Eu sei que a primeira coisa que as pessoas pensam sobre uma viagem à África do Sul é fazer um safari, quando muito conhecer Cape Town. Mas e se eu te disser que existe uma região de praias lindas e cidades super charmosas no meio do caminho? Bem vindo à Garden Route!!!
A Garden Route é uma das mais belas regiões da África do Sul e se você tiver oportunidade de esticar o seu itinerário para um pouco além dos safaris do Parque Kruger e das belezs de Cape Town, este é o destino.
Como dito acima, a Garden Route representa o lado B – e nem por isso menos interessante – da África do Sul com suas montanhas, mar e cidades lindíssimas.
Mas onde fica Garden Route ao final?
Ela está situada a oeste de Cape Town, num trecho que se estende por cerca de 300 km, de Mossel Bay, a oeste, até um pouco além de Plettenberg Bay – quase chegando na antiga Port Elizabeth, atualmente chamada Guquebera.
O charme da região está na sua geografia porque é uma área costeira com praias lindas prensadas entre o já Oceano Índico e as montanhas da região.
Não é à toa que uma parte considerável do seu território é parte do Parque Nacional Garden Route.
Um deleite cênico perfeito para uma road-trip.
Como costumamos fazer, antes de tratarmos das atrações em si, vamos ver algumas dicas práticas para você curtir a cidade ao máximo e otimizar seu tempo na Garden Route.
Dizem que o tempo ideal para fazer esta road-trip seria uns 5 dias para curtir com mais calma.
A quantidade de paradas estratégicas que você pode fazer neste roteiro é considerável. Para citar apenas algumas temos no sentido oeste-leste, Mossel Bay; George; Wilderness; Knysna; Plettenberg Bay; Jeffreys Bay e muito mais.
Dá para fazer com menos dias?
Olha, a gente tinha apenas 3 dias e tivemos que optar por ver apenas o essencial e mesmo assim num ritmo um pouco mais corrido.
Valeu a pena? Sim, muito.
Primeiro porque era um trecho de viagem que fazia falta, meio que como para completar o quebra-cabeça, para não ficarmos entre “apenas” Cape Town e o safari, e assim termos uma experiência mais completa na África do Sul.
Optando por fazer em menos dias, você vai precisar otimizar bastante os seus deslocamentos.
Esta é uma região da África do Sul que é praticamente inacessível para quem não está com um carro alugado.
Estudando sobre o roteiro, não vi nenhuma outra opção que não seja você alugar um carro, seja em Cape Town ou em Guquebera para percorrê-la. Fora isso, só se você conseguir achar algum tour específico numa agência especializada.
O nosso roteiro abaixo, foi montado pensando no sentido oeste à leste, ou seja, Mossel Bay à Plettenberg Bay. Mas você pode fazer no sentido contrário tranquilamente.
Um dos desafios na montagem de um roteiro pela Garden Route é escolher uma base para a partir dela explorar a região.
Vendo as opções de cidades considero como opções para servirem de bases, sejam para pernoites sejam para dali fazer o bate-e-volta para outras atrações nos arredores, as cidades de Knysna ou Plettenberg Bay. Deixei Mossel Bay de fora porque ela me parece mais distante, embora não menos interessante.
Como tínhamos apenas 3 dias, achei inconveniente ficar pingando cada dia numa cidade, justamente porque seria muito corrido.
Se tivéssemos uns 5 dias, aí sim, teria feito por exemplo 1 dia em Mossel Bay, 2 em Knysna e mais 2 em Plettenberg Bay.
Mas com um itinerário mais apertado, ficar todos os dias trocando de hotel seria chato demais. Ainda por cima porque foram os dias 30 e 31 de dezembro e 1º. de janeiro, quando sabidamente muita coisa fecha e acabaríamos nos complicando.
Neste contexto todo, optei por estabelecer a nossa base em Knysna e usar praticamente um dia para cada uma das cidades acima citadas.
O lado ruim disso foi que a alta temporada é justamente no verão e Knysna é a cidade mais concorrida para se hospedar. Dai você já pode imaginar que as diárias de hotel disparam, né?
