Esta viagem à Finlândia me fez refletir o que nos faz feliz, além de viajar é claro!
Sim, direto e filosófico assim, mas tem um contexto.
Se você fizer uma busca por Finlândia, algumas palavras chave aparecerão, como sauna, design, frio, aurora boreal e … felicidade.
Toda vez sento para escrever um post para você penso no que é mais típico do país e o que nos marcou mais durante a viagem justamente para te dar uma boa visão do que esperar da viagem.
O ponto é que no caso da Finlândia algo muito curioso me veio à mente: o fato de ser considerado o país mais feliz do mundo.
Perai, vai me dizer que um lugar frio quase no ártico, onde existe uma época do ano em que o Sol mal nasce e onde dizem que as pessoas são mais retraídas, é o lugar mais feliz do mundo???
Que diachos de felicidade é essa.
Pois é, este é o ponto: O que é felicidade? O que é preciso para ser feliz?
Filósofos tentam desde Sócrates e Aristóteles, quiçá até mesmo antes destes mestres, responder estas perguntas.
Então não vou eu aqui tentar decifrar este mistério. Até porque eu penso que esta é uma questão cheia de relatividades e muito, mas muito pessoal que vai de encontro aos seus valores, anseios de vida e muito mais.
Mas mesmo assim, até para entender porque os finlandeses se consideram felizes deixo uma reflexão / autoanálise: O que você precisa para ser feliz?
Você seria feliz com US$ 1 bilhão na conta? Mas e se ao arredor só visse miséria? Ou ainda se fosse constantemente roubado por meliantes, tanto aqueles que você elege quanto meros ladrões?
Você seria feliz indo de Lamborghini para o trabalho gastando 2hs no trânsito ou usar transporte público de qualidade e apenas 30 minutos do seu tempo diário?
Você seria feliz se não tivesse que pagar impostos? Mas tivesse que pagar caro por saúde, educação e demais serviços que deveriam ser públicos?
Você seria feliz se vivesse numa cidade com uma infraestrutura super moderna? Mas sem espaços verdes próximos?
Eu poderia fazer aqui uma série de outras indagações, mas vou parar por aqui até porque não tenho diploma de psicólogo!
O que eu queria era que você percebesse que para muitas pessoas e aqui falando, culturas / nações, o conceito de felicidade é mais coletivo do que individual.
Sim, apesar da aparente frieza no trato, alguns povos como os finlandeses demonstram serem mais preocupados com o coletivo do que nós calientes latinos!
Então, espero que você tenha notado que para ser feliz não basta que você esteja bem na maioria dos aspectos da vida, é preciso que todo o entorno esteja mais ou menos na mesma situação.
Isso fica claro na pesquisa feita anualmente desde 2018 pelo World Happiness Report que ranqueia os países de acordo com o sentimento geral de felicidade dos seus habitantes.
O estudo feito numa parceria entre players respeitados como a Universidade de Oxford, Gallup e a Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável da ONU leva em conta fatores essenciais para manter a qualidade de vida.
Entre eles você encontra itens como: bem-estar social (serviços públicos/gratuitos de qualidade), confiança nas instituições / governo (baixos índices de corrupção), liberdade, conexão com a natureza, PIB per capita (baixa desigualdade social), e expectativa de vida saudável (qualidade de vida, stress e etc).
Parece um resumo do paraíso, não?
Faz só (ironia!) 8 anos que a Finlândia ocupa o primeiro lugar neste ranking!!! Mas e o Brasil? Em 2024 (2025 ainda não saiu), ficamos 36.
Em vários itens a Finlândia quase que “gabarita”.
Na minha lista de desejos de viagem, por um bom tempo, a Finlândia acabou ficando para trás.
Muitos anos atrás quando visitamos outros países da região, por uma questão logística e prioridades de destinos, a Finlândia ficou fora do roteiro. Naquela época fizemos Noruega, Suécia, Dinamarca, Escócia, Irlanda e (ufa!) Inglaterra.
Eu tento não brincar de WAR, mas é mais forte do que eu! Juro!
Alguns anos depois tentei novamente uma viagem para lá, mas veio aquele evento global que a gente nem fala o nome…, e tudo foi para o ralo.
Mas agora sim!!! Finlândia aqui estou!!!
E aí, como é a Finlândia?
Algo que para mim é marcante quando o tema são viagens é não só explorar o desconhecido, mas também estar em lugares que são diferentes, seja pela cultura, paisagem ou melhor ainda ambos.
