Mais do que a capital da Romênia, Bucareste é a maior da cidade do país, com pouco mais de 1,9 milhões de habitantes.
Confesso que depois de visitarmos a belíssima região da Transilvânia que é o que existe de mais típico / interessante na Romênia, minhas expectativas para Bucareste eram bem baixas.
Cheguei até a pensar em simplesmente ignorar a capital romena no roteiro. Mas como ela estava no meio do caminho entre a Transilvânia e as praias da Bulgária, achei que valeria passar ao menos uns 2 dias inteiros conhecendo a cidade.
A cidade tem um ar bastante diferente de outras cidades visitadas pela maioria dos brasileiros que visitam a Europa.
Lá você encontra de um lado igrejas ortodoxas muito bonitas e charmosos edifícios no estilo art-noveau, de outro lado existem construções que literalmente saíram dos tempos da Cortina de Ferro / Guerra Fria.
Me lembrou demais a nossa viagem para a Varsóvia por conta daquele monte de edifício quadradão e cheio de concreto.
Os primeiros indícios de ocupação na região onde hoje fica Bucareste datam de coisa como 70 a.C., mas como cidade mesmo as suas origens datam de 1459 quando, sim, ele novamente, Prince Vlad Ţepeş fundou ali uma cidadela que no século XVII passou a ser a capital do reinado de Wallachia e uma importante parada na rota de comércio entre oriente e ocidente.
Andando pela cidade, certamente você topará com algum edifício no estilo art-noveau, que fará você lembrar de Paris.
Não pensem que é mera coincidência não.
Acontece que entre as décadas de 1920-30, a cidade passou por um intenso movimento de modernização que tomou carona no estilo arquitetônico francês, fazendo com que ela ficasse conhecida como “a Paris do Oriente”.
Uma pena que muitos destes edifícios ou foram destruídos pelos bombardeiros durante a Segunda Guerra Mundial; ou pelos grandes terremotos de 1940 e 1977 (este um dos maiores da história).
Acontece que depois disso veio um período bem bagunçado na história da Romênia, com o tal Nicolae Ceauşescu, que “reconstruiu” a cidade num estilo que era um misto de URSS com sabe-se lá que megalomania arquitetônica, gerando coisas como o Palácio do Parlamento do qual falaremos mais tarde.
Dicas práticas
Como costumamos fazer, antes de tratarmos das atrações em si, vamos ver algumas dicas práticas para você curtir a cidade ao máximo e otimizar seu tempo em Bucareste.
Quanto tempo?
Por mais que eu sempre diga que a quantidade de dias num determinado destino variará muito conforme o seu ritmo de viagem e eventuais interesses específicos, acho que para Bucareste até dá para cravar uma quantidade mais assertiva de dias.
Como você notará ao falarmos das atrações de Bucareste, a cidade tem não só uma quantidade menor de atrações, como elas também estão concentradas numa região bastante central, o que facilita demais a vida do turista.
Então se você é daqueles que consegue sair cedo da cama e só volta para o hotel para dormir, vai notar que no máximo uns 2 dias em Bucareste são suficientes para conhecer razoavelmente a capital romena.
Como sempre eu digo, tente agrupar as atrações mais próximas e conheça tudo o que puder nos arredores antes de seguir à diante para outro bairro, por exemplo. Eu gosto muito de utilizar para tanto o Google Maps e o MAPS ME. É só marcar as atrações no app e sair para explorar a cidade.
Chegando e circulando por Bucareste
Embora a gente tenha chego em Bucareste de carro, vindo da Transilvânia (e anteriormente de Sofia na Bulgária), a maioria dos turistas chega pelo Henri Coandă International Airport (OTP).
Fique atento que a cidade tem um outro aeroporto internacional, o Aeroportul Internaţional Bucureşti Băneasa – Aurel Vlaicu, que recebe mais voos regionais.
O Henri Coandă International Airport recebe voos de toda a Europa, e até mesmo de lugares mais distantes, como por exemplo Doha. Aliás esta era uma rota possível para a nossa chegada na região – chegamos em Sofia (Bulgária) vindo de Doha.
O Henri Coandă fica 17km ao norte de Buchareste, já no caminho para Braşov.
Embora a gente não tenha passado por este aeroporto, deixo aqui o que eu aprendi lendo sobre o assunto.
Para ir de-para o aeroporto, você pode usar trem, ônibus ou táxi.
Optanto pelo trem, a viagem liga a Bucharest North Railway Station ao aeroporto 24hs por dia, a cada 40 minutos, e leva apenas 20 minutos. O custo e timetable detalhado você confere no site da CFR, companhia que administra o sistema.
