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Riga, do medieval ao art nouveau

Se Riga se sentasse num divã para uma sessão com Freud, poderia ser diagnosticada como uma cidade com dupla personalidade. Sorte de quem a visita!!!

Digo isso porque quem se dispõe a sair dos destinos tradicionais e se aventura por estas terras acaba tendo o privilégio de conhecer duas cidades em uma. Existe de um lado uma belíssima cidade medieval, e de outro a cidade mais art nouveau do mundo.

Comecemos do mais recente para o medieval nesta história.

Riga é o maior expoente art nouveau, até mesmo em relação à badalada Bruxelas, onde o estilo nasceu e tudo isso está incrivelmente preservado na capital letã.

Pois é, nem os bombardeios nazistas ou a mão de ferro dos soviéticos com aquele estilo arquitetônico de horrendos blocos de concreto conseguiram sobrepujar a criativa alma dos letões. 😍

Riga é um deleite para quem gosta de arquitetura e principalmente do estilo art nouveau.

Mas o que é então este estilo de nome francês? E porque algo assim fez tanto sucesso aqui tão longe nos bálticos? Acho que explicando um pouco da história do estilo tudo faça mais sentido.

O art nouveau (arte nova) é um estilo arquitetônico que nascido na Bélgica por volta de 1890, tendo como pioneiro o arquiteto belga Victor Horta. E logo se espalhou pela França e até mesmo pela Espanha, onde encontrou o famoso Antoni Gaudí que levou o estilo para outro nível.

Ele surge como uma resposta ao estilo novo, diante da saturação dos considerados ultrapassados neoclássico e neogótico – lembrando que um novo estilo nas artes sempre tende a negar o antecessor.

Art nouveau
A riqueza de detalhes é grande.

Art nouveau

Logo há uma profusão de itens decorativos e adornos nas fachadas e linhas mais orgânicas em contraposição às linhas retas e “limpas” dos estilos anteriores. Muitos destes elementos têm inspiração justamente na natureza (vide Gaudí, por exemplo).

O estilo segue em voga até mais ou menos 1910, quando começa a ser criticado pelo excesso ornamental. Pois é, parece até gangorra. 

Mas o que fez Riga ter a maior concentração de construções em estilo art nouveau do  mundo se o estilo nasceu relativamente longe dali e a Letônia nunca foi dominada pelos belgas ou franceses, que foram grandes expoentes do estilo?

Acontece que Riga passou por um expressivo processo de modernização e muitas construções foram feitas justamente na passagem dos séculos XIX para o XX, para ser mais preciso entre 1898 a 1915.

Este era um período de muita prosperidade em Riga e os aristocratas da época escolheram justamente o estilo mais em voga para construir seus palacetes.

Como resultado, cerca de um terço dos edifícios no centro de Riga foram construídos neste estilo, tornando a cidade um dos principais destinos Art Nouveau na Europa. Atualmente são mais de 800 edificações assim catalogadas.

Enfim, se Riga tem uma marca é esta.

Mas a história da cidade é muito mais antiga que esta virada do século XIX para XX que tanto marca até hoje suas belas ruas.

Riga surgiu na virada do século XIII, mais precisamente em 1201, como o novo centro comercial do Bispo Albert no Daugava e rapidamente se tornou um importante membro da Liga Hanseática, acumulando riqueza nas rotas comerciais do Báltico, justamente como parte de um entroncamento que ligava os países nórdicos ao sul da Europa.

Foi justamente a partir deste desenvolvimento comercial e o estabelecimento das guildas, algo como associações de comerciantes, que Riga prosperou.

Para proteger este oásis de prosperidade, Riga construiu uma muralha e uma série de torres de proteção que nos tempos medievais circundava toda a região que compreende o Centro Histórico às margens do rio Daúna.

Viagem Riga
A outra face de Riga é absolutamente medieval.

Viagem Riga

O mais interessante é notar como tudo isso conversa inclusive com o layout da cidade.

A cidade parece ter sido construída em camadas históricas que representam os diversos períodos da história letã.

O Centro Histórico, absolutamente medieval remonta ao período de domínio, e depois influência sueco. Saindo dali a próxima camada desta cebola que é Riga traz as fachadas art nouveau que remetem ao Império Russo. E por fim, as áreas mais distantes têm ainda a presença daqueles blocos de apartamentos sombrios tão típicos da era soviética.

Dicas práticas

Como costumamos fazer, antes de tratarmos das atrações em si, vamos ver algumas dicas práticas para você curtir a cidade ao máximo e otimizar seu tempo em Riga.

Chegando e circulando em Riga

Se você optar por chegar na Letônia vindo da Estônia como nós, o ponto de chegada será o a estação de trem situada bem perto do Centro Histórico.