Isso nos leva à questão de onde hospedar na Garden Route, o que é claro passa pela definição da (ou das) sua base para explorar a região.
Como dito acima, a nossa escolha foi Knysna, porque a partir dela conseguimos conhecer Mossel Bay na ida até lá, e ainda um dia para Knysna e outro para Plettenberg Bay que fica não mais do que 30min. / 30km. Perfeito!!!
Além da ideia de otimizar os deslocamentos vs. tempo que dispúnhamos, Knysna trouxe outro elemento: seu charme.
Estudando sobre a cidade, notamos que seria um destino diferente.
Ela está à beira de uma lagoa, mas a curta distância de praias bem interessantes. Tudo isso sem abrir mão de uma infraestrutura bem completa e diverdade de opções de hotéis.
É bem verdade que por um vacilo meu por desconhecer que a cidade e toda a região lotam no Ano Novo, quando fui fazer a busca, boa parte dos hotéis já não tinham mais vagas.
Então, se você for viajar nesta época ou até mesmo no verão, saiba que esta é não só a melhor época em termos de clima, como também a alta temporada.
Dito isso, saiba que a variedade de estilos de hotéis é grande apesar de haver um predomínio maior de charmosas propriedades menores em relação à hotéis maiores e mais ainda em comparação a resorts.
Some a isso uma grande quantidade de imóveis para alugar que podem ser uma boa opção também.
Olhando as opções de hospedagem em Knysna, a nossa escolha para esta viagem foi o Knysna Manor House que atendeu super bem às nossas expectativas e que você pode reservar via Booking.com e ajudar a manter o Cumbicão. A experiência que detalharei em breve aqui no site.
Situada na porta de entrada oeste da Garden Route, Mossel Bay é conhecida por duas coisas: suas ondas, umas das melhores para o surf na África do Sul, e sua história.
Como surfar não é a minha praia, apesar de uma breve experiência no Havaí, vou focar na história mesmo.
Engana-se quem pensa que a história desta região ao sul do continente africano começou com os exploradores portugueses Bartolomeu Dias e Vasco da Gama no final do século XV.
A longa história de Mossel Bay começa com vestígios de nossos primeiros ancestrais humanos. Sim, nada menos do que isso!!!
Em meio a uma região que tem de um lado o mar cheio de rochedos (zero praias) de um lado e campos de golfe maravilhosos do outro, está um dos sítios arqueológicos mais importantes do mundo.
Com o nome nada humilde, mas plenamente justificável de Point of Human Origins, este é um sítio arqueológico literalmente da Idade da Pedra.
Infelizmente não consegui visitar porque já não tinha mais datas para o tour, que precisa ser reservado com bastante antecedência. 😢
Indo muito mais à frente na linha do tempo da história local, visite o Bartolomeu Dias Museum Complex.
Nele você não só aprende mais sobre o a aventura do navegador português que descobriu o caminho para o Oriente, como também vê uma réplica em tamanho real do navio utilizado por ele em 1488. Incrível que tenham feito ago assim tão grandioso num baco tão pequeno.
Como parte do museu você pode conhecer algo bastante diferente, a Post Office Tree.
No início do século XVI um capitão de navio português chamado Pêro de Ataíde, perdeu sua frota ao encalhar na Baía de Mossel. Diante deste infortúnio, ele escreveu uma mensagem para seu colega explorador, João da Nova, detalhando sua situação, e a guardou em uma bota velha pendurada em uma árvore de leite.
Incrivelmente, sua mensagem foi posteriormente recuperada pelo destinatário pretendido, marcando o início da primeira estação de correios da África do Sul.
Desde então, esta árvore serviu como um ponto de comunicação, com marinheiros e viajantes que passavam por ela para enviar e receber correspondências.
Hoje, você pode enviar cartas para qualquer lugar do mundo a partir da caixa de correio gigante em forma de bota.
Ainda em Mossel Bay, vale dar uma espiada nas praias da cidade e nos arredores, como por exemplo Santos Beach que é mais próxima ao centro da cidade e também Diaz Beach que fica mais ao norte e é mais ampla.
A nossa próxima parada tem um nome difícil, mas é fácil se encantar com ela.