Já o ônibus 783 Express line, atualmente chamado de 100 Express line, liga a cidade ao aeroporto a cada 15 minutos em uma viagem de apenas 30 minutos.
O ponto de partida/chegada no aeroporto é diante do Arrivals Terminal and Departures Terminal e o custo na época da nossa viagem era de apenas 3 lei. O roteiro com as paradas você encontra no site do próprio aeroporto.
Já para uma viagem de táxi, espere gastar uns 50 lei, e sugiro você contratar no balcão das companhias existentes dentro do hall porque assim você evita eventuais taxistas não oficiais e seus respectivos golpes.
E para visitar as atrações de Bucareste, como se locomover?
Como dá para ver do mapa abaixo, as atrações estão até que bem concentradas numa área mais central.
Assim, com um mínimo de planejamento, e estando bem hospedado seus deslocamentos não devem ser lá tão significativos.
Dentro de um determinado bairro ou entre atrações próximas, até dá para caminhar, já que a cidade é plana e bem arborizada (existem muitos parques e praças por todo lado!!!).
Agora se você estiver hospedado mais distante das atrações centrais, ou desejando ir para algum ponto mais fora do centro da cidade, já não dá para ir caminhando.
A gente optou para esta viagem em alugar um carro em Sofia, percorrer uma quantidade (insana) de estradas para conhecer a Romênia e a Bulgária, mas em Bucareste foi altamente orientado a deixar o carro no hotel e não usar ele para nada.
Isso porque o trânsito na cidade é uma loucura. Parece Roma, para quem já dirigiu na Bota.
É melhor deixar o carro no estacionamento do hotel (prefira um que tenha estacionamento próprio e gratuito) e use o sistema de transporte público local. É menos dor de cabeça e custo, já que na região central o estaciomento é bem caro.
Bucareste tem um sistema de transporte público que compreende metrô, ônibus e bonde. Mas eles não são integrados.
O sistema de bondes (trams) e ônibus são operados pela Societatea de Transport București (RATB).
Para usar qualquer um destes meios de transporte é preciso adquirir um cartão chamado de Activ que custa 3,70 lei em qualquer quiosque de rua e carrega-lo com pelo menos 5 lei. Depois cada viagem custa 1,30 lei (crianças até 7 anos viajam gratuitamente). Não existe a opção de pagar para o motorista a viagem.
A primeira coisa a saber é que o sistema funciona diariamente, mas apenas entre 4h30 e 23h30, então na volta da noitada não conte com transporte público. Tem que ser táxi mesmo.
Dentre eles, é mais provável que você acabe fazendo uso mais frequente do metrô, já que com ele, dependendo de onde você estiver hospedado, dá para acessar as principais atrações da cidade.
Infelizmente o site do sistema de metrô de Bucareste é bem ruim, o que dificulta a consulta de coisas simples como o valor das tarifas.
Mas para você ter uma ideia, na época da nossa viagem os bilhetes disponíveis eram de 1 viagem (3 lei), 2 viagens (6 lei), 10 viagens (25 lei), 24hs (8 lei) e 72hs (20 lei), sendo que no caso destes bilhetes de 24hs e 72hs estamos falando de um cartão chamado Metrorex travel pass.
São ao todo 5 linhas e umas 64 estações:
Uma curiosidade: a estação Politehnica Metro Station, na linha M2 tem um piso com mármore das Montanhas Apuseni, na Romênia Ocidental. Até ai nada de mais.
O ponto é que se você olhar o piso com mais atenção notará que existem fosseis nele. Sim, fosseis com mais de 80 milhões de anos (final do Jurássico até o final do Cretáceo). A estação fica perto do Shopping Afi, o maior shopping da cidade, e do Jardim Botânico.
Onde se hospedar em Bucareste?
Uma grande vantagem de Bucareste em relação ao restante do país é que ela não é propriamente dita uma cidade turística. Pelo contrário, é uma cidade mais acostumada a viajantes de negócios.
Assim, por mais que viajando na alta temporada (verão europeu), as diárias tendem a cair bastante nesta época do ano, já que a maior parte dos turistas, inclusive os domésticos, corre para as praias e para a região montanhosa no interior.
É muito importante que você tente ao máximo ficar perto de uma estação do metrô e se conseguir hospedar-se num raio entre as atrações mostradas no mapa deste post, melhor ainda.
Digo isso para você não perder muito tempo em deslocamentos e otimizar o seu tempo na capital romena.