No caso da Finlândia, isso se mostrou uma verdade em ambos os pontos.
Caso você não se lembre, a Finlândia é um dos países mais ao norte do mundo, mais próximos do Polo Norte, mais precisamente entre os paralelos 60° N e 70° N.
Para você ter uma ideia de quanto longe e diferente isso é, esta é a mesma latitude do Alasca e se você traçar uma linha reta entre Helsinque e o Polo Norte seriam apenas 3.300km.
Tanto que no verão, pela inclinação da Terra, eles desfrutam de 18 a 19 horas de luminosidade (nascer do sol umas 3h50 e pôr do sol 22h50), enquanto que no inverno eles têm apenas 6 horas de Sol, tudo isso considerando a capital Helsinque.
Se você segue mais ao norte aí a coisa fica ainda mais interessante porque você pode vivenciar o tal “Sol da meia-noite” quando ele simplesmente não se põe. Dai a minha ideia de “dia que nunca acaba”.
Aqui já te dou uma dica: sabe aquele tapa-olhos que a gente usa no avião… ele torna-se essencial para você dormir na Finlândia!!!
E no outro extremo ele pode simplesmente não nascer por até 50 dias. Não imagino viver num lugar assim!!!
Não subestime o tamanho do território finlandês, já que estamos falando de um país com aproximadamente 338.462 km², algo como o nosso estado de Goiás, com 340.203 km². Isso faz da Finlândia um dos maiores países da Europa.
Porém a população de 5,6 milhões de pessoas concentra-se em sua maioria (85,6%) em áreas urbanas como a capital Helsinque que representa 1/5 de toda a população do país.
Se você for mais para o norte, notará um enorme vazio demográfico por conta do ambiente extremamente hostil.
E não pense que porque é gelado e despovoado esta região não tem seus atrativos.
O interior da Finlândia acaba sendo beneficiado pelo clima difícil e baixa densidade demográfica possibilitando a natureza manter-se praticamente intacta.
São quilômetros e mais quilômetros de florestas e lagos, muitos lagos como dito acima.
Com três quartos da Finlândia cobertos por florestas e lagos, o país é conhecido por seu esforço em preservação da natureza e sustentabilidade.
Isso faz com que os finlandeses, apesar do clima nada fácil por conta das baixas temperaturas, passem boa parte do seu tempo livre em contato com a natureza, seja esquiando no inverno seja fazendo caminhadas no verão.
Apesar da nossa viagem ter focado bastante na capital Helsinque, ficou claro em vários aspectos, inclusive no design que eles são absolutamente apaixonados e conectados à natureza.
A Finlândia tem um PIB per capita bastante alto (US$ 54.160) e um IDH elevado que lhe confere a 11ª. colocação no ranking mundial de desenvolvimento humano (o Brasil é 89º). Isso reflete uma excelente qualidade de vida para a população como apontado acima e de outro lado um rombo no orçamento de viagem do turista.
O idioma local é o finlandês, um idioma super complicado para a gente. A escrita é cheia de tremas e vogais sequenciais como mostro abaixo. E os sons bem complicados de reproduzir.
Finlandês não é um idioma fácil e para nossos ouvidos nada treinados, a impressão que tive é que não existe diferença entre finlandês, sueco, norueguês e etc. Mas tem sim, apenas a gente que não tem o conhecimento para distinguir. Se você ouvir todos em sequência, notará que o finlandês é mais suave.
Mesmo sendo um idioma bem difícil, eu sempre incentivo você a aprender um pouco do idioma local para fazer uma graça e arrancar sorrisos dos gringos, especialmente diante de idiomas que, como é o caso, não são nada comuns. Então bora tentar (porque é complicado pacas!) um pouco de finlandês:
- Olá: hei (hay) moleza!
- Prazer em conhece-lo: hauska tavata (hau·ska ta·va·ta)
- Tudo bem?: mitä kuuluu?
- Obrigado/a (muito): kiitos (paljon) (kee·tos (puhl·yon) parece que tá pedindo salgadinho.
- Por favor: ole hyvä
- Sim: kyllä
- Não: ei
- Desculpe: anteeksi
- Adeus: näkemiin (na·ke·meen)
- Bom dia: hyvää päivää (hy·vah pai·vah)
- Boa tarde: hyvää iltapäivää
- Boa noite: hyvää yötä
- Cerveja (muito importante!): olutta. E kipis! é saúde!.
