Estônia

Talin, a mais bela capital medieval da Europa

Com pouco mais de 450mil habitantes, Talin não só é a capital da Estônia, como também a mais medieval das capitais europeias.

Ainda não estive em todas as capitais europeias, na data deste post faltavam 10 de 50 que compõem o continente. Mas posso te garantir que Talin é certamente a mais medieval de todas as capitais – e a mais preservada também!!!

Isso é muito interessante porque contrasta bastante com a ideia inicial que eu tinha da Estônia como contei no post que abre esta sequência sobre o país.

Como dito lá, sempre que via alguma notícia deste canto do mundo era para falar ou de soluções digitais (especialmente as governamentais) quanto da geopolítica, lembrando que estamos falando de uma ex-república da URSS.

Ou seja, quando muito a imagem pré-concebida de Talin que eu tinha seria de uma Varsóvia com um toque mais moderno.

Isso mostra de um lado quanto diverso eram os povos que compunham a ex-URSS e também o quanto os estonianos deveriam se sentir um peixe fora d’água neste caldeirão étnico.

Talin é a capital mais medieval da Europa.

Dado este contexto, a ideia de uma belíssima capital com raízes medievais tão preservadas foi uma deliciosa surpresa de viagem e fez valer a pena viajar tão longe para não só ver como sentir esta atmosfera tão interessante.

Digo isso porque muitas vezes a gente viaja para um lugar cheio de atrações interessantes, mas elas meio que parecem desconectadas umas das outras.

Você tem de um lado uma coisa super histórica, mas logo ali, vizinho um Starbucks estragando a paisagem.

As ruas do centro histórico de Talin são pura imersão medieval.

O fato é que existem destinos de viagem que pela constância de sua arquitetura ou da vibe local, conseguem manter-se relativamente imunes à pasteurização que se vê hoje em dia.

Talin por sua vez, consegue ser genuinamente medieval no seu centro histórico, mas uma capital (relativamente) movimentada e moderna fora deste. Isso é excelente para quem viaja e quer experimentar o autêntico!!!

Tudo isso é fruto de uma rica história, e de um período bastante próspero.

No final do século XIII, a cidade de Talin entrou para o que era na época conhecida como a aliança mercantil da Liga Hanseática.

A Liga Hanseática (ou Hansa) foi uma influente aliança comercial e defensiva de cidades portuárias do norte da Alemanha e região do Báltico, entre os séculos XII e XVII.

Isso fez dela o porto mais importante do Golfo da Finlândia e um entroncamento crucial nas rotas comerciais do Mar Báltico, lucrando bastante com o comércio de produtos como madeira e peixe a tecidos e especiarias.

Foi justamente a riqueza deste comércio e uma burguesia cada vez mais próspera que levou à construção da cidade medieval mais bem preservada da Europa nórdica que se protegia dentro das suas muralhas guardada por 26 torres de vigia.

A riqueza do passado fica clara nos edifícios de Talin.

Andando pela região mais histórica de Talin, a imersão é tamanha que às vezes parece até mesmo que você está em um parque temático, ou num cenário de conto de fadas.

Mas não é só. Para além das muralhas desta região mais medieval, você encontrará uma série de bairros com casas tradicionais de madeira, e alguns edifícios do pós-guerra. 

Isso sem falar nas modernas torres de escritórios onde funcionam várias empresas do setor tecnológico. 

Dicas práticas

Como costumamos fazer, antes de tratarmos das atrações em si, vamos ver algumas dicas práticas para você curtir a cidade ao máximo e otimizar seu tempo em Talin.

Chegando e circulando em Talin

Se você optar por chegar na Estônia vindo de Helsinque como nós, o ponto de chegada será o cais situado ao norte da cidade.

Vindo da capital finlandesa é uma viagem tranquila de aproximadamente 2hs de barco que você faz com uma das duas empresas que operam esta rota, a Eckeroline e a Tallink. 

A diferença entre elas são os horários de partida que são meio que intercalados entre elas. O local de partida em Helsinque para ambas é o mesmo: West Harbour Terminal.

O preço entre elas parece num primeiro momento que há uma diferença de uns € 10 por pessoa, mas isso não procede ao final. A Tallink que parece ser mais cara coloca como já inclusa na reserva do assento na Star Class; enquanto que a Eckeroline cobra o assento (Horizon Seat) separado, equalizando os valores.