Knysna, que se pronuncia algo como “niznah”, é para muitos a mais bela das cidades da Garden Route e acabou sendo a nossa base para explorar a região.
Boa parte desta fama deve-se ao fato de que ela está situada justamente na foz do Rio Knysna, formando uma lagoa que desemboca no mar.
Algo simplesmente indescritível, com direito à ilha no meio da lagoa e tudo!
O melhor lugar para entender e admirar a geografia local é a região de Heads, na entrada da lagoa.
Não deixe de ir ao Knysna Heads View Point (marcado no mapa acima). De um lado você vê o agitado Oceano Índico, e de outro a tranquila lagoa, um contraste perfeito.
Ah, mas Knysna não tem praias, reclamariam alguns.
Sim, estando à beira da lagoa, Knysna não tem praias, apenas uma sequencia de marinas.
Mas isso é facilmente corrigido graças a um lugar lindo situado poucos quilômetros ao sul, chamado Brenton-on-Sea.
Não confunda com simplesmente Brenton que não tem praias e fica um pouco mais ao norte, voltada para a lagoa – eh, a África do Sul tem destas coisas de nomes quase iguais.
Enfim, Brenton-on-Sea é um charmoso vilarejo à beira mar onde você pode (e deve!) passar ao menos uma manhã relaxando na praia Brenton On Sea Beach – criatividade não é o forte da galera ali…
É uma praia tranquila, quase deserta, sem muita infraestrutura também. Tem estacionamento fácil e só!
Outra opção é dar uma esticadinha de uns 15 minutos até a cidade vizinha de Wilderness para visitar a praia de Wilderness Beach.
No caminho para a praia, não deixe de reparar nas casas e hotéis de luxo que existem por ali.
Especialmente no final do dia, aproveite para caminhar pelo Knysna Waterfront, um misto de shopping com pier à beira da lagoa, bem no centro da cidade.
Além da lagoa, a cidade Knysna é conhecida como sendo a terra das ostras. Portanto se você curte esta iguaria, aproveite!
Se Knysna não tem praias, a principal razão para você visitar Plettenberg Bay é justamente as suas praias.
Quase que tão concorrida quanto a sua vizinha Knysna, especialmente no verão, esta cidade litorânea é repleta de praias bem interessantes e super próximas do seu centro, o que facilita demais conhecer ao menos algumas delas.
Distando apenas 37km, não mais que uns 30 minutos de carro, dá para você ficar em Knysna e fazer um delicioso bate-e-volta até Plettenberg Bay.
Sugiro começar ao sul, pela longa The Wreck Beach, que conta inclusive com um interessante mirante em The Wreck Beach View Point (vide mapa).
Depois você pode cruzar o Piesangriver e visitar a Central Beach, que talvez seja a mais interessante delas com o seu formato recortado.
E ao norte está Lookout Beach com seus bancos de areia formados a partir do Rio Keurbooms.
Agora, uma das melhores atrações da Garden Route, eu preciso deixar para um post específico de tão interessante que ela é. Estou falando do Knysna Elephant Park, um santuário que acolhe elefantes abandonados.
Simplesmente imperdível, confira esta experiência completa aqui.
Vamos finalmente ao principal motivo para termos escolhido conhecer a Garden Route!!!
Criado em 1964, na província de Eastern Cape, mais precisamente ao longo da Rota 62 (nome oficial da Garden Route), aproximadamente no meio do caminho entre as cidades de Guquebera e Plettenberg Bay, o Tsitsikamma National Park é uma das joias mais preciosas da África do Sul.
Justamente por ficar entre as montanhas ao norte e o mar ao sul, é um destino imperdível para os amantes da natureza e aventura.
Sua área total é bastante significativa, cobrindo ao todo mais de 1.210 km². É uma faixa costeira de aproximadamente 5 km para o interior, protegendo tanto o ambiente marinho quanto a floresta.
Olhando para o lado da costa, os mais aventureiros podem encarar a Otter Trail.
Considerada uma das melhores trilhas de múltiplos dias do mundo, a Otter Trail tem 42 km de extensão e leva 5 dias para ser completada. Ela percorre a costa selvagem, passando por praias intocadas, florestas e desfiladeiros, com acampamentos exclusivos ao longo do caminho.