- Papai Noel: Joulupukki (yo·loo·pu·ki)
Mas e aí? Como faz?
Lembra que eu disse que uma das características da Finlândia é o alto nível da educação e alfabetização? Isso também vale para o inglês.
Eles falam inglês melhor do que alguns países nativos no idioma da Rainha. Kkkk
Os finlandeses são bem reservados e discretos.
Algo que você vai notar certamente é o silêncio e como as pessoas no geral falam pouco e baixo. Finlandês não gosta de conversa fiada, é direto e reto. São muito reservados e discretos, o que para latinos pode parecer frieza, mas não é.
Uma frase comumente citada lá e que me fez muito sentido é atribuída ao poeta mais queridos da Finlândia, Eino Leino: “Quem é feliz deve esconder isso”.
Uma verdadeira contradição para um país constantemente aclamado como a nação mais feliz do mundo.
Eu fiquei positivamente surpreso com o quanto eles são inclusivos.
Ok, eu sei que a visão do viajante / turista é diferente daquela de quem mora no país, ou mais ainda, de quem vive eventuais situações de preconceito.
Mas, pelo tamanho da “ostentação” de bandeiras e forma absolutamente respeitosa como vi as pessoas se tratando me pareceu ser um destino onde o respeito às opções sexuais e etnias é um tema bem resolvido.
Oras, respeito é um ponto chave na felicidade!!!
Algo muito presente no estilo de vida finlandês é um conceito conhecido como SISU que em linhas bem gerais podemos definir como a soma de algumas qualidades: resiliência, determinação e a capacidade de persistir diante da adversidade, mesmo quando as probabilidades parecem insuperáveis.
É quase que como uma forma de força interior para superar desafios.
Sob o ponto de vista religioso, os finlandeses são em sua maioria cristãos luteranos (aprox. 65%) e o segundo grupo é composto por pessoas que se dizem sem religião específica (não necessariamente ateus), já que 2% representam outras religiões como católicos, muçulmanos e judeus, por exemplo.
Algo realmente impressionante é o nível de educação do povo. A Finlândia tem um dos mais altos índices de alfabetização do mundo.
A história da Finlândia é pura resiliência.
Os habitantes mais famosos da Finlândia são os povos indígenas Sámi, que também se espalharam pela Noruega, Suécia, Península de Kola, na Rússia.
Atualmente este povo carrega as locais, com cerca de 4.000 pessoas que falam inclusive dialetos locais diferentes do finlandês.
A história mais recente da Finlândia é marcada por uma disputa de fronteira, já que espremida entre a Suécia e Rússia, seu território oscilou entre o domínio destas duas nações pela maior parte dos últimos séculos.
O conceito de Sisu que mencionei acima vem não somente da batalha dos finlandeses para sobreviver no clima severo, mas também para serem reconhecidos como uma nação.
Conceitualmente, os finlandeses têm uma origem diferente dos demais nórdicos, como suecos e noruegueses, por exemplo, seja sob o ponto de vista de língua seja cultural mesmo. Não espere ver vikings lá. Kkkk
Isso sempre deixou eles meio que perdidos e ensanduichados entre dois impérios: o sueco e o russo.
Durante quase 700 anos, a Finlândia não foi um país, mas a metade oriental do Reino da Suécia. Foi sob a coroa sueca que o cristianismo se estabeleceu, por exemplo.
Mas isso não garantiu nem a tranquilidade nem a identidade local, já que constantemente em seu território eram travadas batalhas com os vizinhos russos (dai o trauma finlandês dos últimos tempos com a expansão russa e a entrada na OTAN).
Em 1809, durante as Guerras Napoleônicas, a Suécia perde a Finlândia para a Rússia de Alexandre I. Mas, para ganhar a simpatia dos finlandeses, os russos permitiram que mantivessem suas leis, sua religião luterana e até sua própria moeda mais tarde.
Isso permitiu o florescimento de um nacionalismo finlandês expresso no lema da época: “Suecos não somos mais; russos não queremos ser; sejamos, portanto, finlandeses.”
A Revolução Russa de 1917 abriu a janela de oportunidade. Em 6 de dezembro de 1917, a Finlândia declarou sua independência. Contudo, o nascimento da república foi batizado em sangue. Uma brutal Guerra Civil em 1918 dividiu o país entre os “Brancos” (conservadores, apoiados pela Alemanha) e os “Vermelhos” (socialistas, apoiados pela Rússia bolchevique).
