Essuatini

Essuatini, uma grata surpresa na África

“Ah, tá que você viajou para Essuatini… este país nem existe!”. Não duvidaria ouvir isso de alguém.

E talvez você mesmo tenha ouvido algo parecido ao falar para alguém que está pensando em ir para lá.

Absolutamente compreensível, já que é um país absolutamente desconhecido da maioria das pessoas, e talvez o maior motivo seja que ele não era conhecido por tal nome.

O que hoje é reconhecido como Essuatini era a antiga Suazilândia. Eita, talvez eu não tenha ajudado muito…

Essuatini é um dos poucos países, senão o único que eu já vi que nos últimos 20 anos mudou de nome.

Aliás esta é uma das histórias mais contadas a respeito de Essuatini, inclusive com direito a lendas urbanas.

Comecemos pela lenda.

Alguns alegam, sem qualquer fundamento, que o nome foi trocado de Suazilândia, Swaziland no inglês para acabar com uma possível confusão com outro país… Switzerland (em inglês)… Suíça em português.

É algo interessante, mas como dito é uma lenda.

A verdade é que em abril de 2018, para marcar a comemoração dos 50 anos de sua independência, o país mudou o seu nome de Reino da Suazilândia para Reino de Essuatíni, para estar mais próximo de suas origens e afastar-se do nome de origem colonialista, já que Essuatini significa “terra dos suázi” na língua local. 

Rinocerontes no parque Hlane.

De qualquer forma, Essuatini é um dos menores países do mundo, com apenas 17mil km² (153.º em tamanho). Mas isso seria comparável a que?

Para você ter uma melhor ideia, o menor estado do Brasil, Sergipe, possui uma área total de aproximadamente 21.910 km². Outro comparativo seria o seguinte: Essuatini é 3x maior do que o Distrito Federal (5.761 km²).

São apenas 200 km de norte a sul e 130 km de leste a oeste.

E onde fica Essuatini? Ele fica ensanduichado entre a África do Sul e Moçambique, sem saída para o mar.

Eu sou um apaixonado por bandeiras e arrisco dizer que conheço só de bater o olho a maioria delas. A de Essuatini, desde os tempos de Suazilândia, sempre me chamou a atenção justamente pelo esquema de cores e do brasão central.

Muitas bandeiras africanas, especialmente da costa oeste são todas parecidas e meio sem graça (desculpe a sinceridade…). Mas não a de Essuatini.

Suas cores representam estabilidade no azul, riquezas naturais no amarelo (como nós) e as batalhas pela independência no vermelho. Mas o brasão é o mais legal! Trata-se de um escudo Nguni de pele de boi e lanças típicas dos povos nativos.

Bandeira de Essuatini.

Essuatíni tem duas capitais, Mebabane (Mbabane na grafia local) onde fica a sede do poder executivo, e Lobamba onde estão situadas as sedes dos poderes legislativo e judiciário. 

Mbabane é inclusive a maior cidade do país, com 95mil habitantes. 

Parlamento de Essuatini

O país inteiro tem uma população de 1,3 milhões de habitantes, em sua maioria (3/4) professando alguma vertente da fé cistã.

O traço mais curioso na população local é que as leis locais não só permitem como também existe um viés cultural muito forte incentivando algo bem diferente aos costumes mais modernos: a poligamia.

Exclusiva para os homens, ela é vista como um sinal de status e riqueza na sociedade suazi, onde as aldeias maiores podem pertencer a uma única família poligâmica, com a construção de casas adicionais para cada nova esposa.

Poligamia só para os homens 🤔

O próprio Rei Mswati III é o exemplo mais proeminente da poligamia no país, tendo cerca de 15 esposas (o número pode variar).

A coisa é tão assim que existe um festival anual onde mulheres solteiras de todo o país se reúnem para a dança de junco Umhlanga por vários dias (a época varia conforme os astros – consulte no site oficial do rei) na esperança de chamar a atenção do rei e virar a próxima rainha. Quantas mulheres? Normalmente umas 40mil!!!

É meio que um reality show Who Wants to be Queen???

Economicamente, Essuatini é um país em desenvolvimento com uma economia essencialmente focada na agropecuária, com destaque para a exportação de algo que nos é bastante conhecido: cana de açúcar.

A qualidade de vida é algo bem complicado por lá, com um IDH 0,597 (144.º médio) e uma renda per capita de US$ 4.836 (106º). Para você ter uma base: Brasil tem IDH 0,786 (84º.  alto) e renda per capita US$ 20.685 (84.º).

