

Embaixada do Brasil em Pretória atende pelos canais: número +27(82)653-6468 24hs por dia e consular.pretoria@itamaraty.gov.br.

Por mais que a África do Sul não exija a apresentação de um seguro viagem, acho que não dá para sair de casa sem contratar um.

Por questões de saúde mesmo, tenha em mente que o mais importante motivo para você contratar um seguro viagem é o fato de que qualquer tratamento no exterior, por mais simples que seja, pode custar mais que a viagem. 

Assim, tão longe assim de casa, nem sonharia em embarcar sem um seguro viagem. Nós aqui em casa utilizamos a Real Seguro Viagem, parceira do blog. Vocês podem contratá-la diretamente no banner ao lado.

Quando ir para a África do Sul?

Assim como na maioria dos destinos os conceitos de alta e baixa temporada na África do Sul passam pela questão do clima.

Praia Africa do Sul
No verão, aproveite para curtir as praias.

Se você curte uma viagem mais de frio, a melhor época do ano para viajar é o meio do ano, quando é inverno também na África do Sul, e em tese chove menos no interior porém mais no litoral.

E sim, o frio na África do Sul é beeem gelado!!!

Já no final/começo do ano, é verão também na África do Sul com bastante calor e poucas chuvas no litoral, e chuvas esparsas no interior.

Abaixo alguns dados para você poder escolher conforme o clima a época mais adequada à sua viagem:

média anual temperaturas Kruger Park
média anual chuvas Kruger Park
média anual temperaturas Garden Route
média anual chuvas Garden Route
média anual temperaturas Cape Town
média anual Chuvas Cape Town

O conceito de alta e baixa temporada na África do Sul é bem regionalizado e não inviabiliza uma viagem, apenas altera o estilo.

Explico.

A alta temporada na África do Sul é durante o verão (dezembro a março), com mais turistas, preços mais altos e clima quente/chuvoso, ideal para praias e vida urbana. De outro lado, a baixa temporada é o inverno (junho a agosto/setembro) com menos turistas por conta de temperaturas mais frias fria e clima mais seco.

Assim, se você gosta de frio e não se importa de não curtir as praias, vá no meio do ano. Já se não abri mão do calor e praias, prefira o período do final/começo do ano.

Se for viajar no final do ano, uma dica para economizar: fuja de Cape Town e cidades litorâneas neste período. Os preços explodem!

Cape Town
Cape Town, uma delícia no verão.

Num meio termo, você pode viajar entre os meses intermediários como maio a junho, ou entre setembro e novembro.

Acho que ficou fácil escolher a melhor época para ir para lá, né?

Quanto tempo e roteiro na África do Sul?

O grande desafio de uma viagem à África do Sul é montar um roteiro que caiba na quantidade de dias e orçamento que a maioria das pessoas tem.

É um país relativamente grande como já vimos, as atrações não só são absolutamente diferentes (logo você vai querer ver tudo), como também estão bem distantes umas das outras.

Sendo realista, não ache que você vai conhecer tudo em apenas 15 dias.

Uma alternativa para isso é otimizar os deslocamentos.

Safari
Separe um bom tempo do seu roteiro para safaris.

Veja o nosso caso por exemplo. Optamos por chegar voando via Johanesburgo, e voltar de carro percorrendo a Garden Route até Guquebera (antiga Port Elizabeth) onde pegamos um voo de volta para Johanesburgo com duração de pouco mais de 1h. 

Com isso eliminamos uma parte menos interessante que seria justamente o trecho entre Guquebera e Johanesburgo, ganhando pelo menos uns 2 dias para melhor explorar os destinos mais interessantes.

Ao final, ficamos com 3 dias em Cape Town, 3 dias na Garden Route, 4 dias no Kruger Park, e 2 dias em Johanesburgo. Tudo isso sem contar 3 dias em Essuatini e os dias de chegada e partida.

Com isso tivemos uma boa percepção do país, pois vimos o turístico, as belezas naturais, e a história local em uns 15 dias.

Claro que, como sempre, tudo depende do que você pretende conhecer e do seu ritmo de viagem.

Como chegar e circular por lá? 

Uma das grandes vantagens de uma viagem para a África do Sul é a existência de voos diretos ligando por exemplo São Paulo e Johanesburgo.