E quando os finlandeses acharam que haviam se livrado dos vizinhos, veio a a Guerra de Inverno (1939-1940), meio que um spin-off da Segunda Guerra Mundial. Quando Stalin exigiu territórios finlandeses para “proteger” Leningrado, o pequeno exército finlandês disse não.
O que se seguiu foi uma luta de Davi contra Golias. Atiradores de elite em esquis, como o lendário Simo Häyhä (a “Morte Branca”), dizimaram divisões soviéticas nas florestas congeladas. A Finlândia acabou perdendo 10% de seu território no tratado de paz, ela manteve sua soberania. O mesmo não se deu com as nações bálticas (Letônia, Lituânia e Estônia) que acabaram dominadas e anexadas pela União Soviética.
Dai por diante, aliando-se ao ocidente e industrializando-se muito, até por conta da sua educação de excelência, a Finlândia deu um salto tecnológico. Quem não se lembra da Nokia???
Curiosidades sobre a Finlândia
Eu simplesmente amo bandeiras, e nos últimos tempos tenho buscado aprender eventuais significados delas. E com a Finlândia não seria diferente.
Chamada de “Siniristilippu” em finlandês que significa “Bandeira da Cruz Azul“, ela traz a típica cruz nórdica usada por outras nações da região, sobre um fundo branco.
O bacana é que ela representa duas coisas super presentes na geografia local: o azul simboliza os milhares de lagos do país e o céu, enquanto o branco representa a neve que cobre a terra nos longos invernos finlandeses.
Vale falar rapidinho desta cruz nórdica (também chamada de cruz escandinava) que é o símbolo de unidade mais forte entre os países do Norte da Europa (Islândia, Finlândia, Suécia, Noruega e Dinamarca).
A cruz nórdica surgiu primeiro na bandeira da Dinamarca, conhecida como Dannebrog. E segundo a lenda ela teria surgido durante a Batalha de Lyndanisse (na atual Estônia) em 15 de junho de 1219.
Dizem que os dinamarqueses estavam prestes a perder a batalha contra os pagãos estonianos, uma bandeira vermelha com uma cruz branca caiu do céu direto nas mãos do Rei Valdemar II. Esse “sinal divino” teria renovado o ânimo dos soldados, levando-os à vitória.
A parte do design destas bandeiras com a cruz é mais crível:
É claro que a cruz representa o Cristianismo. Mas o posicionamento mais deslocado para a esquerda, portanto mais perto do mastro tem um motivo prático: o deslocamento ajuda na visualização quando a bandeira está estendida ao vento.
Se Deus é brasileiro, Papai Noel é finlandês.
Embora a gente tenha viajado no verão, e, portanto, não havia sentido ir até lá, se você for para a Finlândia no inverno, anote este nome: Rovaniemi.
Situada quase no Círculo Polar Ártico, na região da Lapônia, Rovaniemi é a residência “oficial” do Papai Noel.
Lá tudo, de acomodações às atrações, gira em torno do Natal. Na vila oficial do Papai Noel você pode inclusive encontrar ele e fazer seus pedidos.
Vale a pena visitar no verão? Nós não fomos como dito, mas pelo que estudei ao montar o nosso roteiro, até existem sim atrações temáticas ao longo do ano todo, mas sem o charme da neve acho que a visita perde o sentido. Exceto se você estiver viajando com crianças pequenas ou for muito Natal Lover!
Ah, e duas coisas que descobri nos supermercados finlandeses.
Eles parecem ser malucos por balas, especialmente umas horríveis de anis chamadas de licorice, que podem ser doces ou salgadas. Comprei um pacotinho para experimentar e achei uma das piores coisas que já comi.
Andando pelas ruas parece que todo mundo tem cachorro. Eles são inclusive liberados para usar o transporte público e supermercado (e não estou aqui falando de cães de serviço não!)
A Finlândia é conhecida como a “Terra dos Mil” lagos e também pelo seu esforço em preservação do meio ambiente, assim como outros países da região.
São mais de 188.000 lagos, formando a maior região lacustre da Europa, e, portanto, um enorme reservatório de água doce, algo que já é e infelizmente deve tornar-se ainda mais raro e essencial no futuro.
Neles os finlandeses aproveitam para nadar e fazer passeios de barco no verão e patinação no inverno, além de pescar é claro. O Lago Saimaa é o maior (4.400 km²), famoso por abrigar um tipo específico de foca, a foca-anelada-de-Saimaa, enquanto o Päijänne é o mais profundo.