Outra opção é chegar de avião, pelo Aeroporto de Riga recebe voos de várias capitais europeias apesar de ser bem modesto. é beeem pequeno, mas tem uma enorme vantagem de ficar apenas 4km do centro da cidade. 

Para ir de-para o Aeroporto Internacional de Riga, a opção mais em conta é o ônibus no 22 (aqui o itinerário dele), que te deixará no centro da cidade. Os bilhetes são comprados direto com o motorista, mas apenas usando cartão de crédito/débito ao custo de €1,81.

Uma vez na cidade, bóra ver como se locomover por lá.

Bondes em Riga
Os bondes são a melhor opção de transporte.
Bonde Riga
A maioria é moderna, mas estes antigos são lindos!

Riga tem uma grande vantagem de que as atrações são muito bem concentradas como dá para notar do mapa que ilustra este post.

Para explorar as atrações no Centro Histórico você não vai precisar de nada além de caminhar, já que as atrações são muito próximas umas das outras e caminhar por ali é uma delícia.

Transporte mesmo apenas para chegar até lá se você estiver se hospedando fora dos arredores desta região, ou ainda para visitar as atrações que estão um pouco mais distantes dali.

Para isso Riga conta com uma rede de transporte público muito boa composta por trams (bondes) e linhas de ônibus. Infelizmente Riga não tem metrô.

O sistema opera diariamente das 5h30 às 23h30, e o valor atualizado das tarifas, rotas e muito mais você confere no site da Rigas Satiksme que administra o transporte público na cidade.

Riga oferece uma variedade de opções de bilhetes de transporte público para atender a diferentes necessidades e durações de viagem. Se você está visitando por um dia ou ficando mais tempo, há um ingresso para combinar com seus planos.

O bilhete simples vale por 90 minutos e na época da nossa viagem custava €1,50 (basta validar ele no primeiro uso e permanece válido até a parada final). Outra boa alternativa são os bilhetes de 24 horas (€5) e três dias (€8).

Viagem Riga
Nem sempre é fácil encontrar as máquinas para comprar o bilhete.

A compra pode ser feita em máquinas de venda automática de ingressos, quiosques Narvesen, centros de atendimento ao cliente Rīgas satiksme e através dos aplicativos móveis Rīgas Satiksme ou Mobilly. 

Aliás, anote muito bem estes dois nomes: Naversen e Rimi, que são as duas redes de loja de conveniência que operam na Letônia. Vão te salvar em várias situações:

Fora isso, a cidade está tomada por scooters elétricas.

Se precisar de um carro, ao invés de táxi e Uber, conte com uma empresa que já vi noutros destinos chamada Bolt, é a mesma coisa que Uber (que não opera lá).

Quanto tempo em Riga?

Olhando a posição das atrações em Riga você notará que existem dois blocos que em certa medida me deram a ideia do título deste post. 

De um lado você tem o Centro Histórico medieval às margens do Rio Duína, que é bastante compacto que concentra algo como 75% é uma cidade compacta, o que facilita demais a vida do turista. 

E de outro um cinturão ao redor deste com mais algumas atrações, justamente aquelas mais ligadas ao outro lado de Riga, o art nouveau.

Viagem Riga
Com uns 3 dias dá para conhecer muito bem Riga.

Com esta concentração de atrações fica muito fácil explorar a cidade e gasta-se muito pouco tempo em deslocamentos e consequentemente você consegue otimizar seu itinerário de viagem.

Considerando isso, acredito que dê muito bem para conhecer Riga em dois dias inteiros se você for daqueles viajantes que acorda cedo e só volta para o hotel ao escurecer. Isso fica ainda mais fácil para quem viaja no verão europeu porque escurece muito tarde.

Já se você for daqueles que quer acordar mais tarde ou tem um ritmo de viagem mais tranquilo, ai acho melhor considerar 3 dias.

Nós tivemos dois dias inteiros e mais uma manhã e mais do que suficiente.

Onde se hospedar?

Até mesmo considerando o que foi dito acima, a minha sugestão é que você tente se hospedar em uma área que esteja entre o Centro Histórico e a estação de trem, por exemplo.

Isso vai te deixar muito perto das atrações de Riga e fazer com que, muito provavelmente, você nem precise de transporte público para transitar entre o seu hotel e as atrações de Riga.

Quando estava pensando onde nos hospedarmos, até cheguei a olhar os hotéis no interior do Centro Histórico, mas duas coisas me fizeram mudar de ideia.

A primeira e mais pessoal mesmo era que estávamos vindo de Talin e seguiríamos para Vilnius de trem, logo ficar perto da estação de trem, que não é longe do Centro Histórico e demais atrações seria uma excelente opção.

Melhor caminhar um pouco todos os dias sem carregar malas do que o mesmo tanto na chegada e partida com malas e horário do trem.