Ao final, a nossa escolha para esta viagem foi o MyContinental Bucuresti Gara de Nord que atendeu super bem às nossas expectativas. A experiência que detalharei em breve aqui no site.
O que tem para fazer no Bucareste?
Uma das atrações mais controversas de Bucareste é também a sua principal atração.
Como disse anteriormente, a Romênia teve um período bastante conturbado no qual foi “governada” pelo ditador Nicolae Ceauşescu, e o seu maior “legado” foi este elefante branco, o Palácio do Parlamento (ou Casa do Povo como alguns chamam).
Digo elefante branco porque ele é considerado o segundo maior edifício administrativo do mundo (atrás apenas do Pentágono). Logo de cara me pergunto se a Romênia teria funcionário público suficiente para ocupar adequadamente ele.
E digo controversa porque como dá para notar pelas fotos e dados abaixo, trata-se de uma enorme obra, provavelmente desnecessária, iniciada em um período crítico da história da Romênia e que ainda por cima tem um estilo bem duvidoso.
Na população em geral, ele desperta sentimentos bem distintos. Coisa de amor e ódio mesmo.
Suas obras começaram em 1984 e acreditem, ainda não foi entregue. É Romênia, mas poderia ser Brasil…
São ao todo mais de 3.000 salas espalhadas por 330.000 metros quadrados que hoje são parcialmente ocupados pelo parlamento romeno. Ainda bem que não ocuparam tudo com parlamentar. Já pensou?!?!?
Fica na B-dul Naţiunile Unite e tours guiados são oferecidos mediante reserva no site acima, por a partir de 35/18 lei (adulto/criança), mais uma taxa e 30lei para fotos no interior. Funciona de março a outubro das 9hs às 17hs e de novembro a fevereiro até as 16hs. Para o tour é preciso apresentar um documento, no caso, passaporte – eita repartição pública…
Uma área bastante interessante de Bucareste é a ao redor da Piaţa Universităţii (Praça Universitária), que poderia ser considerada como o centro da cidade.
Por ali você encontra uma série de edifícios tanto da universidade, como o nome deixa claro, como também governamentais além de bares e restaurantes.
Ao Sul dali fica o Centrul istoric (Centro Histórico – viu como romeno é “fácil”?) de Bucareste. Esta área também conhecida como Old Town ou Lipscani é onde entre os séculos XV e XVI a cidade se estabeleceu e floresceu como capital do reino da Wallachia.
As ruas por ali ainda guardam em seus nomes resquícios dos tempos medievais, já que elas levam o nome das principais profissões que ali tinham suas lojas e oficinas, como por exemplo a Str Covaci (rua dos ferreiros).
Um dos seus principais edifícios é o Old Princely Court / Curtea Veche, o prédio onde outrora servia de residência para os líderes da Wallachia no século XV.
E advinha quem construiu??? Sim, ele Vlad III o Empalador.
Infelizmente na época da nossa viagem estava fechada para restauros, e só pudemos ver por fora. Fica na Str Franceză 21-23 (metrô Piata Unirii).
Ao norte da Piaţa Universităţii fica outra importante praça de Bucareste, porém com uma história triste.
Estou falando da Piaţa Revoluţiei, onde aconteceu o que poderia-se dizer ser o ato final da queda do regime de Ceauşescu em 1989.
Foi ali, na sacada do antigo edifício do Comité Central do Partido Comunista, hoje a sede do Ministério do Interior (Piaţa Revoluţiei 1; metrô Universitate), que em 21 de dezembro de 1989, enquanto a multidão gritada pela sua renúncia, ele escapou em um helicóptero estrategicamente posicionado no telhado do edifício.
Até aqui, beleza, apenas mais um ditador fugindo (por um breve período) do seu acerto de contas.
O problema é que enquanto isso, a multidão era literalmente fuzilada pelos seus capangas, ops, aliados.
Ali perto hoje existe um monumento chamado Rebirth Memorial (Memorialul Renaşterii) em homenagem às vítimas deste massacre.
O que seria de uma capital europeia sem uma casa de ópera? Pois Bucareste tem uma das mais belas, o Ateneu Romeno (Ateneul Român).
Construído em 1888 é a casa da famosa Filarmônica George Enescu, com a sua enorme cúpula com 41m de altura e interior ricamente ornamentado.
Fica na Str Benjamin Franklin 1-3 (metrô Universitate, Piaţa Romană); o ingresso custa 20-65 lei (adulto/criança); e funciona de terça à sexta das 12hs às 19hs; sábados das 16hs às 19 e domingo apenas das 10hs às 11hs.