Em termos de fauna, é comum avistar ursos-pardos, animal nacional da Finlândia e outros animais mais típicos de climas frios como alces e linces.
Na Finlândia vigora uma regra que é meio que o “direito de acesso à natureza”. Conhecido como Everyman’s Right, esse princípio garante que qualquer pessoa possa caminhar, acampar temporariamente e colher frutos silvestres em praticamente qualquer área natural, mesmo que seja propriedade privada — desde que respeite o ambiente.
Os finlandeses são o povo que mais toma café no mundo. Sim, per capita, este título pertence os finlandeses.
São nada menos do que 12kg por pessoa ao ano. Mas tem um truque aqui… o café deles é mais aguado que o nosso em geral. Até existem uns capuchinos gostosos, mas na maioria é aquele café fraco.
Eles levam café como uma tradição. Existem pausas no trabalho para tomar um café. Quer fazer amizade com um finlandês, chame ele para um café.
Portanto, além de tomar uma sauna com eles, um café compartilhado pode ser uma ótima maneira de quebrar o gelo. É não escapei desta associação!!!
Falando de outro tipo de bebida: as alcoólicas. Normalmente em países de clima frio o povo tende a beber mais, e muitas vezes isso vira um problema.
Na Finlândia, isso era um problema. Tanto que nos supermercados, você encontrará bebidas alcoólicas com menos de 8% de álcool. Álcool mais forte, só nas lojas do governo, as Alko. Os finlandeses não são muito bons de marketing não, ou queriam ser diretos mesmo???
As olimpíadas que não aconteceram. Era 1938 e Helsinque preparava-se para receber os jogos olímpicos de 1940, tudo pronto e em clima de festa.
Mas “aquele que não se fala o nome”, do bigodinho ridículo (me permito zoar ele!) resolveu invadir a Polônia em 1939 e acabar não só com a festa finlandesa, mas com a Europa e milhões de vidas.
Os jogos passaram então para 1952, praticamente 7 anos depois da Segunda Guerra Mundial para dar tempo do mundo se recuperar do baque.
Em 1906, a Finlândia chocou o mundo ao se tornar a primeira nação da Europa a conceder o sufrágio pleno às mulheres (direito de votar e de serem eleitas).
A forma como a Finlândia trata suas mulheres e crianças é algo realmente muito bacana.
Desde a década de 1930, toda gestante recebe uma “caixa de bebê” do governo. Ela contém roupas, produtos de higiene e brinquedos. A própria caixa é projetada com um colchão no fundo, servindo como o primeiro berço de muitos finlandeses, garantindo que todos os cidadãos comecem a vida com o mesmo nível de cuidado, independentemente da classe social.
Ainda sobre as mulheres, mas no caso as casadas… os finlandeses têm um senso de humor peculiar para competições. O país é o lar do Campeonato Mundial de Carregamento de Esposas (Eukonkanto). A lenda remonta a antigos saqueadores, mas hoje é uma competição séria onde o prêmio para o vencedor é, tradicionalmente, o peso da esposa em cerveja.
Os finlandeses literalmente apreciam o silêncio. Diferentemente de muitas culturas, o silêncio na Finlândia não é visto como desconfortável. Conversas pausadas e momentos de quietude são socialmente valorizados, refletindo um traço cultural de introspecção.
Mas existem exceções…
A Finlândia tem o maior número de bandas de heavy metal per capita do mundo (cerca de 50 bandas para cada 100.000 habitantes).
O gênero é tão popular que existem até bandas de metal voltadas para crianças e missas luteranas celebradas ao som de guitarras distorcidas.
Alguns nomes famosos são Nightwish e Apocalyptica que faz covers instrumentais do Metallica (recomendo!!!)
Montando uma viagem para a Finlândia
Para ajuda-los a programar a sua viagem para a Finlândia, vamos às questões práticas.
Precisa de visto e seguro saúde?
Membro da União Europeia e fazendo parte do espaço Schengen, conforme apurado junto ao Embaixada da Finlândia no Brasil, brasileiros não precisam de visto para ficarem até 90 dias no país a turismo.
Já sobre a questão da validade do passaporte, infelizmente não existem informações claras, então sugiro usar a regra básica de 3 meses antes da data de saída do país.
Por conta de estar situada no hemisfério Norte, não exigem a comprovação de que você tomou a vacina contra a febre amarela.
