20 de maio de 2014

Dicas do Japão (IX) - Tóquio: Onde comer e Noções da culinária japonesa


Não sou nenhum especialista em culinária nem tampouco trabalho no ramo de restaurantes.


Mas é nítido que nos principais centros urbanos brasileiros tivemos nos últimos anos uma enorme expansão da quantidade de restaurantes japoneses. Dias destes, perto da minha casa, contei uns 5 dos bons.

Acho que finalmente os brasileiros se renderam aos hashis – sim, este é o nome correto dos “pauzinhos”.

Confesso que eu mesmo demorei para me render à culinária japonesa, tanto que “perdi” neste aspecto a minha segunda viagem ao Japão. Sim, momento “que Mané!”.

Assim, quem vai ao Japão, e gosta da culinária local, irá passar muito bem e descobrirá que ela vai muito além do ardido wassabi e do macio (e caro) bife Kobe. Mas quem não aprecia tanto a culinária local não precisa se desesperar, pois existem opções para todos os paladares.

Dada a falta de grandes extensões de terras cultiváveis, os japoneses retiram dos mares boa parte dos itens necessários à subsistência. Todavia é da terra que eles tiram a base da culinária: o arroz, ou kome (go-han = comida que vai arroz). O Japão é um dos maiores consumidores de arroz do mundo.
É do mar que sai boa parte dos alimentos.
Para quem gosta, não dá para sair do Japão sem provar alguns, vários, ou muitos sushis e sashimis. Para quem não está habituado, tradicionalmente o sushi é peixe cru com arroz, e o sashimi (ou o-tsukuri) é o mesmo, porém sem arroz.

Para guardar ao menos o básico do nome dos principais peixes/frutos do mar: maguro = atum; ikura = salmão; e kani = caranguejo.

No mais é tudo bem parecido com o que temos aqui: shoyu, wassabi, gengibre (gari) e etc. Só não espere encontrar aquelas variações brasileiras, como sushi com goiabada, calda de maracujá ou pimenta. Pois é, aqui em São Paulo existem algumas variações (“bizarrisses” na minha opinião) capazes de deixar qualquer japonês tradicional maluco.

Deixo apenas um pequeno aviso. Quem frequenta restaurantes japoneses aqui no Brasil já deve saber que embora seja muito nutritiva, não é uma refeição barata.
Salada,
Carne,
Sashimi.
E um recadinho simpático para o casal gaijin (estrangeiro) no Toto Tori em Shinjuku. Recomendo!
Lá, com o “custo Japão” embutido então... O preço de uma refeição à base de sushi e sashimi fica ainda mais alto. Então, prepare o bolso. Espere gastar algo em torno de 5.000 ienes por pessoa, algo como R$ 108. Olhando apenas os valores até que pode parecer razoável. O problema está no fato de que na grande maioria dos restaurantes, as porções são muito, mas muito pequenas – para mim serviriam como petisco apenas.

Lá pede-se por peça ou pequenos conjuntos. Barcas? Rodízio? É coisa de brasileiro, infelizmente.

Então por este valor você pode esperar pequenos pratos, e não refeições fartas.

Portanto almoçar ou jantar exclusivamente sushi e sashimi pode sair tão caro quanto fazer este tipo de refeição num bar de tapas na Espanha. Isto porque, tradicionalmente a maioria dos japoneses usam estes pratos como algo excepcional e não comida do dia-a-dia. Que pena!

Importante deixar claro que isto se aplica aos restaurantes propriamente ditos.

Digo isto porque existem alguns esquemas para quem quiser comer sushis e sashimis a preços mais saborosos.

O primeiro deles é pedir um bento (prato pronto) numa loja de conveniência ou no departamento de comidas situados nos subsolos das “depatos”, as lojas de departamento japonesas. O custo será muito menor.
Por algo entre R$ 8 - R$ 10 está excelente.
Vocês podem até pensar que neste esquema não seja fresco e gostoso. Ledo engano, os sushis e sashimis que comi neste esquema estavam tão ou mais saborosos que de muito restaurante brasileiro.

Saibam que os japoneses consomem, e muito, refeições neste estilo.