Na data deste post tanto a South African Airways quanto a LATAM operavam voos ligando os dois países nem pouco mais de 8h30 de viagem (na volta acrescente 1h por conta dos ventos, sim existe isso!).

South African Airways.
Optamos por fazer todos os trechos com a South African Airways.
A porta de entrada para a maioria dos turistas é o Aeroporto Johanesburgo.

Perfeito em todos os sentidos!!!

A porta de entrada para turistas estrangeiros em Johanesburgo é o Aeroporto Internacional Oliver Tambo, o mais movimentado aeroporto do continente africano. Por aí você já nota que é um aeroporto muito bem servido situado uns 30km a leste da mais populosa cidade sul-africana.

Falaremos mais dele ao tratarmos de Johanesburgo.

Uma vez lá, o próximo ponto é como se locomover dentro da África do Sul.

Aqui uma dica importante (mais uma vez!): não subestime o tamanho da África do Sul.

É grande pacas, por mais que no mapa não pareça.

Só para você ter uma noção de grandeza: a África do Sul, tem 1,2 milhão de km², é um pouco maior que o estado de Minas Gerais (586.000 km²) e é um pouco maior que Mato Grosso, que tem aproximadamente 903.000 km².

Enfim, tenha isso em mente ao planejar a sua viagem, seja ao escolher quantos dias passar lá seja ao montar o roteiro e, principalmente, pensar nos deslocamentos.

Voos regionais na África do Sul
Uma boa opção é realizar alguns voos entre as cidades mais distantes.

Eu mesmo havia pensado em fazer tudo de carro pela praticidade, ir parando e curtindo uma road-trip perfeita. Mas não demorou muito para eu notar que muitos trechos seriam longos demais (coisa como 8h/12hs) sem grandes atrativos no caminho.

Dai a alternativa foi um mix de carro e avião que funcionou muito bem.

Usei carro quanto o caminho tinha atrativos, e avião para os trechos mais longos e/ou sem grandes atrativos.

A ideia foi ir de Johanesburgo para Cape Town de avião e voltar metade do caminho de carro, ou seja, de Cape Town até Guquebera (antiga Port Elizabeth) para conhecer a Garden Route, pegando um avião para o monótono trecho entre Guquebera e Johanesburgo. 

E depois um carro novamente para o trecho Johanesburgo à Essuatini, e depois à Kruger Park.

Fora das opções voar e alugar um carro, nada me pareceu razoável. 

A experiência de alugar um carro para rodar por lá pode não ser das mais simples para muita gente.

O motivo é que a mão de direção lá é inglesa. Sim, os britânicos deixaram esta “herança”…

Africa do Sul
Eles dirigem na “mão errada”.
Direção Africa do Sul
Epa, este volante não deveria estar aqui!!!
Cape Town
A maior dificuldade é nos cruzamentos… Tenha referência e atenção.

As estradas são em sua maioria excelentes (melhores que muitas no Brasil).

Esteja atento a alguns detalhes.

Lá eles ultrapassam pela direita, então se você quiser andar sem ser importunado por alguém que esteja numa velocidade mais alta que você, mantenha a esquerda. Lembra? É tudo o inverso da gente aqui no Brasil.

Os sul-africanos são muito respeitosos ao volante, amei! Seja como eles!

Os acostamentos são tão bons que nas estradas de mão dupla, é comum o povo dar passagem tirando o carro para o acostamento.

Estradas na África do Sul.
As estradas são excelentes.

Lá sempre que você dá passagem para alguém na estrada, eles agradecem dando uma piscada com o pisca alerta. Aqui no Brasil o povo acha que é provocação. Kkkkk

Tenha muito, mas muito cuidado com gente caminhando no acostamento e principalmente com animais soltos.

Sério, um dia quase tivemos um grande acidente com uma cabra que apareceu do nada. Papai do Céu e o Anjo da Guarda salvaram!!!

Os carros não têm documento físico, é um adesivo no parabrisa. Então não estranhe ao sair da locadora apenas com o seu contrato de locação em mãos.

documento do carro na Africa do Sul
Na Africa do Sul, o documento fica no parabrisa.