O ferry-boat da Tallink era enorme.

Terminal de ferry em Talin, de onde você já pega um bonde e em 5 min. está no centro da cidade.

Dá para viajar em pé? Olha, não recomendo, já que é uma viagem de 2hs e acho pouco provável que você consiga um lugar para sentar, especialmente se estiver viajando em família quando existe uma clara preferência para todos sentarem juntos. 

Se você tem receio de barcos, saiba que não é um barquinho não. Estou falando de um barco enorme como dá para ver nas fotos.

Posso comprar mais em cima da hora da viagem? Poder até pode, mas os preços sobem um tanto antes. 

Como faço com a bagagem? Você precisa carregar a sua própria mala, então na exagere no peso dela. Durante a viagem, se você não quiser ficar com ela, pode deixar em um dos guarda-volumes existentes no ferry por um pequeno valor.

Lembre-se que é preciso fazer o check-in antes. No caso da Tallink, eles recomendam fazer entre 24hs e 30min. antes da partida via app, ou presencialmente nos quiosques no terminal até 20 min. antes do embarque.

Já para quem chega de trem, especialmente vindo de Riga, o nosso próximo destino nesta sequência pelos bálticos, a viagem é bem mais longa. Coisa de 6hs de viagem que pode ser direta ou não, dependendo do bilhete que você compra.

Trem é outra excelente opção se você estiver vindo do sul.
A estação de trem de Talin fica perto do centro da cidade.

Para quem optar por chegar de avião, o Aeroporto de Talin que recebe voos de várias capitais europeias é beeem pequeno, mas tem uma enorme vantagem de ficar apenas 4km do centro da cidade. 

E este trajeto de-para lá você pode pegar várias linhas para isso: 2, 13, 15 e 49 conforme informações do site do aeroporto (vale sempre espiar para ver se na mudaram as linhas, ok?).

Uma vez na cidade, bóra ver como se locomover por lá.

Talin tem uma grande vantagem de que as atrações são muito bem concentradas como dá para notar do mapa abaixo.

Então se você se programar bem seus deslocamentos tendem a ser reduzidos.

A cidade parece ter sido desenhada para ser explorada a pé. Não só na região mais central e histórica, como também nos arredores já que é muito bem arborizada e tem muitos calçadões exclusivos para pedestres. 

Talin não tem sistema de metrô, mas isso nem de longe é um problema já que além de compacta, ônibus e principalmente bondes (trams) atendem super bem ao turista, esteja ele hospedado em que região da cidade for.

Tram (bonde) é a melhor opção em Talin.

Para usar o sistema, que é todo integrado, sugiro você usar o Talin Card do qual falarei mais detalhadamente na sequência.

Mas se você optar por não usar este, é possível pagar as passagens usando seu cartão de débito ou crédito na modalidade contactless. 

Aqui existe um ponto super honesto e que deveria ser modelo no mundo. Acompanha aqui que sacada deles: 

Imagine que você faça 4 viagens no dia, cada uma ao custo de € 2. Ao final do dia custaria € 8, certo? 

Não, porque o sistema tem um limite que trava o custo da somatória das viagens ao custo do bilhete diário vigente (€ 5,50 na época da nossa viagem). Então se você usar sempre o mesmo cartão (detalhe importante!!!) o custo final será € 5,50 e não € 8. Ele para de te cobrar depois de estourado o limite.

Caramba que honestidade!!! Fora que isso evita aquela coisa chata e até certo ponto absurda de você ter que ficar fazendo contas do que compensa mais.

Nunca nestes anos todos tinha visto uma ideia tão genial e obvia ao mesmo tempo. Parabéns Talin!!!!

Aliás aprendi isso com o nosso parceiro de viagem Visit Tallinn!!!

Você pode pagar com o seu TallinCard ou cartão de crédito.

Outra alternativa é comprar o bilhete nas máquinas existentes em muitas estacoes. O tíquete vale por ah e custa € 2 independentemente da distância viajada, diversamente de algumas capitais europeias.

Ai é só validar o bilhete ao entrar no ônibus ou tram. Ah, importante faça isso sempre que você entrar no veículo, mesmo que seja uma baldeação.