Andando pelas ruas não estranhe se a maioria das pessoas parecerem jovens demais. Quase que 40% da população é formada por pessoas com menos que 20 anos de idade, e o país décima segunda menor expectativa de vida do mundo, 58 anos. 

Essuatini é um país bastante humilde.

Neste contexto, há ainda um enorme problema: um terço da população adulta é portadora do vírus HIV. É o país que mais apresenta casos proporcionais de AIDS no planeta, com 26% da população adulta. Um absurdo!

Em 2010, a contaminação na faixa etária entre 25 e 29 anos chegou a 46% dos suazis.

Essuatíni é uma das poucas monarquias do continente africano; e com um diferencial inclusive em relação às outras monarquias existentes no mundo: trata-se de uma diarquia.

Mas o que é uma diarquia? Eu não fazia a menor ideia até estudar um pouco sobre o tema. 

Nela, o governo é exercido pelo Ngwenyama (“rei”, o chefe de Estado administrativo) e pela Ndlovukati (“rainha mãe”, a chefe de Estado nacional). Aqui fiquei me perguntando qual das trocentas esposas exerce o cargo de rainha… a mais experiente? Imagina a treta???

Olha o rei de Essuatini ai!

Diferente porque normalmente nas monarquias ainda existentes, o rei ou rainha quando muito é apenas chefe de estado.

Essuatini tem dois idiomas oficiais: o suázi e o inglês. Mas não estranhe se eventualmente tiver a sorte de ouvir português nas ruas. Isso porque o nosso idioma foi introduzido nas escolas como uma terceira língua em razão da proximidade com Moçambique onde português é o idioma oficial. 

Como eu sempre brinco, é simpático aprender um pouco do idioma local para fazer uma graça e arrancar sorrisos dos gringos. Então bora tentar (porque é complicado pacas!) um pouco de suazi:

  • Sawubona- Olá
  • Unjani? – Como você está?
  • Kulungile ngiyabonga – Bem, obrigado(a).
  • Yebo – Sim
  • Cha – Não
  • Ngicela – Por favor.
  • Ngiyabonga – Obrigado(a).
  • Angicondzi – Eu não entendo (certamente muito útil J).
  • Ncesi – Desculpe.
  • Sala kahle – Adeus.

história de Essuatini confunde-se em muito com a da África do Sul, seja pela proximidade geográfica seja pela colonização.

Embora artefatos datem como de 200.000 anos atrás a presença de humanos na região, a história mais bem documentada ou pelo menos conhecida bem das chamadas grandes migrações bantu, povos que falavam línguas do grupo banto e eram originários das regiões que atualmente conhecemos como Nigéria e Camarões e se expandiram para o sul e leste da África a partir de 1000 a.C.

Essuatini experimentou a sua primeira organização mais ou menos como nação a partir da migração do que é hoje Moçambique do povo suazi (que dá nome ao país) a partir do século XVIII. Sei primeiro rei foi Ngwane III.

Representação de uma típica vila suazi.

O problema é que este grupo sofria constantes ataques de outro grupo bastante conhecido e muito poderoso na região, os zulus com quem guerreavam constantemente.

No final do século XIX, a descoberta de ouro na vizinha República Sul-Africana ou Transvaal, como era conhecida na época levou a uma invasão de caçadores, comerciantes e, mais tarde, mineiros e fazendeiros europeus.

Para proteger o reino de invasões diretas, os reis Suázis assinaram inúmeras “concessões” para os brancos – terras, mineração, e comércio.

E como se não bastasse, entre 1880 e 1902, os bôeres (descendentes de colonos holandeses, alemães e franceses), foram atacados pelos ingleses que cientes das riquezas minerais locais viram uma excelente oportunidade para ampliar os domínios da coroa britânica. 

Isso gerou duas guerras, a Primeira e a Segunda Guerra dos Bôeres que foram travadas tanto na África do Sul quanto em Essuatíni.

Não é difícil olhar para o período entre 1800 e 1900 e não achar várias cicatrizes pelo mundo deixadas pelos ingleses…

Enfim, ao final, é fácil imaginar quem levou a pior… os africanos que agora estavam nas mãos dos ingleses sob o pretexto de um “protetorado”… e é claro, todas as riquezas minerais.

Se do Brasil os portugueses levaram muito ouro usando “tecnologia” de 1500, imagina o que os ingleses levaram de ouro e diamantes de toda esta região no sul do continente africano com uma tecnologia muito mais avançada???