Nunca é demais lembrar que mesmo não existindo visto ou tendo requisitos rígidos para a entrada, as autoridades de imigração podem exigir a apresentação da passagem de volta, prova de meios de subsistência durante a viagem, e comprovante de hospedagem. Esteja sempre, para qualquer lugar, preparado com isso.
A embaixada brasileira na Finlândia fica em Helsinque, na Itäinen Puistotie 4 B 1 – 00140 Helsinki. consular.helsinque@itamaraty.gov.br +358 (0) 9 684 1500.
Como a Finlândia faz parte do espaço Schengen, você precisa apresentar na imigração a comprovação de que contratou um seguro viagem.
Mesmo que não fosse o requisito imigratório, por questões de saúde mesmo, tenha em mente que o mais importante motivo para você contratar um seguro viagem é o fato de que qualquer tratamento no exterior, por mais simples que seja, pode custar mais que a viagem.
Assim, tão longe assim de casa, nem sonharia em embarcar sem um seguro viagem. Nós aqui em casa utilizamos a Real Seguro Viagem, parceira do blog. Vocês podem contratá-la diretamente no banner ao lado.
Quando ir para a Finlândia?
Na Finlândia não existe muito aquela coisa de alta e baixa estação, é caro sempre. Kkkk
Sério, os preços não variam muito ao longo do ano.
O que existe é uma diferença de atrações disponíveis conforme a estação do ano e uma maior ou melhor percepção de frio. Como vocês verão abaixo, verão não é uma palavra que combina com Finlândia não…
Se você é daqueles que pretende viajar para lá para ver a Aurora Boreal, anote ai: a época mais propícia é entre novembro e março e o horário mais adequado para avistamentos é entre as 21h e as 2h. Felizmente vamos ter que voltar para esta região!!!
Uma enorme vantagem de viajar no verão, como você talvez tenha imaginado é que o “dia nunca acaba”. Com muitas horas de luminosidade durante o dia a viagem rende um absurdo!!!
Clima
A escolha da melhor época para conhecer a Finlândia passa então pela pergunta? Você prefere frio ou calor? E o que você quer vivenciar numa viagem para lá.
A decisão passará necessariamente pelo racional de que no final / começo do ano é inverno lá, e no meio do ano o verão. Como as médias abaixo mostram, entenda por inverno algo simplesmente congelante e verão temperaturas amenas. Nada de calor como conhecemos aqui no Brasil. Tenha ciência disso.
Eis as médias temperatura e chuvas ao longo do ano para a capital Helsinque (quanto mais para o norte, mais frio!):
Viram como verão não é necessariamente quente na Finlândia? E olha que peguei os dados de Helsinque que é mais ao sul e, portanto, mais longe do Polo Norte.
Quanto tempo e roteiro na Finlândia?
Não subestime o tamanho do território da Finlândia, como eu disse é um pais do tamanho de Goiás como dito acima. E dependendo da época da sua viagem, uma chegada até a Lapônia no norte pode ser essencial.
Se você pretender conhecer, como nós, apenas Helsinque, uns 4 dias bastam. Ai você adiciona algum país próximo.
Já se pretender realmente estender até a Lapônia ou outras regiões mais no interior, pode separa ao menos uma semana para um roteiro sem correria.
é um país pequeno, e principalmente se você considerar visitar apenas os dois principais destinos, Skopje e Ohrid, notará que dá para montar um roteiro bastante enxuto.
Mais do que isso só se você tiver algum interesse muito específico.
Claro que tudo depende do que você pretende conhecer e do seu ritmo de viagem.
Como chegar e circular por lá?
Não existem voos diretos entre o Brasil e a Finlândia, então para chegar lá você precisa necessariamente fazer conexão em alguma outra cidade europeia se pretender chegar de avião.
O principal aeroporto internacional do país é o de Helsinque, sugestivamente HEL na sigla IATA. E ele têm conexões com uma infinidade de destinos, seja na Europa, seja EUA ou Canadá conforme apurei na data deste post no FlightConnections.
Alternativamente você pode chegar à Finlândia de ferry boat, seja vindo da vizinha Suécia ou da Estônia ao sul.
Uma vez lá, o próximo ponto é como se locomover dentro da Finlândia.
Nós ficamos apenas em Helsinque, e no post sobre a cidade detalho melhor como se locomover usando o excelente sistema de transporte público.