Outra alternativa é comprar um bilhete recarregável chamado Ühiskaart que é vendido em lojas de conveniência chamadas Kiosi e custa € 3 reembolsáveis. Ai é só você ir carregando ele com valores para suas viagens em pacotes validos para 1, 3, 5 e 30 dias.

Importante lembrar que os motoristas não vendem bilhetes! E você sempre deve usar a porta da entrada para acessar porque assim ele vê que você valiou o bilhete / pagou a passagem.

E planejar os trajetos ou ver o timetable é super fácil pela plataforma do governo local que opera sistema de transporte, já que eles disponibilizam um sistema de real time com a posição de cada ônibus ou bonde!!!! A cada 5 segundos este site atualiza a posição deles. Amei!!!

Menores de 7 anos não pagam passagem.

Por fim, mas não menos importante, o sistema opera diariamente das 6hs às 23hs.

Quanto tempo em Talin?

Não subestime Talin!!!

Esta é talvez a mais importante dica deste post.

Não ache que por ela não estar no radar da maioria dos turistas brasileiros que vão à Europa (uma pena para eles!) baste um par de dias para conhecer a capital da Estônia.

Se você dar uma olhadinha rápida no mapa acima vai ficar impressionado com a quantidade de atrações que a cidade oferece.

Talin é um daqueles lugares onde perambular pelas ruas já é uma atração.

Eu mesmo acabei dando é sorte. Sorte porque quando fui montar o roteiro desta viagem que incluiu também Helsinque, Riga e Vilnus, meio que separei 3 dias inteiros para cada cidade, mas acabou sobrando um dia.

Fiquei muito tempo pensando o que fazer com este dia adicional, e na dúvida acabei acertando ao fazer Talin em 4 dias ao invés de 3 dias.

Dá para fazer em 3 dias? Sim, claro. Especialmente se você for no verão (quando a luminosidade garante dias “mais longos”) e tiver um ritmo de viagem mais acelerado. Agora se for no inverno, quando 3hs da tarde já é quase noite… complica.

Fora que com 4 dias dá até para considerar tentar algum bate-e-volta nos arredores de Talin se você topar.

Onde se hospedar?

As atrações de Talin estão mais concentradas no centro histórico, e em menor quantidade oeste deste. 

Então, em termos de região, eu penso que estas duas regiões são as melhores para uma hospedagem na capital estoniana.

O centro histórico se você prefere um hotel boutique que seja assim mais histórico. 

Telliskivi é uma excelente região para ficar, perto das atrações e muito em conta.

Mas ai vai por mim, encontrar algo bom. Eu bem que tentei, mas fiquei bem receoso com a qualidade das hospedagens porque muitos parecem até que bonitos, mas quando você olha os detalhes, o preço simplesmente não compensa.

Outra opção são os hotéis maiores (alguns de redes internacionais) num arco nos arredores do centro histórico, ou seja, no sentido horário a partir da estação de trem, passando pela região do cais de onde veem os ferries de Helsinque, e termina na parte perto da Ópera.

Esta acabou sendo a nossa opção, justamente pensando no mix custo, qualidade e proximidade com as atrações.

No nosso caso, ficamos mais perto da estação de trem porque a nossa partida para Riga tinha um horário bem específico e queríamos aproveitar ao máximo a estadia em Talin.

Bob W Talin Telliskivi.

O custo dos hotéis não chega a ser tão com como em países como Albânia, mas espere encontrar hotéis custam muito menos do que um hotelzinho qualquer em Paris, por exemplo. 

O mesmo vale para apartamentos, espere encontrar apartamentos lindos (vontade de morar!), com estacionamento e perto das atrações pelo equivalente a uns € 40/50 por noite no Booking.com. 

Por fim, escolhemos o Bob W Talin Telliskivi que nos atendeu super bem e cuja experiência detalharei em breve aqui no site.

Tallinn Card

Antes de falarmos das atrações de Talin, tem uma dica essencial para você otimizar seu orçamento com transporte e ingressos na cidade, o Tallinn Card.

Em essência é um cartão que dá acesso gratuito a mais de 50 museus e atrações e viagens gratuitas no sistema de transporte público. Adicionalmente você ainda tem descontos em passeios, atividades, lojas e restaurantes.