Esta situação durou até 1968 quando Essuatíni tornou-se uma nação independente.

Como são os Essuatinianos? 

Sim, o gentílico local é esse mesmo, essuatiniano.

Aos nossos olhos eles podem não parecer lá muito diferentes dos sul africanos.

Homem em trajes típicos.

Mas existe uma grande diferença não só cultural, é claro, como também comportamental.

Como eles não estão tão acostumados com turistas como a turma da África do Sul, espere que eles sejam bastante curiosos e muito atenciosos, especialmente para com nós brasileiros. Sim, aquela coisa de futebol ainda toca forte na galera na África.

A presença de turistas é tão rara que pelas ruas você praticamente não vê outras pessoas que não aquelas que moram ali. 

Tanto que numa esquina um garoto olhou para a gente e disse “Hi blue moon!”, algo como “Oi raridades!”.

Tem gente que simplesmente entra em pânico com isso. Entendo perfeitamente, mas é a graça e desafio de andar por onde poucos andam. É o famoso sair das estradas mais comuns, ou como dizem os gringos “Off the beaten path”.

Montando uma viagem para a Essuatini

Para ajuda-los a programar a sua viagem para Essuatini, vamos às questões práticas.

Olhando para trás me pergunto se compensou e se é tranquilo ir para Essuatini, até porque você deve estar se fazendo esta mesma pergunta antes de embarcar nesta aventura.

Eu achei que compensou demais ir viajar até Essuatini sim.

Primeiro porque é uma experiência muito diferente daquela que se tem na África do Sul, já que como o fluxo de turistas é muito menor, mas muito mesmo, algumas experiências são mais roots, no melhor sentido e o custo também é bem menor.

Olhando vida selvagem.
E o aspecto cultural, adoramos Essuatini.

O segundo ponto é talvez o mais desafiador, se é tranquilo ir para lá.

Aqui em casa a Sra. Cumbicona embarga em qualquer jornada comigo, já que ela não tem frescuras e confia na minha sensibilidade. Mas eu tenho que manter a boa fama e não perder a credibilidade da minha tripulação!

Então por mais que aos olhos da maioria das pessoas pareça que eu simplesmente me jogue nos destinos, não é exatamente assim. São riscos estudados e calculados.

Eu faço uma série de pesquisas antes, especialmente olhando para aquelas coisas básicas como segurança, alimentação e conforto. A gente aqui em casa não tem frescuras, mas estes itens são essenciais.

Sendo um destino pouco explorado, a quantidade de informações, especialmente em português é quase nula. Você mesmo talvez tenha achado este post e com sorte mais uma meia dúzia de posts sobre Essuatini nas suas buscas. Não é para menos, estamos falando de um destino muito pouco explorado.

Para esta viagem, tomei uma série de cuidados específicos, como por exemplo a escolha do hotel.

Hilton Essuatini.

Não só pela questão do custo mais favorável do que a África do Sul, investi num hotel de rede internacional (provavelmente o melhor do país) justamente para ter um standard de qualidade mais previsível.

Receoso com a questão alimentar, preferimos minimizar as refeições em restaurantes e etc para locais que sabíamos serem seguros ou simplesmente buscar alimentos nos bons (sim existem!) supermercados locais.

Planejei um pouco mais do que o normal os deslocamentos de carro e monitorei as condições das estradas.

Neste quesito, tomei um bom tempo estudando os requisitos de entrada não só em termos de visto e passaporte, mas principalmente entrada com veículo alugado como detalharei mais a diante.

Dito tudo isso, se você uma experiência maior em destinos assim diferentões, Essuatini é sim tranquilo!

Precisa de visto e seguro saúde?

Segundo apurado junto ao board de Turismo e Ministério das Relações Exteriores de Essuatini (lista aqui), na data da nossa viagem, brasileiros não precisam de visto para ficarem até 30 dias no país a turismo. 

E o passaporte precisa ter uma validade de no mínimo 3 meses antes da data de saída de Essuatini.

Nunca é demais lembrar que mesmo não existindo visto ou tendo requisitos rígidos para a entrada, as autoridades de imigração podem exigir a apresentação da passagem de volta, prova de meios de subsistência durante a viagem, e comprovante de hospedagem. Esteja sempre, para qualquer lugar, preparado com isso.

Acho que pela primeira vez na história do Cumbicão estamos viajando para um país que não tem embaixada brasileira.