Ao planejar seus deslocamentos, sempre adicione uma boa margem de folga porque tem muita coisa bacana para ver no caminho, e porque dependendo do lugar você pode se deparar com um engarrafamento por algum animal que esteja na pista. Coisa muito, mas muito comum nos arredores dos parques e reservas de safari.

Adicionalmente mantenha o veículo sempre abastecido porque nem sempre é fácil encontrar postos de gasolina em lugares mais remotos. Aliás posto na África do Sul tem sempre frentista e você paga direto para ele, como no Brasil.

Tem pedágio nas estradas? Sim, e você pode pagar em dinheiro ou cartão de crédito no modo aproximação. Apenas tome cuidado para não entrar nas filas das cabines de pagamento com sistemas do tipo “sem parar” porque as locadoras não liberam isso para os veículos locados (ainda). Os preços são bem semelhantes aos do Brasil, talvez um pouco menores.

Pedágio na Africa do Sul
As principais estradas são pedagiadas.

Alugamos um carro logo no aeroporto de Cape Town para conhecer a cidade e depois ir para a Garden Route até Guquebera (antiga Port Elizabeth) e depois pegamos outro veiculo em Johanesburgo para irmos à Essuatini e depois o Kruger Park. Foram ao todo uns 3.000km.

Digirindo na Africa do Sul
Nosso “carrão”.

Precisa de PID (Permissão Internacional para Dirigir) para dirigir na África do Sul? Aqui o lance é o seguinte, a locadora pede a nacional, mas o guarda de trânsito a internacional.

E os guardas param mesmo. Eu fui parado ao todo 3 vezes nesta viagem, mas super de boa! Numa delas o guarda me pediu a carteira de motorista e o porte de arma. Ai eu ri, ainda bem que ele também. Disse que não curto armas. 🙂

Tem gente que fala de casos de propina e etc, eu não passei por isso não.

Polícia rodoviária Africa do sul
Me pararam, mas foi super tranquilo.

Ah e por mais que você tenha um chip de celular e ele funcione nos grandes centros urbanos, por precaução, faça download dos mapas para uso off-line.

Nas cidades e para curtas distâncias, dá para usar táxi

Sim, mas sempre peça um táxi a partir de um hotel ou algum outro ponto por conta de segurança. Por exemplo, jamais aceite corridas de estranhos que te abordam e usem veículos que não sejam oficiais.

Uber pode ser uma opção, um dia estava cansado de dirigir e pensando na dificuldade / custo de estacionar no Water Front de Cape Town e resolvi usar o app. Foi super barato e tranquilo.

Nas cidades, o serviço de ônibus é praticamente nulo, o que existe são estas vans que têm um esquema bastante confuso para o turista estrangeiro. Tive a impressão que são como as nossas lotações, mas bem mais confusas e precárias.

Van na África do Sul.
Elas são sempre brancas e com este desenho que representa a bandeira sul-africana.

Compensa juntar África do Sul com outros destinos na região? 

Como dito acima quando falamos do roteiro, a África do Sul é um destino de viagem onde dá para passar um mês inteiro tranquilamente.

Mas se você for daqueles que quer ir mais além, existem excelentes oportunidades nos arredores com relativamente fácil acesso.

Essuatini
Essuatini, pelos parques nacionais e cultura é uma boa opção.

Para quem desejar viajar de carro, dá para dar uma esticadinha de um par de dias como a gente para Essuatini (antiga Suazilândia) já que nem precisa de visto. Ou ainda ser mais arrojado conhecer Lesoto (ai precisa de visto).

Quem desejar emendar outros voos, pode ir às Ilhas Maurício (mas só se for viajar fora do período entre começo/fim de ano porque chove demais) ou para a Namíbia que fica pertinho de Cape Town.

Que moeda levar para a África do Sul?

A moeda oficial da Albânia é o rand (ZAR), uma moeda vale na média 1/3 do Real nominalmente falando:

ZAR 1 = R$ 0,31 e R$ 1 = ZAR 3

ZAR 1 = USD 0,18 e USD 1 = ZAR 16,71

Para facilitar as consultas ao câmbio atualizado enquanto em viagem, sugiro instalar um dos muitos apps para celular que fazem este tipo de conversão facilmente. Eu particularmente uso o Conversor de moedas XE que está disponível para iOS e Android.