Ao longo deste post eu vou marcando para você quais atrações são gratuitas com o Tallinn Card para facilitar.

Tallinn Card, excelente custo benefício.
Chegando nas atrações, basta apresentar a tela com o QR Code.

No caso do benefício transporte, você pode alugar bicicletas por até 3hs ou usar de forma ilimitada os ônibus e trams da cidade (os veículos sempre têm uma marca do sistema para facilitar sua identificação).

Importante: mesmo neste caso você precisa validar o Tallinn Card da mesma forma que validaria no QR Code o bilhete de transporte comum nos totens na entrada os veículos.

Cuidado se você estiver usando o celular como forma de pagamento automático contact less… desative o NFC nas configurações do seu celular antes de registrar seu Cartão de Tallinn móvel no transporte público. Caso contrário, o dispositivo de registro venderá um único bilhete adicionalmente.

O cartão tem três opções de duração 24hs, 48hs e 72hs, portanto você pode adquirir aquele que melhor se adequa à duração da sua viagem.

A compra é feita tanto no site acima quanto diretamente dentro do app correlato ao Tallin Card, disponível tanto para celular com sistemas iOS quanto Android, aqui com a vantagem de ser mais fácil de usar e já ter ali um mapa coma as atrações e muito mais.

Na época da nossa viagem, o Tallinn Card custava a partir de € 43 para adultos (+18) e € 25 crianças (0-17 anos).

Recomendo você já favoritar as suas atrações.
Depois é só visualizar tudo no mapa.

Eu gostei bastante do Tallin Card e acho que realmente compensou demais ter ele durante esta nossa viagem, seja pela economia que tivemos com transporte público seja com as atrações gratuitas e descontos naquelas selecionadas pelo nosso parceiro Visit Tallinn.

Visit Tallinn, nosso parceiro nesta viagem.

Ao longo deste post, quando falar de cada uma das atrações, vou pontuar quais são gratuitas com o Tallinn Card e já adianto… São muitas!!!

O que fazer em Talin

Algo que você notará neste post é que eu tentarei ao máximo possível manter tanto o nome traduzido das atrações quanto o em estoniano, já que eventualmente uma placa ou outra podem estar no idioma local, ou ainda para você poder perguntar para algum morador local que não fale inglês – é raro, mas vai que…

Para facilitar, sugiro que você tente agrupar as atrações por região ou por proximidade.

Uma ideia é separar, por exemplo entre o centro histórico e outras, como fiz abaixo. Mas tudo depende da região na qual você se hospedará.

Outro ponto importante é ter em mente que muitos museus de Talin fecham às segundas ao programar sua viagem.

Centro histórico de Talin

Comecemos o nosso passeio por Talin justamente pela sua área mais central e charmosa, a Cidade Velha de Talin (Vanalinn).

Como dá para notar pelo mapa que ilustra este post, existe uma área a leste da estação de trem e ao sul do cais de ferry boat que está muito bem caracterizada por ruas estreitas e irregulares e, se você utilizar a visão de satélite do Google Maps, notará que os telhados ali são todos laranjas.

Sinal de construções históricas, muitas delas.

É justamente pela riqueza desta região repleta de ruas de pedra, muralhas e torres que datam principalmente dos séculos XIII a XVI, que o centro histórico medieval de Talin é classificado como Patrimônio Mundial da UNESCO.

Guardadas as devidas proporções, me lembrou um pouco Praga, mais especificamente aquela área do Castelo de Praga e os arredores da praça principal e do Relógio Astronômico. Só que sem a horda de turistas!!! Mais uma vantagem de Talin!!! 

Acho que nem preciso te dizer o quanto é importante você separar um tempo do seu itinerário de viagem para perder-se deliciosamente elas ruas desta região!!!

Apenas não a subestime, já que é uma área relativamente grande, com aproximadamente 1km por 1km, divida em duas seções: Toompea, na colina; e a Cidade Baixa.

Esta área toda é circundada, especialmente à oeste (lado da estação de trem) por muralhas medievais e muitas torres, muitas delas marcadas aqui no mapa deste post.

A cidade inteira é cheia de muralhas e torres medievais.