Mas e ai???

A embaixada mais próxima fica 400km dali!

embaixada brasileira em Moçambique (Maputo), acaba cumulando a jurisdição sobre Essuatini.

Por mais que a imigração em Essuatini não exija a apresentação de um seguro viagem, acho que não dá para sair de casa sem contratar um.

Por questões de saúde mesmo, tenha em mente que o mais importante motivo para você contratar um seguro viagem é o fato de que qualquer tratamento no exterior, por mais simples que seja, pode custar mais que a viagem. 

Assim, tão longe assim de casa, nem sonharia em embarcar sem um seguro viagem. Nós aqui em casa utilizamos a Real Seguro Viagem, parceira do blog. Vocês podem contratá-la diretamente no banner ao lado.

Ah, já ia me esquecendo… Em Essuatini, assim como na África do Sul, eles exigem a comprovação de que você tomou a vacina contra a febre amarela.

Quando ir para Essuatini?

Com um número reduzido de viajantes estrangeiros, o quando viajar para Essuatini não passa por aquela questão de alta e baixa temporada.

O ponto aqui é se você gosta ou não de viajar no frio ou se prefere viajar no calor.

As estações do ano em Essuatini são exatamente como as do Brasil, verão no começo / final do ano, e inverno no meio do ano.

Com um terreno mais montanhoso, Essuatini tem temperaturas menores que na África do Sul.

As temperaturas no verão podem variar bastante durante o dia (Essuatini tem muitas áreas montanhosas), indo de 18°C pela manhã a 30°C à tarde. Esta também é a época mais chuvosa, com pancadas à tarde. 

Os meses de inverno, de maio a agosto, são secos e ensolarados, com noites frias com mínimas de 10ºC e máximas de 25º.C.

Dito isso, para você ter uma clara ideia da expectativa de temperatura e chuvas ao longo do ano, trago as médias para Mbabane:

Acho que ficou fácil escolher a melhor época para ir para lá, né?

Quanto tempo e roteiro em Essuatini?

Como vimos anteriormente, Essuatini é um país com um território bem pequeno, o que facilita demais na hora de montar um roteiro.

Para você ter uma ideia das distâncias, dá para literalmente cruzar o país de norte a sul, uns 240km, em aproximadamente 3hs de carro. Então os deslocamentos internos são bastante facilitados.

Dá para conhecer bem Essuatini com uns 3 dias inteiros de viagem. Mais que isso só se você tiver algum interesse muito específico.

Claro que tudo depende do que você pretende conhecer e do seu ritmo de viagem.

Olhando para a questão do roteiro, a minha sugestão é dividir os dias entre a capital Mbabane algum parque nacional e a área do Vale Ezulwini para ter uma melhor visão do que é Essuatini.

Mbabane, nossa base em Essuatini.

No nosso caso, optamos por montar a nossa base em Mbabane e a partir dela explorar estas regiões no esquema bate-e-volta. Funcionou super bem!

Com isso tivemos uma boa percepção do país, pois vimos de tudo um pouco, natureza, cultura e a capital que é bem diferente do que imaginávamos.

Como chegar e circular por lá?

Acho que nem preciso te dizer que não existem voos diretos entre o Brasil e Essuatini, né? Kkkk

Então sobram apenas duas opções.

A primeira e em tese mais rápida seria um voo para o único aeroporto internacional do país (King Mswati III International Airport – SHO) que fica um tanto considerável longe de Mbabane – mais perto de Moçambique do que outra coisa…

Segundo o Flight Connectionns, ele recebia na data deste post voos vindos de Johanesburgo, Cape Town, e Durban na África do Sul; ou de Harare, Zimbábue.

Neste contexto, e principalmente porque queríamos algo que fosse mais tranquilo, optamos por ir de Johanesburgo à Mbabane (nossa base em Essuatini) numa viagem de umas 4hs cruzando a fronteira em Oshoek Border Post (África do Sul) e Ngwenya Border Post (Essuatini).

Cruzando a fronteira para Essuatini

Existem vários outros 12 pontos que você pode utilizar para cruzar para a África do Sul. Apenas esteja ciente que a maioria deles funciona entre 8h e 22h (16h em pontos de travessia menores). 

Esteja muito, mas muito atento ao fato de que você pode sim cruzar com o carro alugado na África do Sul para Essuatini. Entretanto é preciso avisar com antecedência da locadora porque eles precisam preparar a papelada e eventualmente a locadora vai te cobrar algum valor adicional por isso.

