1 de abril de 2012

Flight Review - QANTAS

Céu de brigadeiro emoldurado pela asa de um Jumbão!
O que fazer em um vôo longo? Escrever um post para passar o tempo, é claro!
Curiosamente sempre tive uma vontade enorme de voar em algumas companhias aéreas menos usuais para nos brasileiros, ou seja, naquelas que não operam vôos para o Brasil. Nesta linha tive a felicidade de voar na JAL e na El Al antes que elas encerrassem, espero que apenas temporariamente, as suas operações em terras tupiniquins.
Seja pelo fascínio pela Austrália, que sempre despertou uma enorme curiosidade no meu imaginário por conta da enorme distância e características tão próprias, seja pelo fato de sempre ouvir excelentes comentários a respeito da Qantas (pronuncia-se cantas – e significa Queensland and Northern Territory Aerial Services), sempre desejei voar com eles.
Jumbo da Qantas no finger do Aeroporto de Johannesburg.

E foi numa promoção da South African Airlines que esta oportunidade surgiu. Consegui dois bilhetes classe econômica para o trecho São Paulo à Johannesburg – conexão de 10hs – e Johannesburg à Sydney, pelo preço praticamente equivalente a passagens para a Europa, o que me pareceu uma ótima pedida para um destino tão diferente - e distante.
Embora ela opere com 12 aviões do modelo A380; para o trecho selecionado, voamos num Boeing 747-400, vulgo Jumbo, afinal pelo preço pago esperar ir num A380 já era demais. Na verdade os aviões A380 são usados nas rotas mais lucrativas e com maiores freqüências, como Londres-Sydney ou Los Angeles – Sydney (neste caso dois vôos diários!!!).
Aviões no pátio de Sydney.
Nosso jumbo da Qantas em Sydney.
Espero que futuramente Brasil passe a fazer parte deste grupo seleto – afinal estamos nos tornando um mercado mais que emergente para o turismo internacional dada a crise Européia, só falta atrair uma quantidade maior de turistas para cá.
Embora a área de check-in em Johanesburgo seja um pouco tímida para uma empresa deste porte, o procedimento foi bastante tranqüilo e eficiente. Em Sydney, jogando em casa, a Qantas dispõe de um espaço enorme no moderno terminal internacional, o que tornou o procedimento já eficiente em Johanesburgo, mais tranqüilo e rápido.
Interessante que, como o visto australiano é eletrônico, nada é colado no seu passaporte – oportunamente falaremos a respeito - , a própria empresa verifica no sistema informatizado se você está ok para entrar no país.
Outra questão interessante é que como a Austrália é uma enorme ilha isolada de tudo, o controle sanitário por razões ambientais é enorme. Portanto, espere várias perguntas e proibições de embarque com comida, artigos de origem animal ou vegetal.
Para este vôo, na classe econômica, são permitidos dois volumes de 23kg cada para serem despachados como bagagem, e mais um volume de 7kg para ser levado como mala de bordo – particularmente sugiro não passar de um volume com 23kg, pois certamente você terá problemas se for fazer vôos regionais que limitam a bagagem a apenas um volume de 23kg.
O vôo partiu de Johanesburgo às 17h50 do sábado e chegou em Sydney por volta das 14h25 do domingo – horários locais, como prometido. Pontualidade excelente. Já no trecho inverso, a partida também respeitou os horários programados, decolando aproximadamente às 10h25 e chegando em Johanesburgo às 15h30, também horários locais.
Ufa, "só" faltam 1:40. Depois de tanto tempo, qualquer minuto é uma eternidade.
A tela, embora individual poderia ser maior.
Em linhas gerais, a ida leva 10 horas e a volta, como a rota é mais próxima do Pólo Sul, leva praticamente 12 horas. Um verdadeiro chá de avião, para não falar do trecho São Paulo – Johanesburgo que é de aproximadamente 8 horas.
Em que pese o Boeing 747-400 (a Qantas tem “apenas” 25 deles) ser um avião um pouco mais antigo, o estado de conservação da aeronave estava acima dos padrões para uma aeronave desta geração.
A Qantas opera vôos de longa distância como este com 4 classes: Primeira, Executiva, Economica Premium e Economica. 
Uma olhadinha na business
Mesmo voando de econômica, considero que o conforto e o espaço do assento esteja um pouco acima da média, pois o espaço para as pernas e o grau de inclinação das poltronas são excelentes, mesmo para os meus 1,83m de altura.