Bacana notar que algumas delas ainda funcionam como portões de acesso à cidade, como é o caso das torres Plate Tower (Plater Torn) e Köismäe Tower (Köismäe Torn) que “guardam” o acesso à cidade velha pela rua Suurtüki.

Ao Norte, voltado justamente para o mar Báltico, existe uma importante estrutura protetiva formada de um lado pelo Grande Portão Costeiro (Suur Rannavärav) e do outro pela Torre da Margarida Gorda (Fat Margaret).

Torre da Margarida Gorda (Fat Margaret) e o portão.

Esta é uma entrada e tanto para a região de Vanalinn que é certamente a mais importante área histórica e turística de Talin.

O tamanho da torre impressiona e dá uma ideia de quanto Talin precisava se proteger em razão das riquezas que transitavam por esta cidade hanseática na Idade Média.

Esta passagem pelo Grande Portão Costeiro, que data de 1359, era a ligação entre o porto e a Praça da Prefeitura, ou seja, por ali passavam itens valiosos e a ameaça de forças inimigas invadindo a cidade era constante.

A torre tem media 25m de diâmetro, com paredes de até 5m de espessura, dai seu nome. Resta saber quem era a Margarete que foi “homenageada” de forma nada singela. 🤣

Hoje, a estrutura abriga a principal filial do Museu Marítimo da Estônia que como o nome deixa claro trata da história da navegação no Mar Báltico. 

Museu Marítimo da Estônia.

O destaque ali é o naufrágio de um navio koge, um navio cargueiro de 18m do século XIV. Dentro dele, desenterrado no bairro Kadriorg de Talin em 2015, arqueólogos encontraram utensílios de cozinha, calçados e roupas pertencentes a marinheiros medievais.

Free com Tallin Card.

Interligando o portão à zona baixa de Vanalinn está a via mais importante dali, a Rua Pikk. Não deixe de caminhar por ela!!!

As três irmãs é um dos destaques da rua.

As construções são lindas.

Nela você encontra uma série de casarões, sendo que muitos deles funcionavam como as tais Guildas, o que numa tradução livre seriam algo como associações de comerciantes de um determinado item, ou bolsas de mercadorias, onde eram negociados itens como tecidos, grãos, especiarias, metais e muito mais.

Por exemplo cito a St. Olaf’s Guild Hall e a Kanuti Guild Hall, além da famosa House of the Blackheads cujos palacetes, bem conservados servem para outros propósitos.

No caso da House of the Blackheads, estamos falando do mais antigo e bem conservado edifício de Vanalinn.

House of the Blackheads.

No edifício datado de 1532 com imponente portão e adornos em pedra, funcionava a associação de mercadores e artesãos. Ali eram realizadas tanto reuniões comerciais como festas nababescas.

No final dela, considerando que você entrou pelo Portão Costeiro, está o Estonian History Museum – Great Guild Hall.

Com mais de 600 anos de história este edifício que outrora foi o principal ponto de encontro dos comerciantes e burguesia da Talin medieval abriga o mais importante museu da Estônia, o Museu de História da Estônia. 

Estonian History Museum – Great Guild Hall.

Numa viagem ao passado de Talin você percorre salas de armas e vê de perto quão rica a cidade era.

Uma das atrações imperdíveis de Talin. Free com Tallin Card.

Mas nem só de histórias medievais vive a região.

Num edifício da rua Pikk há uma atração bem diferente conhecida como KGB Prison Cells.

Para quem não se lembra, KGB é a sigla para Komitet Gosudarstvennoy Bezopasnosti (Комитет Государственной Безопасности), que traduzido do russo significa Comitê de Segurança do Estado. Foi a principal agência de inteligência, polícia secreta e serviço de contraespionagem da União Soviética (URSS), atuando de 1954 até 1991.

Algo como um misto de CIA com Guestapo… Sinistro!

O endereço mais temido de Talin.

Aliás foi dali que saiu um cara bem mau que governa uma grande nação que eu ainda vou conhecer quando ele for para o outro lado… o Plutinho, para assim ficar mais sutil.

Este museu situado onde outrora existiam celas de uma unidade da KGB em Talin é um lembrete do temido e nada saudoso tempo da URSS para os estonianos.