Rand sul africano
Rand sul africano.

As notas vêm em notas de R10, R20, R50, R100 e R200; e sete moedas 5c, 10c, 20c, 50c, R1, R2 e R5.

Recomenda-se sempre ter algum dinheiro trocado, especialmente se você for se aventurar por áreas mais remotas ou cidades menores.

Nem perca tempo procurando rand nas casas de câmbio do Brasil porque provavelmente você não vai encontrar com facilidade (e se achar com preços altíssimos), a melhor saída é, pelo menos para emergências, ter um pouco de moeda forte para trocar lá.

Qual? Acho que dólar, mas novamente, apenas para fins de emergências.

Para os gastos ordinários, hoje tenho usado muito cartões de contas internacionais, como Wise e C6 que, como detalho nos respectivos posts, e penso que apresentam o melhor custo benefício.

Para ambos existe a vantagem de que você pode converter dos reais da sua conta corrente para dólares durante a viagem. Maravilha!!!

Então esta é a alternativa com melhor custo-benefício tanto para compras quanto para saques saques em ATMs – presentes em tudo quanto é canto na África do Sul.

ATM na África do Sul
Você encontra ATMs com facilidade.

Como uma solução de emergência ainda uso os cartões de débito no exterior.

Nunca é demais lembrar que os ATMs sempre cobram uma pequena taxa por saque, além daquela cobrada pelo emissor do seu cartão. Lá, o valor girou em torno do equivalente a uns R$ 20/30, então otimize seus saques.

Os cartões de crédito são muito bem aceitos em lojas e restaurantes maiores (hotéis sempre). Não espere que ele seja aceito em lojas menores ou lugares mais remotos, neste caso, ter dinheiro é a solução.

Ah, e não se esqueça sempre de conferir se você o desbloqueou para operações no exterior e vale também conferir o limite de crédito.

Quer saber mais sobre meio de pagamento no exterior? Verifique as nossas dicas especiais sobre gastos no exterior.

Etiqueta preços Africa do Sul
Cuidado com os preços, eles colocam o primeiro numeral perto do R. São 3.320Rands, não só 320… 🙁

E por falar em dinheiro, gorjeta este é um costume sim na África do Sul, mas nada fora do comum em relação a outros lugares (nada comparado ao Egito!). Garçons esperam 10% do valor total da conta (serviço pago à parte); taxistas esperam o arredondamento da corrida,

Custo de uma viagem para a África do Sul 

É cara uma viagem para a África do Sul?

Como eu sempre digo, caro ou barato são conceitos bem subjetivos, já que vai muito do seu estilo de vida / viagem. E também vai muito também com o que você compara.

Girafa
Os safaris guiados são caros, mas valem cada centavo!

O que eu posso te dizer, sem medo de errar, é que uma viagem à África do Sul é muito mais barata do que uma viagem para destinos mais tradicionais como EUA e Europa.

Felizmente, mesmo sendo o país mais desenvolvido do continente africano, e com muitas semelhanças com o Brasil, em termos de custo de vida, o preço de uma viagem para lá torna-se bastante atrativo.

É bem verdade que isso vai muito do seu estilo de viagem e da época em que você viaja.

Por exemplo, hotel na virada do ano em Cape Town tem um custo tão exorbitante quanto um hotel no Rio de Janeiro. Então se quiser economizar, escolha épocas do ano menos concorridas.

Igualmente para o ponto do estilo de viagem. Dá para gastar o mesmo ou ainda mais do que você gastaria nas Maldivas se você escolher um lodge mega-baster exclusivo no Kruger Park por exemplo. Ai o céu é o limite!!!

Safari Moon Luxury Lodge.
Mesmo hotéis de luxo têm um preço relativamente acessível (Safari Moon Luxury Lodge).
Raptor Retreat
E normalmente os lodges têm pacotes all-inclusive como o Raptor Retreat.

Aluguel de veículos é relativamente em conta, ainda se você compara com Europa ou EUA. Acabamos neste quesito gastando menos do que pouco tempo atrás gastamos nas duas viagens anteriores que fizemos para a Europa, visitando Romênia + Bulgária e depois Albânia + Macedônia do Norte + Grécia.

Espere gastar algo como R$ 3mil para duas semanas de locação. 