Mais do que uma simples livraria, um lugar lindo, sugiro que você visite a Cărturești Carusel.
Embora num estilo mais moderno, me lembrou um pouco a Lello do Porto.
Fica na Strada Lipscani 55, e abre todos os dias das 10hs às 22hs.
Precisando de um lugar para relaxar no calor do verão em Bucareste ou fazer um piquenique? Vá ao Cişmigiu Garden (metrô Universitate), o principal e mais belo parque da cidade.
Andando por Bucareste você vai topar com uma série de igrejas e monastérios interessantes.
Um deles é o Antim Monastery, um lindo monastério construído em 1715 e hoje rodeado de edifícios da era comunista. Fica na Str Antim 29 (metrô Piaţa Unirii), funciona das 7hs às 20hs.
Encravada numa esquina no meio de uma das zonas mais movimentadas de Bucareste está a Stavropoleos Church, uma igreja pequena mas super charmosa construída em 1724.
Desde o seu exterior em estilo ortodoxo ao interior cheio de tumbas de pedra e estrutura de madeira, ela tem tudo o que se espera de uma típica igreja ortoxa.
Fica na Str Stavropoleos 4 (metrô Piaţa Unirii); e abre diariamente das 7hs às 20hs.
Ali perto também fica a Old Princely Court Church (Biserica Curtea Veche), datada de 1546 é considerada a mais antiga da cidade. Fica na Str Franceză, abre 7h às 20hs (metrô Piaţa Unirii).
Outra importante igreja local é a New St George’s Church (Biserica Sfântul Gheorghe-Nou) que data de 1699 e tem uma série de reis e príncipes da Wallachia enterrados lá. Fica na esquina da Str Lipscani com B-dul Brătianu (metrô Universitate); abre diariamente das 8hs às 18hs.
Se você quiser conhecer um pouco mais sobre a história da Romênia, sugiro visitar o National History Museum (Muzeul Naţional de Istorie a Romaniei) que traz a história do país desde os tempos da dominação romana.
Aliás é na sua escadaria que fica uma das atrações mais controversas de Bucareste junto com o Palácio do Parlamento, a estátua do Imperador Trajano.
A estátua é meio que um meme local porque o Trajano não está trajando nada (não poderia perder a piada de 5ª. Série!) e segura no seu colo uma loba. Muitos donos de cachorro tiram foto com seus pets imitando a pose.
O museu fica na Calea Victoriei 12; o ingresso custa 27/7 lei (adulto/criança) e funciona das 10hs às 18hs (metrô Piaţa Unirii).
Uma curiosidade é que Bucareste também tem seu Arco do Triunfo, ou melhor seu Arcul de Triumf em bom romeno.
Ao norte da cidade, também numa rotatória, foi construído ainda em 1878 a primeira versão do arco que naquela época foi feito de madeira mesmo para comemorar a independência da Romênia.
Depois fizeram um em 1922 com o fim da Primeira Guerra Mundial, mas ela também acabou sendo temporária pois quiseram fazer um mais robusto, de granito, que só foi inaugurado em 1936.
Ele tem 27m de altura e sua base mede 25m x 11m.
Assim como o de Paris, uma escadaria interna foi construída para que os visitantes pudessem subir até o topo do arco e olhar para a cidade. E também tem um pequeno museu.
Todo 1º de dezembro, que marca o Dia Nacional da Romênia, acontece ali um desfile militar.
A nossa próxima recomendação de parada em Bucareste é um combo perfeito de atração e comida/bebida.
Explico, a Caru’ cu Bere é um misto de restaurante e cervejaria que literalmente brilha aos olhos e dá água na boca.
É a mais antiga cervejaria de Bucareste e serve comida típica romena.
Fica na Str Stavropoleos 3-5 (metrô Piaţa Unirii); funciona das 8hs às 0h00 de domingo à quinta, e até as 2h00 na sexta e sábado. Para o jantar reservas são essenciais.
Agora se você procura por um lugar bacana para comer, não deixe de conferir os arredores da Strada Covaci, que é um conjunto de ruas exclusivas para pedestres onde existe a maior concentração de restaurantes e bares de Bucareste. Imperdível!!!
Depois disso, sugiro ir gastar as calorias pelas ruas da cidade!
E aí, bora conhecer a capital da Romênia???



















