Durante a ocupação soviética de meio século, a casa na Rua Pagari era temida em toda a Estônia soviética. Originalmente construída como um prédio de apartamentos, foi transformada em prisão preventiva e serviu como sede da KGB na Estônia. 

As celas foram preservadas como eram originalmente.

Acho que nem preciso detalhar que aqui as pessoas não só eram presas, mas também torturadas e assassinadas. Visitar as salas de tortura e a solitária é algo terrivelmente impactante:

Sala de execuções da KGB Prison Cells.

Free com Tallin Card.

Passando para a parte alta de Vanalinn.

Se você olhar o mapa da região, notará que existe apenas uma rua moderna chamada Toom-Kooli tn que faz a ligação entre a cidade e a região alta de Toompea. Isso já soa estraho atualmente.

Mas imagina que no passado a única forma de acessar esta área que era a fortificação era apenas o portão das Pernas Curtas (Lühike jalg).

Sim, o nome é esse mesmo e a referência decorre de que ele foi assim contruído de proposito o tráfego das pessoas que adentravam à região.

Concluído em 1456 pelo pedreiro oficial do conselho municipal, Hans Kotke, este beco de pedra e íngreme (dai o nome pernas curtas), é hoje uma rua encantadora ladeada por lojas de artesanato e cafés.

Como toda cidade medieval merece, Talin também tem seu castelo, o Castelo de Toompea (Toompea Loss).

Dependendo do lado que você olhar ele, vai achar meio estranho chama-lo de castelo, já que de muitos ângulos ele mais parece um palácio. Isso porque ele passou por várias reformas e adições ao longo dos séculos.

As porções mais antigas, que são as muralhas e torre datam do século XIII e são melhor admiradas a partir da região mais baixa da cidade (ressaltando que o centro histórico está no topo de uma colina).

Os melhores pontos são justamente na Falgi tee, uma das vias de acesso ao centro histórico (marquei no mapa para facilitar). Ou ainda do Toompark do qual falarei mais tarde.

Hoje ele mais parece um palácio do que um castelo.

Digo isso porque olhando do lado de quem chega pelo Centro Histórico, há um predomínio de construções bem mais recentes.

O Castelo de Toompea substituiu uma fortaleza anterior que data do século IX d.C.

Em 1219, ele foi palco da Batalha de Lindanise, quando foi tomado pelos cruzados dinamarqueses liderados pelo rei Valdemar II.

Aliás, reza uma lenda popular dinamarquesa, que a bandeira da Dinamarca (Dannebrog) caiu do céu durante uma fase crítica da batalha, meio que um insight divino que propiciou uma virada a favor dos dinamarqueses como contei no post sobre a Finlândia.

No interior do Kiek in de Kök Fortification Museum há inclusive uma exposição completa sobre esta história.

Tanto que o castelo passou a ser chamado de “Castelo dos Dinamarqueses”, em estoniano arcaico contemporâneo taani linna – talvez esta seja a origem do nome da cidade de Talin.

A estrutura atual data do século XIII com a retomada pelos estonianos, embora o castelo tenha voltado a cair para a Dinamarca apenas dez anos depois, em 1237.

A partir do século XVIII, o castelo passou para a Ordem Teutônica cruzada que era uma ordem religiosa, dai porque foram adicionadas várias igrejas ao complexo como o todo, inclusive para fora das suas muralhas.

Também foram adicionadas algumas torres como a “Pilsticker” (“afiador de flechas”), “Stür den Kerl” (“afastar o inimigo”), “Landskrone” (“coroa da terra”) e “Langer Hermann” (“Hermann Alto”) do alto da qual a bandeira da Estônia é hasteada diariamente no nascer do sol, ao som do hino nacional, e arriada ao pôr do sol. 

Langer Hermann onde hasteiam a bandeira da Estônia.
Por todos os lados você encontra torres de defesa.

Em 1710, a Suécia perdeu o território da atual Estônia para o Czarado da Rússia. Posteriormente, vários projetos de reconstrução maiores foram realizados e o complexo de edifícios foi efetivamente transformado de castelo em palácio. 

Isso explica várias adições no estilo barroco, o que explica a mistura de estruturas que você vê atualmente.

Com a independência da Estônia em 1918, o governo decidiu adaptar o complexo para servir ao Parlamento da Estônia (Riigikogu) que foi remodelado em 1922.