O segundo ponto que notei é que as opções de hospedagem dentro do Centro Histórico custavam muito mais do que fora dele e nem sempre a qualidade do hotel era condizente com o preço.

Aparthotel Amella
Aparthotel Amella, boa localizaçao.
Aparthotel Amella
E bom custo benefício.

Achei excelentes opções nos arredores por muito menos do que estavam cobrando dentro do Centro Histórico.

Dito isso, o custo dos hotéis não chega a ser tão caro quanto outros destinos, como por exemplo Parisou qualquer outra capital europeia mais tradicional.

Você encontra bons hotéis ou apartamentos por menos que € 100 por noite no Booking.com. 

Por fim, escolhemos o Aparthotel Amella que nos atendeu super bem e cuja experiência detalharei em breve aqui no site.

O que fazer em Riga

Conforme expliquei acima, a minha sugestão de itinerário para Riga foi dividir as atrações em dois blocos / dias, sendo um para o chamado Centro Histórico e outro para as que estão fora deste perímetro.

Olhado o mapa abaixo fica super fácil perceber o quanto é não só possível como altamente recomendável fazer isso para otimizar seu tempo em Riga e curtir a cidade ao máximo.

Tenha em mente que muitos museus de Riga fecham às segundas ao programar sua viagem.

Centro Histórico (Vecrīga)

Estrategicamente situada às margens do Rio Duína, fica uma região de pouco mais de 

1km por 500m que é certamente a mais interessante de Riga e pela qual provavelmente você passeará a maior parte do tempo da sua estadia na capital letã.

Conhecida como Vecrīga, ela é o centro histórico e local de fundação da cidade.

Viagem Riga
O centro Histórico é uma das áreas mais interessantes da cidade.

Ali, um emaranhado de ruas estreitas, muitas delas exclusivas para pedestres farão você viajar no tempo entre construções que vão do medieval ao art nouveau, sendo portanto o local que melhor representa Riga.

Deixe-se perder pelas ruas cheias de lojas, restaurantes, hotéis e muitas atrações.

Mas se você quiser um ponto de partida para conhecer Vecrīga, a minha sugestão é que você comece pela Dome Square que é a praça mais importante de Riga.

Dela partem nada menos do que sete ruas e já foi palco de muitos eventos significativos para a Letônia. 

Ao redor da Dome Square existem vários edifícios do século XIX e início do século XX, mas seu layout atual não é tão antigo assim, já que ela era muito menor.

Dome Square
Dome Square.

No final do século XIX, vários edifícios foram demolidos ali para abrir a vista dos portais de entrada da Catedral da Cúpula de Riga. 

Um detalhe único atrai muitos visitantes: de um ponto marcado na praça, é possível ver os três galos dourados coroando as principais torres da igreja da Cidade Velha. 

Justamente aqui fica um dos edifícios mais imponentes de Riga, a Catedral de Riga (Rīgas Doms).

Fundada em 1211, é a maior igreja medieval de todos Estados Bálticos. 

O edifício da catedral adquiriu sua forma atual ao longo de séculos de reformas, combinando elementos românicos, góticos, barrocos e Art Nouveau.

Catedral de Riga (Rīgas Doms)
Catedral de Riga (Rīgas Doms).

Catedral de Riga (Rīgas Doms)
Catedral de Riga (Rīgas Doms)

É famosa por seu órgão, um dos maiores do mundo. O instrumento grandioso possui quatro manuais ou teclados, 124 registros e 6.718 canos de madeira e metal de diferentes tamanhos. 

Olhe em volta e você notará um lindo edifício de esquina com janelas arqueadas e cor de terra. É o Art Museum Riga Bourse (Mākslas muzejs Rīgas Birža).

Construído no meio do século XIX, ele parece um palácio renascentista veneziano com suas janelas e colunas típicas. 

Viagem Riga
Art Museum Riga Bourse (Mākslas muzejs Rīgas Birža).

No interior, peças de arte que vão do Egito ao Oriente, e muitos artistas locais e europeus é claro.

Da arte para história e a navegação, sugiro você dar uma espiada no Museum of the History of Riga and Navigation.

O museu, cujas origens podem ser rastreadas até 1773, é o museu público mais antigo da Letônia e um dos mais antigos da Europa. 

Aliás ele faz parte do mesmo conjunto arquitetônico que a Catedral do Dome de Riga (construído entre os séculos XIII e 20) porque a ideia toda era ter a igreja, um claustro e um museu. 

Nos salões da exposição do museu, os visitantes podem acompanhar a história da cidade de Riga ao longo de mais de 800 anos, bem como aprender sobre a história e as tradições da navegação.

Literalmente dando a volta neste quarteirão, um outro símbolo da riqueza arquitetônica de Riga.

Os letões são muito bons em utilizar edifícios históricos para museu, então nada mais justo do que pegar três construções similares e fazer o museu de arquitetura do país: Three Brothers, Latvian Museum of Architecture.