Aos demais custos, como atrações ou alimentos, têm valores iguais ou ainda menores do que temos aqui no Brasil.

Um fato que você vai achar estranho na África do Sul é que o custo das atrações é diferente para sul-africanos e estrangeiros.

Pois é, a exemplo de outros países, como por exemplo na Costa Rica, a África do Sul pratica preços mais elevados para estrangeiros, coisa de umas 5 vezes mais em alguns casos. Inclusive parques nacionais têm valores mais elevados para quem vem de fora. Por exemplo, Boulders Beach custa ZAR 55 para sul-africanos e ZAR 245 para estrangeiros.

preços das atrações na Africa do Sul
Os preços são sempre mais caros para turistas.

A sorte é que, como dito acima, o valor da moeda local e o custo de vida mais perto do nosso ajuda demais o viajante brasileiro.

Chip de celular na África do Sul

Normalmente os hotéis oferecem internet wi-fi gratuita, mas nem sempre a qualidade é lá aquelas coisas ou funciona em todas as áreas do hotel, especialmente se você escolher um hotel mais no meio da floresta – algo que você deve fazer!!! 

Comprar um chip local me pareceu ser complicado demais, já que o idioma oficial não facilita muito. Roaming do Brasil? Nem pensar, só o custo já assusta.

Parque Kruger
Mesmo no meio do Parque Kruger, funcionou super bem!

Para esta viagem, mais uma vez contamos com o chip de celular fornecido pela OMeuChip que funcionou super bem durante toda a viagem. Se você quiser comprar o seu, é só clicar no link acima ou no banner ao lado e aproveitar descontos especiais.

Viajando com crianças

Olha, se o misto de praias e animais selvagens não é um pacote perfeito para quem viaja com crianças, eu não sei o que é.

E ai falo diretamente para quem só viaja com crianças para a Orlando… Experimente olhar para o outro lado do Atlântico.

Mas é verdade, com muitas praias e oportunidades para brincar ao ar livre a África do Sul é um paraíso para quem viaja com crianças.

Africa do Sul
Alguém ainda duvida que seja um destino perfeito para crianças???

Não se deixe de forma alguma contaminar por qualquer estereótipo de que é um lugar roots ou com infraestrutura inadequada para os pequenos viajantes. Muito pelo contrário.

Se você olhar os grandes centros urbanos, especialmente Cape Town ou a região da Garden Route, a infraestrutura tanto de hotéis quanto de atrações é perfeita para viagens em família.

Adicione a isso o fato de que é um voo direto e relativamente curto de umas 8hs.

Mas e os safaris??? Dá para ir com crianças?

Depende da idade da criança.

Vale sempre consultar o lodge sobre a idade mínima para fazer os safaris porque alguns exigem idade mínima por exemplo de 10 anos de idade.

Safari na Africa do Sul
Safari na África do Sul com crianças? SIM!!!

O motivo para esta limitação é não é apenas a segurança durante os passeios, mas também a conveniência do grupo. Nem sempre a criança tem a paciência de passar até 4 horas em um veículo sacolejando durante um safari. Fora a questão do silêncio porque esta é uma atividade que não combina com barulho para não afugentar os animais.

Por fim e não menos importante, o sul-africanos recebem bem os turistas, e em especial os pequenos viajantes.

Então, não se acanhe e não deixe de conhecer a África do Sul com seus pequenos.

Para mais dicas sobre viajar com crianças, confira os posts Viajando com Crianças – O que aprendemos até agora (bebês) e Viajando com Crianças – O que aprendemos dos 2 aos 4 anos.

Confira os nossos Top 5 Destinos de Viagem com crianças fora do comum.

É seguro viajar para a África do Sul?

Lembro da primeira vez em que estive na África do Sul.

Foi para uma escala rumo à Austrália, onde decidimos sair do aeroporto para um rolê por uma área mais chique de Johanesburgo. Confesso que fiquei com bastante receio.

Polícia na Africa do Sul
Nas áreas mais turísticas, o policiamento é intenso.

Mas aqui é preciso ter em mente algumas coisas.

A primeira delas é que a gente vive no Brasil, e infelizmente quase que qualquer lugar comparado às grandes cidades brasileiras parece mais seguro.