Uma das estruturas medievais mais interessantes de Talin é a torre Kiek in de Kök, que atualmente comporta um interessantíssimo museu, talvez o mais legal da cidade, o Kiek in de Kök Fortification Museum.

Ela foi construída entre 1475 e 1483 para reforçar as defesas ao sul de Talin com seus mais de 37m de altura.

Seu nome Kiek in de Kök, significa “espiar a cozinha” porque dizem que guardas que trabalhavam nela podiam olhar para dentro das casas dos moradores de Talin através de suas chaminés. 

Kiek in de Kök Fortification Museum.

Aqui funciona uma das filiais do Museu da Cidade de Talin (sim, ele tem mais de uma unidade então cuidado para não se confundir!).

Kiek in de Kök tem duas seções principais: o museu da torre e as passagens dos bastiões.

Na primeira, uma exposição permanente e voltada para os pequenos viajantes contando a história das defesas e conflitos militares de Talin. 

Área externa das muralhas.

A outra parte, igualmente interessantíssima, é um conjunto de túneis do século XVII, que se estendem sob a colina Toompea, e foram planejadas como um elo seguro entre as torres que cercam a cidade.

Estas mesmas passagens foram usadas como abrigos antiaéreos da Segunda Guerra Mundial e locais de reunião para ativistas políticos nos anos 1970. 

Free com Tallin Card.

Aqui você encontra o Museu da Pedra Esculpida que exibe decorações de pedra centenárias que ornavam vários lugares da Cidade Velha de Talin. 

Tudo isso num labirinto de túneis embaixo das muralhas.

Nesta região de Talin existem várias igrejas interessantes construídas em períodos distintos e inclusive de ordenações cristãs diversas.

A primeira delas é a mais imponente, a Catedral Alexander Nevsky. 

Construída no século XIX, é a mais importante igreja ortodoxa russa na Estônia e representa a forte influência do antigo Império Russo na região.

Catedral Alexander Nevsky.

Dos cristãos ortodoxos para os luteranos, sugiro visitar a Catedral de Santa Maria (Talina Piiskoplik Toomkirik) que é a igreja mais antiga de Talin. Ela foi construída no século XIII pelos católicos dinamarqueses.

Catedral de Santa Maria (Talina Piiskoplik Toomkirik.

A maior parte do exterior gótico do Norte data do século XV, embora um incêndio em 1684 tenha danificado gravemente a estrutura, que foi reconstruída com novos toques barrocos (como o campanário) nos séculos XVII e XVIII. Free com Tallin Card.

Outra importante igreja na região é a Igreja de São Olavo (Oleviste Kogudus). 

Igreja de São Olavo (Oleviste Kogudus).

Construída no século XVI, já foi o edifício mais alto do mundo. 

Ela era mais ainda mais alta do que é hoje porque em 1625 um raio provocou um incêndio que destruiu grande parte e reduziu a torre em 35 m. 

A igreja, dedicada ao rei Olaf II da Noruega (não é àquele personagem da Frozen não!!!), foi originalmente construída como um local de culto católico romano, depois passou para os luteranos durante os anos da Reforma antes de ser finalmente transformada em local de culto batista na década de 1950. 

A vista da cidade velha a partir da torre da igreja compensa a subida.
Inclusive para o lado do mar.

Você pode subir os 258 degraus até uma plataforma de observação para garantir vistas impressionantes da cidade. Free com Tallin Card.

Neste balaio religioso, Talin também tem sua catedral católica, a Catedral de São Pedro e São Paulo. Aliás esta é uma das poucas igrejas católicas da cidade. 

Perto das demais e padrões de Talin ela é relativamente nova porque esta bela igreja neoclássica foi construída em 1844.

Catedral de São Pedro e São Paulo.

E por fim a Igreja de São Nicolau, onde hoje funciona um museu.

Ali funciona o Museu Nigulista, dedicado à arte religiosa medieval. Free com Tallin Card.

Sua principal é a pintura Danse Macabre atribuída a Bernt Notke, um dos artistas mais conhecidos do norte da Europa na época e datada de 1603. 