Os táxis têm um custo exorbitante. Recomendo usar apenas em casos extremos.
Já pelo país, segundo o que pesquisei quando estávamos montando o roteiro de viagem, a melhor opção é trem ou alugar um carro para a as grandes distâncias.
Compensa juntar Finlândia com outros destinos na região?
Sendo direto e reto na resposta: sim, demais.
A Finlândia tem bons motivos para fazer qualquer um levantar do sofá e fazer as malas, mas é muito pouco provável que alguém encare um total de dois voos e mais de 15hs de viagem exclusivamente para conhece-la
Como trata-se de um desitno mais remoto, normalmente aqui em casa a gente usou a regra do War Travel: escolhe-se um destino e dá aquela olhada básica no que tem em volta e se não compensa juntar mais algo.
No caso da Finlândia tem muita coisa.
Se você olhar para oeste, encontra Noruega, Suécia e mais abaixo a Dinamarca. Ou para o sudeste, Estônia, Lituânia e Letônia (que foram as nossas escolhas desta vez) – poderia ter sido também a Rússia se aquele que não se fala o nome já tivesse…
Adicionalmente você pode aproveitar que é preciso fazer escala noutra capital europeia e engatar alguns dias por lá.
Que moeda levar para a Finlândia?
A Finlândia tem o euro como moeda oficial, o que facilita demais a vida do turista. Então nem compensa levar outras moedas, como por exemplo dólares para trocar lá.
Se possível seja virtualmente, seja fisicamente (em espécie) sai já do Brasil com alguns Euros à mão.
Para facilitar as consultas ao câmbio atualizado enquanto em viagem, sugiro instalar um dos muitos apps para celular que fazem este tipo de conversão facilmente. Eu particularmente uso o Conversor de moedas XE que está disponível para iOS e Android.
Recomenda-se sempre ter algum dinheiro trocado, especialmente se você for se aventurar por áreas mais remotas ou cidades menores.
Para os gastos ordinários, hoje tenho usado muito cartões de contas internacionais, como Wise e C6 que, como detalho nos respectivos posts, e penso que apresentam o melhor custo benefício.
Para ambos existe a vantagem de que você pode converter dos reais da sua conta corrente para dólares durante a viagem. Maravilha!!!
Então esta é a alternativa com melhor custo-benefício tanto para compras quanto para saques em ATMs – presentes em tudo quanto é canto na Finlândia.
Como uma solução de emergência ainda uso os cartões de débito no exterior.
Nunca é demais lembrar que os ATMs sempre cobram uma pequena taxa por saque, além daquela cobrada pelo emissor do seu cartão. Lá, o valor girou em torno de R$ 20.
Os cartões de crédito são muito bem aceitos em lojas e restaurantes maiores (hotéis sempre). Não espere que ele seja aceito em lojas menores ou lugares mais remotos, neste caso, ter dinheiro é a solução.
Ah, e não se esqueça sempre de conferir se você o desbloqueou para operações no exterior e vale também conferir o limite de crédito.
Uma coisa que eu nunca tinha visto noutro destino, mas sei que é uma tendência é a não aceitação de dinheiro em espécie. Alguns estabelecimentos, especialmente em Helsinque, trabalham exclusivamente com pagamento por meios eletrônicos.
Quer saber mais sobre meio de pagamento no exterior? Verifique as nossas dicas especiais sobre gastos no exterior.
Os preços na Finlândia incluem 25,5% de IVA sobre bens de consumo, 14% sobre produtos alimentícios e 10% para teatro, esportes e eventos similares. Você como estrangeiro pode solicitar o reembolso de impostos para compras não utilizadas que custem mais de € 40. Você pode processar os impostos em algumas lojas, no aeroporto ou eletronicamente.
E por falar em dinheiro, gorjeta não é comum na Finlândia, coisa rara no mundo. Seria fruto de que já são felizes??? Kkkkk.
Custo de uma viagem para a Finlândia
É cara uma viagem para a Finlândia?
Normalmente eu digo que, caro ou barato são conceitos bem subjetivos, já que vai muito do seu estilo de vida / viagem. E também vai muito também com o que você compara.
Mas no caso da Finlândia eu posso garantir: ninguém consegue ir para lá e voltar dizendo que é uma viagem barata. É caro pra dedéu!!!
Assim como outros países nórdicos é um dos destinos mais caros para o qual viajamos.
É relativamente fácil, numa busca no Booking.com, encontrar bons hotéis por menos do que o equivalente a € 200 a noite.