Já passamos por isso noutros lugares, como por exemplo na viagem entre Albânia – Macedônia do Norte – Grécia ou Romênia Bulgária.

Uma boa dose de burocracia.

Em resumo, o processo, que diga-se de passagem é muito mal sinalizado / informado do lado sul africano, é o seguinte.

Ainda do lado da África do Sul, se você estiver viajando com menores, você precisa primeiro passar no serviço social onde eles coletam os dados dos menores e pais apresentando-se o passaporte. E não te dão nenhum comprovante de que você tenha passado por lá!!!

Ai você vai para o controle de imigração que fica num prédio do outro lado da rua.

Nele você consegue o carimbo de saída, e portanto autorização para passar para o lado de Essuatíni, onde você vai para um novo prédio onde pega duas filas. 

Taxas para os veículos

A primeira é para pegar o carimbo de liberação do veículo e pagar uma taxa – lembra da autorização da locadora? Aqui que ela entra.

Já na segunda é a conferência de passaporte e etc.

De posse de alguns carimbos e formulários, você dirige-se à cancela para apresentar tudo ao guarda de fronteira que te libera.

Na volta, tudo igual, excetuado o ponto do serviço social e pagamento de taxas porque o veículo está retornando para a África do Sul.

Uma vez lá, o próximo ponto é como se locomover dentro de Essuatini.

Como eu adiantei anteriormente, para os padrões brasileiros a Essuatíni é bem pequeno e você cruza o país inteiro em umas 2h30/3hs no máximo.

Para se locomover por lá a única alternativa é mesmo utilizar-se de um carro alugado.

Alugar um carro é essencial.

As estradas não são aquelas coisas, espere algo como no interior do Brasil. Estradas vicinais e eventualmente com animais cruzando, então redobre a atenção e evite dirigir à noite.

Pelas estradas não existem pedágios.

As estradas até que são boas.
Cuidado com animais na pista, coisa super comum.

Adicionalmente mantenha o veículo sempre abastecido porque nem sempre é fácil encontrar postos de gasolina em lugares mais remotos. Serviço à beira da estrada quanto muito é assim:

Outro ponto relevante, são as barreias sanitárias. Não se assuste, mas justamente por conta da vida selvagem é super comum, especialmente nos caminhos para os Parques Nacionais, fiscais pedirem para todos sairem do carro e pisarem em recipientes com líquidos sanitários para desinfecção.

Pausa para lava-pés 😂

Precisa de PID (Permissão Internacional para Dirigir) para dirigir em Essuatini? Olha, procurei muito esta confirmação e não achei. Por isso, prefiro seguir a regra geral da precaução cumbicaniana de que saindo de países europeus mais tradicionais e a Américas, é sempre bom ter.

Lembre-se que lá, assim como na África do Sul a mão de direção é inglesa, então é tudo invertido.

Ah e por mais que você tenha um chip de celular e ele funcione nos grandes centros urbanos, por precaução, faça download dos mapas para uso off-line.

Compensa juntar Essuatini com outros destinos na região?

Normalmente isso seria nos nossos textos uma pergunta. Mas no caso de Essuatini isso é uma condição para a viagem.

Não imagino alguém que acorde e pense: opa, vou exclusivamente para Essuatini nas próximas férias!!!

Com todo respeito ao interessante país, não é um local que está no radar dos viajantes estrangeiros, especialmente brasileiros.

Mas estando por ali, seja na África do Sul ou em Moçambique, CERTAMENTE vale a pena dar uma esticadinha e conhecer o país!!!

Que moeda levar para Essuatini?

A moeda local é o lilanguéni (SZL), que é está indexada ao rand sul-africano, que também é aceito regularmente nas ruas de Essuatíni. 

Então você nem precisa de preocupar com câmbio nem troco. Apenas fique atendo para não voltar para a África do Sul com lilanguéni na carteira porque fora de Essuatíni não será útil.

SZL 1 = R$ 0,31 e R$ 1 = SZL 3,11

SZL 1 = US$ 0,059 e US$ 1 = SZL 15,27

O lilanguéni vem em moedas de 10, 20 e 50 centavos, 1, 2 e 5 lilanguéni (plural emalangeni) e notas de 10, 20, 50, 100 e 200.

Dada a paridade com o rand, já fica claro que a melhor moeda para você levar para Essuatíni é mesmo a moeda sul-africana.