Como um todo, o atendimento da empresa é bastante eficiente e gentil. Mesmo no check-in, que é um procedimento padrão, a gentileza impressionou – faz parte da cultura Aussie o bom humor. Assim, não poderíamos esperar nada diferente da tripulação de bordo, que além de numerosa, atendeu algumas necessidades especiais – crianças e bebês – de forma bastante prestativa.
Nos assentos, antes mesmo da chegada dos passageiros, estão à disposição um travesseiro (até que grande demais, mas excelente), uma coberta, e um kit com tapa olhos, pasta e escova de dente, além do fone de ouvido – o que tem sido um padrão para quase todas as empresas em vôos mais longos.
Kit conforto e menu com boas opções de bebidas e refeições.
E por falar em vôo longo, como em qualquer vôo da Qantas são cruzados inevitavelmente vários fusos horários, existe a necessidade de criar a sensação de noite para minimizar o jet-lag. O nosso vôo de volta, por exemplo foi realizado integralmente com a luz do dia (12 horas para ser mais exato), a tripulação solicitou o fechamento das janelas para criar a sensação de noite e facilitar o sono.
Um fato interessante, especialmente para aqueles mais acostumados a empresas do tipo low-cost, ou até mesmo com a TAM e a Gol, é a quantidade de comida e bebida servida a bordo. Já tive oportunidade de voar com uma boa quantidade de empresas, e nunca comi e bebi tanto a bordo, um verdadeiro banquete.
Até mesmo por ser uma empresa acostumada a vôos longos – afinal a Austrália está isolada de quase tudo, salvo seus vizinhos kiwis – é dada uma atenção especial à comida e ao entretenimento à bordo.
Logo na primeira oportunidade é distribuído o menu para você já escolher o que quer.
Tanto na ida quanto na volta foram servidas duas refeições principais com duas ou três opções diferentes. 
Na volta, carne, purê com ervilhas. Tiramisu e cerveja australiana.
Na ida, a primeira refeição foi carne com arroz e vegetais com frisante australiano.
De sobremesa, um delicioso pudim com frutas vermelhas.
Na ida, a segunda refeição foi mais leve. Uma salada de frutas, iogurte, e frios com um
ovo cozido e espinafre. Estranho, mas ainda gostoso. 
Entre as refeições, além da possibilidade de dar uma caminhada (altamente e expressamente recomendável a todos os passageiros por razões de saúde – trombose), uma visita à cozinha sempre rende bebidas e petiscos generosamente servidos.
Entre uma refeição e outra, eles serviram, na ida, um saquinho de guloseimas da foto abaixo, e na volta, uma mini-pizza de queijo com rodelas de abobrinha – algo que nunca imaginei comer em um avião - , além de maçã; musly; e bolachas salgadas com queijo.
A simpática sacolinha com guloseimas e água...
Ajuda a matar o tempo junto com um bom filme - e haja tempo para matar!!!
Suco de laranja, maçã, água, chá de menta (tradição local), café e chocolate quente são servidos frequentemente.
Um chazinho de menta para ir entrando no clima Aussie.
Fiquei um bom tempo pensando como deve ser o serviço na first class. Me senti farto só de imaginar. Rsss.
Um dos pousos mais suaves que já tive, quase nem percebi.
Nesta mesma linha, fica um destaque especial para o entretenimento a bordo. No esquema já consagrado e utilizado pela maioria das empresas aéreas internacionais, mesmo em vôos regionais ou domésticos é oferecida em telas individuais uma enorme gama de opções – as nossas nacionais poderiam aprender um pouco mais neste quesito para vôos curtos.
São disponibilizados filmes recém lançados, além de clássicos, desenhos, games, documentários variados, e alguns canais de televisão; além de música variada, programas de rádio e áudio books. Fica aqui apenas uma pequena observação pois durante aproximadamente 1 hora houve um black-out do sistema que teve que ser reiniciado para todo o avião –, acontece.
Outra observação é que a tela é de apenas 11”, o que é ainda aceitável se considerarmos tratar-se de um 747-400.
Enfim, após tantas horas de vôo e de um ótimo serviço prestado, passarei a ver aqueles aviões com o icônico canguru (ou rrus para os locais), como uma agradável e simpática lembrança, e uma dose de saudades também.
Boa experiência!

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