Alguns quilômetros antes da Storm River Village, pegue uma saída à direita e aproveite para admirar uma das paisagens mais famosas do Tsitsikamma National Park, a Storm River Suspension Bridge.
Basta você estacionar o carro no estacionamento localizado na entrada da trilha e percorrer não mais do que 20min. de trilha tranquila no meio da mata para chegar à foz do Storm River, onde ele encontra-se com o mar.
Aproveite para cruzar a ponte suspensa e ter uma vista incrível da região.
A ponte tem 77m de comprimento e comporta apenas 25 pessoas por vez. Mas não precisa ter medo não.
Vale a pena completar todo o trajeto até uma pequena praia do outro lado do rio para poder visitar e molhar os pés numa pequena praia que fica ali.
Toda esta trilha é muito tranquila e você leva não mais do que uns 40 minutos caminhando ali. E olha que certamente você vai querer parar toda hora para tirar fotos, já que a paisagem é fantástica:
Outra atividade muito bacana, mas relativamente cara é o passeio de caiaque pelo Storm River. É um passeio que começa na praia próxima à entrada e vai até o cânion do Storm River.
Na volta da trilha, uma sugestão é relaxar na praia que fica junto ao edifício principal do parque. Eventualmente ela pode ser um pouco mais concorrida, mas vale a pena.
Para entrar no parque existe uma pequena taxa de ZAR 326 adultos (12+) e ZAR 163 crianças (2-11 anos).
Ah, um detalhe importante… Não confunda com a Storm River Bridge que fica na rodovia N2 que é mais distante da costa.
Voltando para a estrada N2, pouco depois da saída da Storm River Suspension Bridge, visite a Big Tree.
Quando eu digo grande, é muito grande.
Trata-se de um antigo Yellowwood com mais de 800 anos de idade e 36 metros de altura. Coisa que não se vê todos os dias.
O ponto final da Garden Route para a gente foi a cidade de Guquebera, antigamente e muitas vezes ainda chamada Port Elizabeth, uma das maiores cidades da África do Sul, com 1.3 milhões de habitantes.
Embora seja uma cidade grande, especialmente se comparada às demais cidades da Garden Route, ela é uma das que tem as melhores praias e possui uma grande identidade, inclusive histórica com o mar.
Inclusive a parte do seu litoral voltado para a baia é parte de um parque nacional marinho onde de maior a julho, ocorre a famosa Sardine Run, um evento que reúne diversas espécies marinhas em busca deste alimento que chega ali em enormes cardumes.
Busque aí os vídeos e deixe-se impressionar pelo espetáculo da natureza.
O antigo nome da cidade, Port Elizabeth tem origem justamente com a sua fundação, em 1820 pelos colonos britânicos se mudaram para a área.
Mas porque mudaram o nome? Na verdade, várias outras cidades da região mudaram de nome nos últimos anos.
A ideia das autoridades locais foi refletir a cultura local e a língua, afastando-se dos nomes da época do colonialismo britânico. A mudança de nome ocorrida em fevereiro de 2021 homenageia o nome xhosa para o rio Baakens, que atravessa a cidade.
Apesar disso tudo, o que nos trouxe à Guquebera não foi a cidade em si, mas sim um parque nacional chamado Addo Elephant National Park, um dos melhores parques nacionais da África do Sul para apreciar animais em seu habitat selvagem.
Se você pretende curtir praias em Guquebera, vai ser preciso sair da área central e deslocar-se mais para o sul.
A primeira delas é a King’s Beach, que tem inclusive um parque à beira mar bem agradável, com playground e pistas de skate.
Desça pela Beach Road e Marine Road para a partir dali avistar uma série de outras praias.
Faça uma parada no Shark Rock Pier para uma vista incrível do oceano Índico. O mesmo vale para o ponto Pollok Beach Rock Pool, onde começa a Pollok Beach.
Se quiser, dá para ir mais a além até a Secrets Beach no extremo sul.
E aí? Te convenci que vale incluir a Garden Route no seu roteiro de viagem pela África do Sul?
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