Outra excelente opção que já mostramos num post anterior, é ir comer no mercado de peixes, o Tsukiji Fish Market, o mercado de peixes local. Com várias barracas vendendo sushis e sashimis ultra-frescos a preços justíssimos (leia-se barato), você ainda curte um passeio dos mais típicos e diferentes de Tóquio.
Meu Negitoro Don no Tsukiji Fish Market.
Mais uma boa opção é ir a um tipo de restaurante chamado kaiten-zushi, onde você se senta diante de um balcão com uma esteira rolante na qual os pratos vão passando à sua frente. Você pega diretamente o prato que deseja e ao final lhe será cobrado conforme a quantidade e tipo de pratos que tiver (existe um esquema de cores e preços num display). Bem divertidos, economiza-se bastante se comparado a um restaurante tradicional. A conta sai entre 1.000 e 2.000 ienes. Beeem melhor!

Os mais famosos são os da rede Kappa. Tem em vários lugares e os pratos custam em média uns 105 ienes.

Saindo um pouco da dupla sushi-sashimi, aproveite ainda para experimentar os tradicionais rãmen ou noodles; aquelas sopas de macarrão. Tem rãmen de tudo quanto é tipo. Natural ou instantâneo, eles podem ser grossos (kotteri) ou finos (assari). É algo tão típico, que estima serem servidas nada menos que 5 bilhões de porções ao ano!

Para nós pode parecer, digamos assim... falta de educação fazer aquele barulho de aspiração ao comer rãmen. Mas para eles isto é comum e até esperado – lembre-se: todos estão comendo de rashi, e não é nada fácil tomar sopa de macarrão com eles...
Nos mercados de lá tem até corredor só de Rãmen.
Um excelente lugar para comê-los, além dos típicos restaurantes, aqueles bem pequenos e frequentado por locais, existe a rede de lojas Sugakiya com unidades em tudo quanto é canto.

Eu sempre vi o tofu como algo sem graça, ali boiando no misoshiru, mas dadas as enormes variedades lá encontradas, pode ser algo bastante interessante. Uma das variáveis que chama a atenção é aquela em que ele vem em fatias fritas em óleo de gergelim com shoyu, chamado abura-age.

Algo que eu nunca comi no Brasil, mas que é relativamente fácil achar pelas ruas de Tóquio são os Takoyaki, uma espécie de bolinho de polvo. Outro prato que pode ser achado em feiras de rua é o Okonomiyake, uma panqueca super recheada.

Some ainda os conhecidos yakisoba; tempura; gyoza.

Fora isso ainda tem o venenoso baiacu (fugu para eles) – os cozinheiros que o preparam são habilitados / licenciados no preparo desta perigosa iguaria.
Olha ele ai!
Uma coisa que eu já sabia, mas que mesmo assim choca ao ver, é o preço das frutas. Caríssimas, de uma qualidade incrível, até parece que elas não são naturais de tão belas.

Para eles, fruta não é algo do dia-a-dia, mas sim um artigo de luxo para ser comido de vez em quando. Lá, ir à casa de alguém e presentear o anfitrião com frutas é algo extremamente chique.
Imagina chegar numa festa de aniversário com uma destas no Brasil!?!? Ah, isto dá uns R$230.
Ok, as uvas são enormes, mas R$67 o cacho é demais.
Lá quase todas as frutas são vendidas por unidades, até mesmo porque elas parecem bem uniformes.
Nem banana escapa. Ao custo de uns R$ 6,50 cada!
Incrível que os sucos naturais não eram tão caros assim.
Fico imaginando aparecer na casa de alguém com uma melancia e dizer “trouxe um presentão para você”. Queridos amigos, já sabem o que levarei de presente ao ser convidado para jantar... Nada de vinho ou sorvetes caseiros da Sra. Cumbicona!

Mais uma para lista de “só no Japão mesmo!”.

Legal, tudo bom e nutritivo, mas como escolher os pratos. Bem se tem algo típico em relação a comer no Japão são as comidas de plástico expostas nas vitrines dos restaurantes. Pois é, não sei se para chamar a freguesia ou sei lá o que, o fato é que com tais reproduções fiéis – e porque não artísticas – dos pratos, eles acabaram facilitando e muito a vida dos turistas.
Às vezes, o cardápio é só em inglês. 
Acreditem, tudo isto é plástico.
Mas nem sempre as coisas parecem gostosas.
Assim, se o cardápio não está em inglês ou você não entendeu, apele para o famoso: “quero um daquele ali”.

Embora existam redes de fast-food por lá, se você quiser algo mais tradicional, prefira os bentôs, que são pequenas caixas com refeições no melhor estilo take away. Baratas e nutritivas são excelentes para quem não quer parar para comer num restaurante.
Bentô, excelente opção de refeição.
E tem várias opções.
Ah! Embora espere-se que vocês se rendam aos hábitos locais e usem os hashis, para quem não se adaptar, fica a dica: faca = naifu; garfo = foku; e colher = supum – nossa parece inglês!