Para facilitar as consultas ao câmbio atualizado enquanto em viagem, sugiro instalar um dos muitos apps para celular que fazem este tipo de conversão facilmente. Eu particularmente uso o Conversor de moedas XE que está disponível para iOS e Android.

Recomenda-se sempre ter algum dinheiro trocado, especialmente se você for se aventurar por áreas mais remotas ou cidades menores.

Lilanguéni de Essuatini.

Nem perca tempo procurando lilanguéni nas casas de câmbio do Brasil que você não vai encontrar, a melhor saída é, pelo menos para emergências, ter um pouco de moeda forte para trocar lá.

Qual? Dólar, mas apenas para emergências.

Para os gastos ordinários, hoje tenho usado muito cartões de contas internacionais, como Wise e C6 que, como detalho nos respectivos posts, e penso que apresentam o melhor custo benefício.

Para ambos existe a vantagem de que você pode converter dos reais da sua conta corrente para rand (no caso do Wise) durante a viagem. Maravilha!!!

Então esta é a alternativa com melhor custo-benefício tanto para compras quanto para saques em ATMs – presentes apenas nas áreas mais urbanas.

Como uma solução de emergência ainda uso os cartões de débito no exterior.

Nunca é demais lembrar que os ATMs sempre cobram uma pequena taxa por saque, além daquela cobrada pelo emissor do seu cartão. Lá, o valor girou em torno de uns R$ 20.

Os cartões de crédito são muito bem aceitos em lojas e restaurantes maiores (hotéis sempre). Não espere que ele seja aceito em lojas menores ou lugares mais remotos, neste caso, ter dinheiro é a solução.

Ah, e não se esqueça sempre de conferir se você o desbloqueou para operações no exterior e vale também conferir o limite de crédito.

Quer saber mais sobre meio de pagamento no exterior? Verifique as nossas dicas especiais sobre gastos no exterior.

E por falar em dinheiro, gorjeta este é um costume sim em Essuatíni, onde aplica-se a regra geral de algo entre 10% a 15% em restaurantes e guias. 

Custo de uma viagem para Essuatini

É cara uma viagem para Essuatíni?

Os game drives, por exemplo têm um custo muito melhor do que na África do Sul.

Como eu sempre digo, caro ou barato são conceitos bem subjetivos, já que vai muito do seu estilo de vida / viagem. E também vai muito também com o que você compara.

A melhor comparação é com a África do Sul, que está ali ao lado, e em certa medida tem atrações semelhantes.

Não sei se é por conta do desenvolvimento econômico inferior ou igualmente inferior afluxo de turistas estrangeiros, mas Essuatíni é ainda mais barato do que a África do Sul.

Itens como hotéis e safaris são bem mais em conta.

Com o que você pagaria um hotel mais ou menos em Cape Town ou outra cidade na África do Sul você se hospeda no melhor hotel de Mbabane. Aliás isso é algo altamente recomentável!

Hotéis de qualidade têm um preço excelente.

Outros itens como, por exemplo, safaris guiados custam menos da metade do que se paga na África do Sul.

Aos demais custos, como atrações ou alimentos, têm valores iguais ou ainda menores do que temos aqui no Brasil.

É seguro viajar para Essuatíni?

Tomadas as precauções que você já tem aqui no Brasil, dá para considerar Essuatíni um destino de viagem seguro. Claro que tem que ficar esperto com coisas comuns em qualquer lugar como batedores de carteiras por exemplo. Fora isso, é bem tranquilo.

As manchetes de jornal não diferem muito das nossas, mas para o turista não tem grandes riscos.

Pode beber água da torneira? Não recomendo em hipótese alguma. Eu sou daqueles que só toma água da torneira em destinos bem específicos, como EUA, Canadá, alguns lugares da Europa e Japão por exemplo. 

Não que sejam super comuns problemas com comida lá, mas eventualmente você pode ter algum problema com a comida local por conta do tempero.

Fora que pelo simples fato de estar tão diferente, é sempre bom ter uma farmácia de viagem para eventual necessidade.

Outras informações importantes

O horário comercial em Essuatíni segue o padrão de segunda a sexta-feira, das 8hs às 17hs. 

Atrações e museus, embora cada um tenha o seu horário próprio, a regra geral é que eles fecham às segundas.

Essuatíni está num fuso horário de 5hs à frente do horário de Brasília.

Em Essuatíni não é nem um pouco fácil encontrar banheiros públicos e nem sempre tem papel higiênico, então tenha sempre o seu a mão.