Three Brothers
Three Brothers.

Trata-se de um grupo de edifícios residenciais históricos, muito semelhante às Três Irmãs de Talin. 

Interessante que aqui você encontra os mais antigos edifícios residenciais de Riga. Cada edifício foi construído em um século diferente, o mais antigo deles, ou o “irmão mais velho” com nichos góticos e uma empena escalonada, foi construído por volta de 1490. 

Aproveite que você está por ali e visite a Catedral de São Tiago (Svētā Jēkaba katedrāle) que embora seja a menor dentre as principais igrejas de Riga, tem um charme especial por seu campanário medieval preservado. 

Construída no século XIII, a catedral passou por diferentes dominações ao longo da história — católica, luterana e jesuíta — o que lhe confere uma rica diversidade arquitetônica.

Viagem Riga
Catedral de São Tiago (Svētā Jēkaba katedrāle).

Toda cidade medieval tem que ter seu castelo, certo? Vide Talin, Praga e outras. Riga não é diferente com o Riga Castle.

Por volta de 1300, quase um século depois da fundação de Riga às margens do rio Daugava, uma ordem de cavaleiros teutônicos, a Ordem Livoniana, começou a construir sua fortaleza na região, dando origem ao castelo que se vê atualmente.

Como todo edifício histórico, ele passou por muitas guerras e mudanças de governo, e consequentes destruições e reconstruções.

Riga Castle
Riga Castle.

A partir de 1922, excetuado os 50 anos de dominação soviética, o Castelo de Riga serviu e ainda serve de residência do Presidente da Letônia. 

Na sua torre principal, você verá ruas bandeiras: a da Letônia e uma outra que muda a cada 4 anos porque é a bandeira do presidente que estiver governando o país naquele período. 

Já que falamos de castelo, nada mais oportuno do que falar de fortificações.

Esta região de Riga já não tem mais muitos sinais de suas fortificações originais, mas algumas importantes construções que tiveram esta função ainda são visíveis e estão muito bem conservadas.

Uma delas é a Powder Tower, uma torre de proteção datada de 1330. Infelizmente ela foi a única das 28 que compunham a muralha que circundava Vecriga que restou.

Powder Tower
Powder Tower.

Seu nome atual remonta ao século XVI, mas a origem tem duas versões bem plausíveis: ou porque a pólvora foi supostamente armazenada aqui ou da insuportável fumaça de pólvora quando todos os 11 canhões dispararam simultaneamente. 

Hoje a torre abriga o Museu da Guerra da Letônia (Latvijas Kara muzejs) que como o nome diz oferece uma visão abrangente da história militar letã, desde a Idade Média até os conflitos mais recentes, destacando as duas guerras mundiais e a luta pela independência. A entrada é gratuita. 

Embora muito mais recente do que a Powder Tower, ali perto está outro vestígio do que eram as fortificações que circundavam Riga na era medieval.

Construída em 1698 durante o domínio sueco, a Porta Sueca (Zviedru vārti) é a única porta das antigas muralhas da cidade que permanece intacta até hoje.

Localizada na Rua Torņa, a porta permitia acesso aos quartéis fora das muralhas da cidade. Uma curiosidade histórica: o carrasco da cidade morava nas proximidades, e uma rosa vermelha na janela indicava os dias de execução. “Romântico”, né? 

Viagem Riga
Porta Sueca (Zviedru vārti)
Viagem Riga
Seria a casa do carrasco?

Dali para outra importante praça nesta região, a Town Hall Square (Rīgas Rātslaukums).

Esta praça é bem menor que a Dome Square, mas tem uma importância histórica e arquitetônica grande não só para Riga como para a Europa.

Town Hall Square (Rīgas Rātslaukums)
Town Hall Square (Rīgas Rātslaukums).

Duramente destruída durante a Segunda Guerra Mundial, ela foi completamente reconstruída.

Aqui fica o mais belo edifício de Riga, a Casa dos Cabeças Negras (Melngalvju nams).

Mais do que uma bela construção, este edifício que é o cartão postal da Letônia tem muita história para contar.

Este belíssimo edifício foi a sede de uma importante guilda (associação) de comerciantes medievais – sim, curiosamente tem o mesmo nome e conceito/significado que aquela de Talin.

Casa dos Cabeças Negras (Melngalvju nams)
Casa dos Cabeças Negras (Melngalvju nams).

Antes de entrar para visita-la, deixe-se perder admirando os vários detalhes da sua fachada:

A Casa dos Cabeças Negras foi construída em 1334 como local de encontro para várias organizações públicas em Riga, especialmente organizações comerciais. Naquela época, era o mais belo e luxuoso de toda a cidade.