Para aqueles que são formiga como eu, saibam que os japoneses fazem muitos doces. Aliás se você ver alguma padaria, como uma da rede Andersen, aproveite. Os pães, na sua maioria doces, são deliciosos.
Uma das padarias que se vê pelas ruas de Tóquio.
Além dos tradicionais doces de feijão (minha perdição), eles fazem doces de tudo quanto é tipo, até mesmo de gergelim. 

Existem também muitas balas coloridas e sorvetes bem diferentes. Só os chocolates é que deixaram a desejar... apenas marcas importadas.
Como se faz de forma tradicional a massa do doce de feijão.
Pizza doce. 
Picolé para refrescar o calor do verão.
Rosquinhas.
As balas super coloridas são um deleite para o olhos.
Até mesmo por conta da falta de espaço nas cidades, vocês não encontrarão grandes supermercados como temos aqui ou na terra do Tio Sam. Também, pelas dimensões das casas japonesas não daria para fazer grandes estoques de comida.

São comuns vendinhas e os supermercados existentes estão no subsolo da maioria das “depatos”.

Mesmo sendo às vezes difícil entender os rótulos, é como eu sempre digo, um passeio ao supermercado é uma verdadeira imersão na cultura local. Não perca!
"Entender" os rótulos é uma missão.
De ovo cozido pronto para esquentar e comer
À sopa de milho para tomar de canudinho, tem muita coisa diferente nos supermercados japoneses.
Se você cansar da comida local, ou simplesmente não curtir peixe cru e etc., a minha sugestão é que você não apele para aquela “rede de lanches do palhaço”. Sou da turma que, no exterior, só apela para isto no caso de estado de necessidade extrema.

Vá de lanches naturais. Da mesma forma como fizemos em Londres, usamos e abusamos dos lanches naturais nas refeições rápidas durante o dia.
Baratos, saborosos e nutritivos.
Family Mart, uma das três grandes redes que são a salvação do turista em Tóquio.
Nutritivos, saborosos e baratos, vocês encontram, principalmente nas estações mais quentes do ano, uma grande variedade de lanches naturais nas onipresentes lojas de conveniência.

As lojas das redes Lawson, Family Mart (salvo engano de origem coreana) e da mundialmente conhecida 7Eleven salvam a vida do turista no Japão – esta última é muito útil para saque de ienes, como contamos anteriormente.

Já em termos de bebidas, não dava para deixar de citar o tão tradicional saquê. Preparado a base de arroz fermentado desde o século III e com um teor alcoólico de aproximadamente 16%, é considerada a bebida nacional.

Você brasileiríssimo não invente de querer pedir uma caipirinha de saquê hein! Embora eu não ache difícil os japoneses já conhecerem esta variação da nossa tradicional caipirinha, acho pouco difícil eles largarem a versão tradicional, puro mesmo e sem gelo.

Apesar do saquê ser bastante tradicional, acredito que a principal companheira dos japoneses nos típicos happy-hours seja mesmo a cerveja (beeru). Lá eles contam com marcas tradicionais como Suntory e a Sapporo. Vale experimentar.
Lá são comuns os sucos de vegetais.
As cervejas locais são saborosas, mas sem grande variedade de tipos.
Sucos de fruta lá são enlatados.
Para brindar, kampai. Nada de tim-tim, pois em japonês é uma referência ao órgão sexual feminino. Por mais bêbado que você possa estar, pega mal. Ok?

Enfim pessoal, com este post com algumas breves noções sobre a culinária japonesa, nos despedimos do Japão, talvez o destino de viagem pelo qual eu tenha maior carinho como já disse.

Se você estiver tentando criar coragem para conhecer este maravilhoso país, não deixe de conferir a série completa de post sobre o Japão, nem tampouco se abater pela distância ou pelas dificuldades linguísticas inerentes à viagem, pois a experiência vale cada hora de voo percorrida até chegar lá.

Japão: Sayonara (adeus) nada. Para você, um Diá matá né (até mais!), pois ainda voltarei quantas vezes puder.

No próximo post, continuando o nosso tour pela Ásia, faremos um pitstop de avião em Xangai, a mais cosmopolita cidade da China.



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2 comentários :

  1. Na verdade ChinChin é em referencia ao orgão sexual masculino, o feminino é Manko.

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    Respostas
    1. Putz Rafael, já ouvi as duas coisas, inclusive de uma amiga que tem família tradicional japonesa.
      Na dúvida, fica claro que é algo ruim para dizer à mesa lá! Kkkk
      Abraço.

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