As tomadas em Essuatíni são de três pinos, mas não como a nossa. A deles é num formato que mais se parece com o inglês, porém com pinos redondos – o tal tipo M. Assim, para os seus eletrônicos, um adaptador universal é essencial. A voltagem é 220v.

O que fazer em Essuatíni?

Vamos então à parte mais importante, o que visitar em Essuatíni.

Como Essuatíni não estava nos planos originais desta viagem pela região e surgiu como uma oportunidade de conhecer outro país, eu acabei limitando a nossa experiência, até mesmo em favor do tempo, a conhecer a capital Mbabane e seus arredores, e um parque nacional.

Além da simples curiosidade, outro fator me atraiu para Essuatíni: a fauna local.

Espere ver muito mais do que cervos.

Essuatíni tem uma proporção considerável (quase 5%) de seu pequeno território dedicada às reservas naturais, fruto de muito esforço de vários personagens que vão dos reis, políticos e principalmente movimentos conservacionistas.

Isso garantiu um ambiente de proteção para muitas espécies, como por exemplo os rinocerontes, fazendo com que Essuatíni fosse o único lugar do mundo onde você ainda consegue admirar na natureza as duas espécies deste enorme animal, o branco e o negro (exclusivo dali).

Se você pretende fazer Safari em Essuatíni, o país tem excelentes parques para isso e um adicional: não são cheios como alguns da África do Sul e muitas das vezes os tours têm um custo inclusive menor.

Os lugares mais adequados para a observação de animais selvagens são os parques ou reservas naturais que são administradas por Big Game Parks

Então todas as atividades relacionadas às principais reservas naturais do país, como Mlilwane, Hlane e Mkhaya, passam por ele.

Mas que animais terei mais chances de avistar em Essuatíni?

Ver rinocerontes de perto é uma experiência muito típica em Essuatini.

Isso vai depender bastante da reserva, pois nem todas têm por exemplo os tais Big Five, ou não têm carnívoros.

Por exemplo o Mlilwane Wildlife Sanctuary, que fica apenas 27km de Mbabane, embora seja o mais antigo do país não tem carnívoros como leões e guepardos, o que possibilita caminhadas e passeios de bicicleta pela reserva.

Já o Mkhaya Game Reserve, que fica um pouco mais distante de Mbabane (86km /1 h15), te oferece a oportunidade de admirar os famosos rinocerontes negros de Essuatíni, uma espécie em altíssimo risco de extinção.

Se a África do Sul tem o Kruger Park, Essuatini tem a sua versão menor, o Hlane Royal National Park. Digo isso porque é a maior área protegida de Essuatíni e também casa dos “Four Five” (leão, elefante, rinoceronte e leopardo) no país – aqui não tem búfalos.

Ele fica um pouco mais distante de Mbabane, são 103km / 1h25 a partir de Mbabane também.

Mais ou menos como os parques nacionais se dividem no território de Essuatini.
Hlane Royal National Park foi a nossa escolha.
O parque tem uma infraestrutura muito boa.

Os passeios, a exemplo dos parques da África do Sul podem ser guiados ou feitos no esquema de self-drive, onde você vai com o seu próprio veículo, mas no caso de self-drive você não tem acesso à área dos leões. E na boa, a experiência com o guia foi tão boa que eu nem cogitaria ir por conta. Ele sabia exatamente onde os animais estavam.

Os parques normalmente abrem ao público externo (porque você também pode se hospedar lá dentro) das 6 às 18hs todos os dias.

Há uma taxa geral de entrada de SZL 90 por pessoa (SZL 45 para até 13 anos).

No caso do Hlane Royal National Park, desejando fazer o passeio com os guias e veículos próprios do parque, o custo era de:

Activity RatesRATEMIN PAX
Sunrise Game Drive (2,5 hrs)ZAR 5202
Guided Game Walk (2 hrs)ZAR 3002
Rhino Drive (1,5 hrs)ZAR 3702
Mid Day Game Drive (2,5 hrs)ZAR 4752
Sunset Game Drive (2,5 hrs)ZAR 5202
2 nights Ehlatsini Catered Bush Trails (1 April to 30 September)ZAR 35004
1 night Ehlatsini Catered Bush Trails (1 April – 30 September)ZAR 21004
Guided Birding Walk (2 hrs)ZAR 3002
Umphakatsi Cultural ExperienceZAR 2004
Morning Walk (4hrs)ZAR 4554
Mahlindza Bush WalkZAR 3252

E para o Mkhaya Game Reserve:

Activity RatesRATEMIN PAX
Day ToursZAR 12852

Compare com os preços que eu citei quando falamos dos parques na África do Sul e você verá quanto mais em conta é Essuatini também neste ponto.