Mas saiba que a estrutura atual não é a original. Infelizmente, o prédio foi destruído durante a Segunda Guerra Mundial, mas em 1999 num enorme esforço das autoridades locais ela foi reconstruída e recuperou sua antiga glória. 

No interior, você pode visitar vários cômodos e literalmente viajar na história.

A visita começa pelo subsolo onde eram armazenados os vinhos e outros mantimentos. Dá inclusive para ver como era o sistema de aquecimento (sim, ele tinha isso!) que mantinha todo o edifício numa temperatura agradável durante o rigoroso inverno letão.

Casa dos Cabeças Negras (Melngalvju nams)
Subsolo da Casa dos Cabeças Negras.

Saint-Maurice
Saint-Maurice, patrono dos black-heads.

Não deixe em hipótese alguma de visitar os andares superiores. Ali você encontrará os gabinetes onde aconteciam as reuniões e um lindo salão de festas:

Viagem Riga
Viagem Riga
Imagina as festas que aconteciam aqui???

Separe pelo menos uns 30 minutos para ver tudo com calma.

Prefeitura de Riga (Rātslaukums)
A belíssima Prefeitura de Riga.

A praça ainda conta com a Prefeitura de Riga (Rātslaukums), um lindo edifício no estilo… Adivinhem… Art noveau!!!

Esta praça tem uma curiosidade bem interessante. Reza a lenda que aqui teria sido montada a primeira árvore de Natal enfeitada do mundo. 

Viagem Riga
Você sabia que a primeira árvore de Natal foi montada em Riga?

Reza a lenda que na véspera de Natal do ano de 1510, um grupo de rapazes embriagados levou um grande pinheiro até a sede de um clube ali existente, decorando-a com flores antes de incendiá-la no final da noite – e assim nasceu a tradição da árvore de Natal. Ou seja, a primeira árvore de Natal terminou em pirotecnia.

Hoje o ponto dela é marcado por uma placa comemorativa e, é claro, todo Natal uma belíssima árvore é enfeitada.

Outra importante atração nesta praça é o Museum of the Occupation of Latvia.

A Letônia, assim como os demais países dos bálticos foi ocupada por diversos invasores, os mais recentes e famosos foram os nazistas durante a Segunda Guerra Mundial e os soviéticos nos tempos da Cortina de Ferro.

Museum of the Occupation of Latvia
Museum of the Occupation of Latvia.

Dali parta para uma das construções mais antigas da cidade, a Igreja de São Pedro (Sv. Pētera baznīca) que data de 1209.

No século XV, a igreja foi significativamente expandida, adquirindo uma aparência gótica distinta. 

Se você quer uma vista panorâmica de Riga, a melhor que você pode ter é a partir de sua torre de 123 metros. Um dos símbolos de Riga é a torre barroca pontiaguda da igreja, que sofreu várias vezes ao longo dos séculos, especialmente por raios – ela foi atingida por eles nada menos do que seis vezes (antes da instalação de para-raios é claro!).

Viagem Riga
Igreja de São Pedro (Sv. Pētera baznīca).

Num deles, mais precisamente em 1721, ela foi destruída por um incêndio causado por um destes raios, apesar do imperador russo Pedro I ter pessoalmente corrido para apagar o incêndio.

Até a Segunda Guerra Mundial, a torre de St. A Igreja de São Pedro era a torre de madeira mais alta da Europa. Durante a Segunda Guerra Mundial, a igreja queimou, então foi reconstruída. 

Quando as últimas obras de reconstrução foram concluídas em 1973, um elevador foi instalado na torre da igreja. 

Não mais do que duas quadras dali, você chega ao Convent Courtyard (Konventa sēta).

Podemos dizer que o Pátio do Convento é a parte mais antiga da cidade.

Viagem Riga
É uma área cheia de vilas lindas.

Inicialmente, o castelo da Ordem dos Irmãos da Espada estava situado neste lugar. O castelo foi construído no século XIII, mas foi destruído no final do mesmo século. 

O nome do Pátio do Convento vem do Convento do Espírito Santo, que se estabeleceu aqui no século XIV. Hoje, o Museu da Porcelana de Riga está localizado no Pátio do Convento, onde os visitantes podem aprender sobre a história da produção de porcelana de Riga. Ali também está o Museu de Artes Decorativas e Design que expõe o trabalho dos principais artistas de arte decorativa e design da Letônia.

Depois de visitar três praças mais antigas é a vez de espiarmos a Livu square, que foi criada após a Segunda Guerra Mundial no ponto de encontro de oito ruas. 

Viagem Riga
Livu square.

Rodeada por edifícios históricos de diversas épocas é um dos lugares mais charmosos de Riga. Um dos mais imponentes é o Mikhail Chekhov Riga Russian Theatre.

Sente-se ali por uns instantes e admire a arquitetura dos edifícios que a rodeiam.