Sobre custos, como atrações ou alimentos, achei que os valores são bem em linha com outros países da Europa. Comida custa uma grana, uma pizza individual passa fácil de € 20.
Chip de celular na Finlândia
Normalmente os hotéis oferecem internet wi-fi gratuita, mas nem sempre a qualidade é lá aquelas coisas ou funciona em todas as áreas do hotel, especialmente se você escolher um hotel mais no meio da floresta – algo que você deve fazer!!!
Comprar um chip local me pareceu ser complicado demais, já que o idioma oficial não facilita muito. Roaming do Brasil? Nem pensar, só o custo já assusta.
Para esta viagem, mais uma vez contamos com o chip de celular fornecido pela OMeuChip que funcionou super bem durante toda a viagem. Se você quiser comprar o seu, é só clicar no link acima ou no banner ao lado e aproveitar descontos especiais.
É seguro viajar para a Finlândia?
Esta é uma das respostas mais fáceis de dar: sim, absolutamente!
A Finlândia é não só um dos países mais felizes do mundo, mas também um dos mais seguros. Tolo quem acha que as duas coisas não andam juntas. E digo mais, elas se complementam quando outros elementos típicos de uma sociedade saudável estão presentes.
Claro que valem aquelas recomendações básicas de não dar mole porque se tem uma coisa que existe em tudo quanto é canto do mundo são os batedores de carteira. Mas violência de mão armada? Esquece!
Pode beber água da torneira? Sim!!! A Finlândia tem uma das mais seguras e puras águas de torneira do mundo.
Não que sejam super comuns problemas com comida lá, mas eventualmente você pode ter algum problema com a comida local por conta do tempero.
Fora que pelo simples fato de estar tão diferente, é sempre bom ter uma farmácia de viagem para eventual necessidade.
O que comer na Finlândia
Se você gosta de peixes e de carnes diferentes, provavelmente você achará a Finlândia um paraíso gastronômico.
Com um litoral bastante extenso e mestres na navegação, os finlandeses trazem dos mares muito dos ingredientes.
Andando pelos mercados você notará que eles consomem muito salmão.
Tanto em filés quanto com pães (deliciosos!) esta é uma das principais fontes de proteínas para a maior parte da população. É bem verdade que não é barato, mas a qualidade do peixe é muito superior àquela que encontramos no Brasil, por exemplo.
E é justamente a partir do salmão que eles fazem aquele que talvez seja o prato mais típico da Finlândia, a Lohikeitto, uma sopa de salmão com caldo claro/cremoso, servida com endro.
Um excelente local para provar tudo isso é o Mercado Central de Helsinque do qual falaremos no próximo post.
Um prato igualmente famoso é o Paistetut Muikuts, pequenos peixes empanados em farinha de centeio e fritos na manteiga.
Eles também servem (embora caríssimo) caviar e ovas.
Passando para a terra, por mais que rena seja sim um bichinho fofinho, para eles ela é meio que o que o gado é para a maioria das pessoas (excetuados os vegetarianos).
Eles comem rena (reindeer) em tudo quanto é formato, de hot-dog à snacks do tipo carne seca
Partindo para os doces, não deixe de experimentar o korvapuusti, que é um delicioso pão doce de canela.
Outro item que é bastante comum na primavera e verão (não sei nas demais estações como é), são as frutas silvestres como morango, amoras, framboesa e mirtilo.
Enfim, passa-se muito bem na Finlândia.
Outras informações importantes
O horário comercial na Finlândia varia entre dias de semana e fins de semana. Cafés: 8h às 19h nos dias de semana, 9h às 20h aos sábados, 10h às 17h aos domingos. Restaurantes: 11h às 21h30. Shoppings: 10h às 20h. Lojas: 10h às 18h de segunda a sexta, 11h às 17h aos sábados e domingos.
A Finlândia está num fuso horário de 5 horas à frente do horário de Brasília.
Na Finlândia não é muito difícil encontrar banheiros públicos não, especialmente nas grandes cidades.
As tomadas na Finlândia são como aquelas dos demais países europeus, dois pinos redondos. Assim, para os seus eletrônicos, um adaptador universal é essencial. A voltagem é 220v.
Dadas as informações e dicas gerais vamos embarcar em uma viagem para um novo destino na Europa???










