Confira ai na sequência de fotos como foi o nosso safari ou game-drive no Hlane Royal National Park.

Bastaram alguns minutos na estrada para vermos os primeiros animais.

Começando por uma variedade de cervos, inclusive alguns lindos filhotes.

Ai avistamos dois enormes rinocerontes.
Interessante como eles convivem de boa com os cervos.

Vimos também ao longo do caminho alguns outros animais menores mas não menos interessantes como javalis, macacos e até tartarugas:

Infelizmente os leões e demais felinos conseguiram se esconder no mato alto ☹️

Mas vimos uma enorme quantidade de elefantes. Alguns até nos perseguiram na estrada e tivemos que fugir de ré:

Muitos elefantes no Hlane Royal National Park.
Este estava mais calmo.
E por fim vimos alguns hipopótamos.

A cidade de Mbabane em si não tem grandes atrações, mas um passeio pela maior cidade do país e em especial pelos seus arredores pode sim render boas experiências.

Destaco apenas o Mbabane Craft Market, um mercado local interessante para ver como é a vida em Essuatini.

É algo que você visita rapidinho, coisa de meia hora se muito, mas é bem bacana mesmo. Tem uma área de souvenires e outra de alimentos. Ah e a de ervas medicinais que embora seja confusa aos nossos olhos é bem interessante.

Mbabane Craft Market.
Souvenires.

Vai um corte de cabelo ai?

Mas saindo de Mbabane, tem uma região que vale conhecer: o Vale Ezulwini, uma região que funciona meio que como uma guardiã das tradições suazis. 

Situada apenas 15km (11 minutos) de Mbabane, esta região é um bom resumo do que é Essuatíni raiz, culturalmente falando.

Na Vila Cultural de Mantenga, além das tradicionais casas, aliás bem semelhantes às ocas de alguns nativos brasileiros, você tem a oportunidade de ver de perto como era a vida tradicional em Essuatini.

Vila Cultural de Mantenga.

Esta talvez, junto com o Hlane Nacional Park tenha sido a experiência mais interessante de Essuatini. Primeiro pelo show cultural e segundo pela tal vila.

Normalmente tenho muita prevenção quanto a este tipo de atração que tende a ser meio ˜pega turista˜, mas achei esta super honesta. Tanto pela qualidade do show quanto pelo tour com o guia pela vila que nos deu muita informação a respeito da sociedade suazi.

Só não tive coragem de bater um papo com o “pagé” que fica nesta “oca”.

Um ponto interessante, novamente em semelhança aos nossos nativos, os suazis têm o seu “pajé” que lá atende pelo nome de sangoma – curandeiro, adivinho e médium – na mediação com os ancestrais na cultura suazi. A continuidade do falecido entre os vivos é fundamental para a noção de família local e está arraigada nos valores locais que combinam crenças cristãs e indígenas.

A apresentação da tradicional dança Sibhaca que acontece às 11h15 e às 15h15 é um misto de movimentos e percussão incrível.

Não perca o show típico!!!

Se quiser dar uma aprofundada na história de Essuatíni, visite o Eswatini National Museum, já em Lobamba.

No outro extremo, ainda no Vale Ezulwini, algo que me decepcionou foi o Ezulwini Handcraft Market, que era para ser um bom mercado de souvenires e artesanato local mas me pareceu absolutamente abandonado:

Vá apenas se tiver tempo sobrando.

Voltando para as atrações interessantes, outra que eu achei que não seria bacana mas me surpreendeu bastante foi a Swazi Candles e o um mercado de artesanato adjacente.

Se você procurar por atrações em Essuatini certamente esta loja especializada em velas perfumadas (e lindas) existente desde 1980 vai aparecer.

Além de ser um souvenir diferente, elas são muito bonitas.

Swazi Candles.

Legal que dá para ver os artesãos trabalhado.

Aproveitando que você está ali, almoce no Sambane, um delicioso café que serve de pratos leves à sanduíches deliciosos. O local é tocado por uma família de expatriados que escolheu Essuatini para ser a sua casa. Preços justos e refeições deliciosas.

Sambane.

E ai, bóra conhecer um lugar absolutamente exótico?

Diogo Avila

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Diogo Avila

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