Lembra da tal guilda dos Cabeças Negras?

Então, era uma vez um comerciante muito rico teve reiteradas vezes a sua entrada nesta confraria recusada e para fazer um protesto bem humorado e que acabou ficando para a história, ele construiu a sua própria guilda num palacete.

Assim surgiu a Casa dos Gatos (Kaķu nams) que ficou famosa e ganhou este nome justamente porque o protesto dele foi colocar no telhado dela pelas estátuas de gatos pretos, meio que ignorando a guilda a partir de então concorrente dele.

Casa dos Gatos (Kaķu nams)
Infelizmente ela estava em reforma, mas deu para avistar os gatos no telhado.

Atrações fora do Centro Histórico

Passando agora para fora do perímetro de Vecrīga, uma primeira atração a ser visitada é o Parque Bastejkalna (Bastion Hill), uma das três áreas verdes mais próximas do centro da cidade – na sequência falarei das outras duas.

Parque Bastejkalna (Bastion Hill)
Parque Bastejkalna (Bastion Hill)
Parque Bastejkalna (Bastion Hill)
Excelente lugar para relaxar num dia de verão.

Pertinho de Vecrīga ele é uma deliciosa área verde, perfeita por exemplo para uma caminhada fresca durante o verão ou ainda um piquenique.

Cortando o parque em duas partes está o Monumento da Liberdade (Brīvības piemineklis), simbolizando a independência da Letônia.

Monumento da Liberdade (Brīvības piemineklis)
Monumento da Liberdade (Brīvības piemineklis).

Ele foi erguido em 1935 e no seu topo está a figura feminina “Milda” segurando três estrelas que representam as regiões históricas do país.

Numa das beiradas do parque, mais perto do Centro Histórico, fica a Ópera Nacional da Letônia.

Desde 1863, este belíssimo edifício neoclássico é a casa de espetáculos mais famosa de Riga.

Cruzando o quarteirão de edifícios atrás da ópera você chega ao Parque Vērmanes que se divide em dois a partir da avenida do Monumento da Liberdade.

Aqui no parque você encontrará duas atrações imperdíveis de Riga.

A primeira delas é a Catedral da Natividade de Cristo, a maior catedral ortodoxa da cidade, famosa por suas cúpulas douradas e interior ricamente decorado.

Catedral da Natividade de Cristo
Catedral da Natividade de Cristo.

Ela foi construída entre 1876 e 1884 com tijolos amarelos e cinco imponentes cúpulas douradas que se destacam especialmente ao entardecer. 

Durante a era soviética, a catedral foi transformada em um planetário e um café, mas foi restituída nas suas funções em 2000, tornando-se mais uma vez um edifício sacral icônico com cultos regulares na igreja ortodoxa. Entrada gratuita.

A outra atração é imperdível para os amantes de arte. Estou falando do Latvian National Museum of Art.

O museu foi construído em 1905 e foi o primeiro edifício no Báltico projetado especificamente para as necessidades de um museu de arte. 

A coleção do museu é extensa, são mais de 52.000 obras de pintores e escultores da Letônia, demais países do Báltico e da Rússia. 

Caminhando pela rua Baznica ilea, você vai se deparar com a Igreja de Santa Gertrudes a igreja que está belissimamente instalada em uma rotatória que interliga outras quatro ruas.

Viagem Riga
Igreja de Santa Gertrudes.

É importante você não confundir ela com outra com o mesmo nome que é mais recente, esta é a Velha Igreja de Santa Gertrudes ou Vecā Svētās Ģertrūdes baznīca.

Santa Gertrudes é considerada a Padroeira dos Viajantes (Santa Gertrudes de Nivelles 626–659). E em Riga, igrejas dedicadas a ela eram construídas fora das muralhas da cidade para oferecer proteção e refúgio a quem chegava ou partia.

Esta aqui passou por uma sequência de reconstruções, mas a primeira menção a uma igreja neste local data do início do século XV (por volta de 1418). 

Devido a guerras e cercos, o edifício foi destruído e reconstruído sete vezes. Durante séculos, as construções foram de madeira, pois estruturas de pedra eram proibidas fora das muralhas defensivas de Riga.

Esta estrutura atual de pedra e tijolos foi construída entre 1864 e 1869. Ela substituiu a última versão de madeira após a demolição das fortificações da cidade, o que finalmente permitiu edificações mais permanentes nos subúrbios.

Dali, peque um transporte público e siga até a Casa da Esquina (Stūra māja) ou Museu do KGB.

Casa da Esquina (Stūra māja) ou Museu do KGB
De fora parece um prédio qualquer, mas era o endereço mais temido de Riga.

Esta é uma oportunidade única de ver de perto como eram as operações da temida KGB na Letônia, o que explica em muito o legítimo ranço que os letões têm dos seus vizinhos.