Todavia, a gente tem a impressão de que sempre que viaja para algum lugar diferente esperamos um nível de segurança maior do que o nosso amado Brasil. Mas nem sempre é assim e devemos ajustar as expectativas.

Se comparado ao Brasil, arrisco dizer que este é mais um ponto de semelhança entre os países. Embora ainda ache a África do Sul mais segura no geral que o Brasil, os problemas sociais lá jogam contra.

Comparando com todos os outros destinos onde já estivemos, a minha percepção de segurança fica sim um pouco prejudicada. Não posso negar.

Não dá para sair balançando o celular em tudo quanto é canto (aliás hoje nem na Europa dá para fazer isso!!!)

Os maiores riscos estão em grandes centros urbanos, especialmente Johanesburgo e um pouco menos em Guquebera.

Na prática, não tivemos problema algum (apenas um susto que detalho abaixo), mas fomos bastante atentos e cuidadosos.

Mantenha dinheiro longe da vista, ande com uma carteira fake se achar interessante. Mantenha uma pequena quantia em dinheiro separada do restante do seu dinheiro para não precisar sacar um grande maço de notas para fazer uma compra.

Algo bastante sensível é quanto ao carro.

Africa do Sul
Aviso típico perto de atrações turísticas na África do Sul.

Muita gente fala para evitar alugar um carro que chame muito a atenção. E as próprias locadoras são muito enfáticas ao recomendar não deixar malas, sacolas, nada à vista ao estacionar o veículo, especialmente nos arredores de atrações turísticas.

Tomadas as precauções que você já tem aqui no Brasil, entendo que não precisa se preocupar para além do necessário. Claro que tem que ficar esperto com coisas comuns em qualquer lugar como batedores de carteiras, não ande pelas ruas mais desertas depois do entardecer, evite abordagens de estranhos e etc.

Haja como um brasileiro raiz.

Mas e o tal susto?

Pois bem, depois de 40 anos viajando vi minha mala sendo arrombada num hotel em Johanesburgo.

Na última manhã, tive o cuidado de travar o zíper da mala, inclusive junto à mochila para evitar o tal golpe da cesariana. Mas ao chegar notei que a mala estava aberta… Com o cadeado destrancado. Por isso falo para não confiar 100% nos cadeados TSA.

Felizmente não levaram nada de valor porque o que havia valor estava seguro noutro lugar.

Fiquei com a impressão que o maletero (que exagerou na simpatia) foi meio que olheiro. Sabe aquela pessoa que você olha e não ˜bate o santo”… Foi por ai. Me arrependi da gorjeta boa que dei para ele. 😡

Pode beber água da torneira? Não recomendo em hipótese alguma. Eu sou daqueles que só toma água da torneira em destinos bem específicos, como EUA, Canadá, alguns lugares da Europa e Japão por exemplo. 

Não que sejam super comuns problemas com comida lá, mas eventualmente você pode ter algum problema com a comida local por conta do tempero.

Fora que pelo simples fato de estar tão diferente, é sempre bom ter uma farmácia de viagem para eventual necessidade.

agua potável África do Sul.
Muitos centros comerciais têm este tipo de lugar para pegar água.

Outras informações importantes

O horário comercial na África do Sul segue no geral o padrão das 9h00 às 18h00 para lojas, fechando às 23h00 nos sábados, e 14h00 nos domingos. bancos trabalham das 9h00 às 17h00 durante a semana e até 13h00 aos sábados. Museus, embora cada um tenha o seu horário próprio, a regra geral é que eles fecham às segundas.

A África do Sul está num fuso horário de 5hs à frente do horário de Brasília.

Na África do Sul não é nem um pouco fácil encontrar banheiros públicos e nem sempre tem papel higiênico, então tenha sempre o seu a mão.

As tomadas na África do Sul são de três pinos, mas não como a nossa. A deles é num formato que mais se parece com o inglês, porém com pinos redondos – o tal tipo M. Assim, para os seus eletrônicos, um adaptador universal é essencial. A voltagem é 220v.

Tomadas na Africa do Sul
A maior parte dos hotéis oferece este adaptador à esquerda.

Dadas as informações e dicas gerais vamos embarcar em uma viagem para um dos mais incríveis destinos da África???

Vem com a gente!

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