Neste edifício que fica numa esquina de Riga funcionou por muito anos o quartel-general da KGB em Riga. Ali eram realizados interrogatórios (leia-se tortura) e algumas pessoas eram presas. 

Primeiro os prisioneiros eram fichados e depois terrivelmente interrogados:

Casa da Esquina (Stūra māja) ou Museu do KGB
A cozinha onde eram preparados os pratos dos detentos, com água suja e itens estragados.
Casa da Esquina (Stūra māja) ou Museu do KGB

Você pode estar achado estranho o edifício estar assim mal conservado. Mas a ideia é deixar ele no seu aspecto o mais original possível. Confesso que isso deu um senso de realismo ainda maior para a experiência.

Quem gosta de história como a gente vai se interessar muito pela experiência. É como eu sempre digo: conheça e aprenda sobre os erros do passado para não repeti-los no futuro!!!

E nesta missão tão importante a Casa da Esquina (Stūra māja) ou Museu do KGB faz um papel simplesmente maravilhoso.

Casa da Esquina (Stūra māja) ou Museu do KGB
Andar pelos corredores faz lembrar como o ser humano pode ser terrível.

O tour demora uns 40 minutos e foi uma das experiências mais interessantes sobre esta temática que tivemos em todos estes países dos Bálticos, contribuindo em muito para tudo o que tenho contado nesta série de posts.

O destaque aqui fica por conta do guia que embora jovem, parece até que viveu aqueles tempos de horror, de tão bem que explica o tema.

Casa da Esquina (Stūra māja) ou Museu do KGB
Celas apertadas compartilhadas com várias pessoas.
Casa da Esquina (Stūra māja) ou Museu do KGB
Banho de sol era raro e sempre vigiado.

E a maioria dos prisioneiros acabavam mortos em uma sala preparada para execuções com paredes e portas acolchoadas para abafar os tiros e ralos para drenar o sangue. Pesado.

A coisa é tão pesada que não permitem menores de 12 anos no tour.

Nos arredores da estação de trem de Riga você encontra uma interessante atração, o Mercado Central de Riga. 

A gente simplesmente ama este tipo de atração. É a oportunidade de ver como as pessoas de um determinado destino vigem, interagir com os locais e principalmente, experimentar pratos e itens típicos locais.

Este mercado tem um charme adicional por conta das suas instalações. Ele foi estabelecido em antigos hangares de dirigíveis alemães (os tais Zepelins).

Mercado Central de Riga
Do lado de fora realmente parecem hangares.

Não deixe de provar os enrolados salgados e os doces:

São quatro hangares de mercado, então vá com tempo e disposição para passear por ali. Funciona todos os dias das 7h30 às 18hs (17hs nos domingos).

Pertinho do mercado, uma atração que é cara da era soviética, a Academia de Ciências da Letônia. Este enorme edifício é o melhor (e um dos poucos) exemplos da arquitetura stalinista.

Seu estilo que mais parece um “Bolo de Noiva”, me lembrou demais os edifícios em Varsóvia e Sófia, cidades que ainda têm muito da influência arquitetônica da era soviética.

Academia de Ciências da Letônia
Academia de Ciências da Letônia.

No seu 17º andar é possível ter uma vista 360° fantástica de Riga, já que a cidade não tem grandes arranha-céus.

Hora de cruzar o rio Duina para conhecer uma atração muito bacana e admirar a vista mais famosa de Riga.

Para isso, a minha sugestão é você pela ponte Akmens Tilts porque dali você consegue já espiar a Railway Bridge, uma bela ponte de ferro por onde passam os trens que chegam à estação central de trens de Riga.

Railway Bridge
Railway Bridge.

Do outro lado você já vai avistar um edifício muito moderno e bonito que contrasta muito com o que se vê em Vecrīga, por exemplo.

Estou falando da Biblioteca Nacional da Letônia, também conhecida como “Castelo da Luz”.

Nem preciso dizer o quanto ele é diferente do restante da arquitetura de Riga, e o objetivo é este mesmo.

Sua forma inclui metáforas e referências a uma famosa peça letã chamada Cavalo Dourado (Zelta Zirgs), retratando uma montanha de vidro ou um Castelo de Luz simbólico. 

Biblioteca Nacional da Letônia
Biblioteca Nacional da Letônia.

E não é apenas o seu exterior que chama a atenção, vale dar uma espiada por dentro porque há uma variedade de salas de leitura temáticas que são lindas.

Este é mais um exemplo onde as bibliotecas são mais do que um excelente repositório de livros. Elas podem e devem, como alguns exemplos que vimos nesta viagem servir como um moderno centro cultural e de informação, que também hospeda conferências, festivais e várias exposições temáticas.

Um detalhe: dependendo dos ventos e ondulações no Rio Duina, é possível inclusive tirar uma foto dele espelhando a biblioteca a partir da ponte Akmens Tilts.

E por falar em vistas, tem uma que é icônica de Riga.

A partir da ponte Vanšu, mais precisamente do ponto próximo ao enorme mastro onde a bandeira da Letônia está hasteada, você pode admirar a silhueta de Riga com o Castelo de Riga e as torres das quatro igrejas mais importantes da cidade.

Vista do landscape de Riga.
Vista do landscape de Riga.

Aliás, aproveitando que você está nesta região, sugiro você fazer um passeio de barco pelo rio Duína.

Aqui existem duas formas, uma é embarcando num barco ali nas proximidades da ponte Vanšu e a outra pegando um barco no Parque Bastejkalna (Bastion Hill).

Nós havíamos marcado o passeio a partir da ponte Vanšu, mas como caiu uma tempestade na hora do passeio, acabamos alterando para o passeio a partir do Parque Bastejkalna e não nos arrependemos.

O passeio começa justamente pelos canais do parque onde você pode curtir a tranquilidade e beleza local.

Passeio de barco Riga
Começa no parque.

Passeio de barco Riga
E vai até o rio Duína.

Dali ele segue para o canal ao lado do Mercado Central de Riga até desembocar no rio Duína e fazer a volta por uma linda marina na entrada do canal do parque novamente.

O trajeto todo leva aproximadamente 1 hora e é uma excelente forma de admirar tanto o landscape de Riga a partir do rio Duína quanto descansar as pernas depois de explorar a cidade.

Um passeio diferente em Riga que você pode fazer depois é pela ilha de Ķīpsala, às margens do rio Duína, um pouco mais ao norte da Biblioteca Nacional da Letônia.  

Esta é uma área muito arborizada e que tem um charme especial com suas típicas casas de madeira – o que mostra mais uma vez a diversidade de estilos de Riga!!!

ilha de Ķīpsala
ilha de Ķīpsala.

Esta ilha foi cenário de uma das mais belas e arriscadas histórias de resgate do Holocausto. Um morador local, Žanis Lipke, salvou mais de 50 judeus da morte certa durante a ocupação nazista. Ele conseguiu um emprego na força aérea alemã, o que lhe permitiu contrabandear pessoas do gueto de Rīga sob o pretexto de usá-las como trabalhadoras, mas as escondeu em um bunker sob a pilha de lenha ao lado de sua casa.

Como se não bastasse a quantidade de edifícios no estilo art nouveau, eu avisei que Riga é um expoente deste estilo, a cidade conta ainda com o chamado Distrito Art Nouveau.

O epicentro de edifícios neste estilo está na Rua Alberta e seus arredores. Ali você precisa andar literalmente olhando para o alto, admirando a grande quantidade de ornamentos que decoram os edifícios. São tantos detalhes que você até se perde.

Rua Alberta
Rua Alberta literalmente enfileira lindas construções.

Rua Alberta
Rua Alberta

Boa parte dos trabalhos aqui ou foram realizados ou inspirados pelo arquiteto Mikhail Eisenstein projetou fachadas ornamentadas com elementos da natureza, figuras femininas e linhas fluidas frequentemente comparadas às obras de Gaudí.

Além das atrações acima, existem outras duas que merecem destaque para você adicionar ao seu roteiro de viagem por Riga.

A primeira delas é a Riga Rise, a primeira e mais alta roda-gigante panorâmica de toda a região dos países Bálticos, com 65m de altura.

Inaugurada em 2025, suas gôndolas para até 8 pessoas garantem belas vistas do centro histórico, já que ela está na margem oposta do rio Daugava. Portanto prefira visitar em um dia em que o tempo esteja bom para aproveitar ao máximo.

Riga Rise
Riga Rise.

Um pouco mais longe de todas estas atrações fica uma que é especialmente interessante para os amantes de veículos antigos. 

O Riga Motor Museum (Rīgas motormuzejs) é o maior e mais moderno museu de veículos antigos dos países bálticos.

Situado no distrito de Mežciems, uns 10 km do centro histórico, ele guarda uma rica coleção de veículos históricos, especialmente da época da antiga URSS.

Destaque para a Coleção do Kremlin, com carros oficiais e limusines blindadas da era soviética, incluindo veículos de líderes como Stalin.

São ao todo mais de 100 automóveis, motocicletas e veículos raros distribuídos em três andares.

Além de todas estas atrações fantásticas, Riga tem uma cena gastronômica incrível. Não deixe de conferir as nossas dicas de Onde comer em Riga.

Viagem Riga
Faça agora suas malas para Riga!

* O Cumbicão visitou Riga mediante uma parceria estabelecida junto ao Board de Turismo Local (Visit Riga) para coletar material para esta série de posts. Todas as opiniões e relatos aqui descritos refletem fielmente a experiência, atendendo à política do blog.

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