A peça de 7,5 m de comprimento é a única ‘dança da morte’ medieval sobrevivente no mundo, pintada em tela, e alguns acreditam ser apenas um fragmento de uma obra maior que se acredita ter medido 30m.

Por fora uma igreja normal.
Uma das pinturas sacras mais complexas que já vi.
Detalhes da Danse Macabre.
A pintura é enorme.

Ela representa justamente um tema central no final da Idade Média: Peste Negra. Ali, cinco pessoas, incluindo um imperador, um rei e um cardeal, estão de mãos dadas e dançando com figuras sinistras – um lembrete de que todos são iguais antes da morte.

O centro desta região de Vanalinn é justamente a Praça da Prefeitura (Raekoja plats), que como quase tudo aqui nesta região de Talin data dos tempos da Idade Média. 

Ao redor dela, muitos edifícios históricos e cafés que ficam cheios no verão.

Praça da Prefeitura (Raekoja plats).

Se você viajar para Talin no inverno, encontrará aqui um famoso mercado de Natal. 

Nesta praça, um dos edifícios mais interessantes é a Prefeitura de Talin (Raekoda Talin), uma construção gótica do século XIV, e uma das poucas prefeituras medievais preservadas na Europa.

O ponto central é justamente a Prefeitura de Talin (Raekoda Talin).

No topo da torre da prefeitura está o ícone mais notável de Talin, o velho Thomas (Vana Toomas), um catavento-vento em forma de soldado que guarda a cidade desde 1530. Free com Tallin Card.

Para a turma aqui de casa, farmácia em viagem tem um apelo especial.

A Sra. Cumbicona porque gosta de descobrir coisas novas de beleza, um creminho, um shampoo novo, ou aquelas coisas para as quais nem ela sabe para que serve, ainda! Farmácia para ela é como loja de brinquedo para criança. Kkkkk

Tanto que temos um meme aqui nosso. Toda vez que aparece uma farmácia ela pula dizendo: Apotheke, apotheke!!! Que é farmácia em grego (e alemão também), em lembrança à viagem onde esta mania começou muitos anos atrás.

Já eu, é por questões profissionais mesmo… entro para espiar o que o mercado local tem de interessante e mostrar para os amigos de trabalho o que estão vendendo pelo mundo afora.

Enfim, sempre que a gente topa com uma farmácia especial, a gente aproveita para conhecer.

Mas em Talin a surpresa foi mais histórica mesmo. Ali fica uma das farmácias em funcionamento mais antigas da Europa, documentada desde 1422. Gente, os portugas nem tinham chegado ao Brasil!!!

Conhecida como Farmácia da Prefeitura (Raeapteek), ela também tem um pequeno museu que exibe recipientes de cerâmica, instrumentos cirúrgicos medievais e remédios curiosos (me lembrou a de Dubrovnik).

Farmácia da Prefeitura (Raeapteek).

Uma curiosidade é que a farmácia foi administrada por um longuíssimo prazo pela mesma família, os Burchardt. Foram dez gerações sucessivas, de 1583 até o início do século XX. Nasceram para serem farmacêuticos!!!

Parte da farmácia com itens históricos.

Se você quiser uma experiência medieval – gastronômica, faça uma refeição tipicamente no Restaurante Olde Hansa que fica ali perto da prefeitura. 

Restaurante Olde Hansa.

O restaurante é uma recriação autêntica de uma casa de comércio hanseática do século XV, com decoração, música e um cardápio baseado em especiarias e ingredientes da época medieval.

Dentre as várias ruas e vielas desta região histórica de Talin, uma delas se destaca, a Passagem de Santa Catarina (Katariina käik).

Anteriormente conhecido como Beco dos Monges, serpenteia desde a Rua Vene, passando pela extremidade sul do mosteiro dominicano até a Rua Müürivahe. 

Passagem de Santa Catarina (Katariina käik).
Um dos lugares mais pitorescos de Talin.

Acredita-se que a igreja de Santa Catarina tenha dado o nome ao beco. Ele foi construído há mais de 700 anos. O lado sul é ladeado predominantemente por edifícios dos séculos XV e XVII, e como um todo mantém seu charme medieval apesar de algumas restaurações bem mais recentes.

Nela você encontra as oficinas de alguns artesãos, sendo inclusive possível assistir eles trabalhando com cerâmicas, chapéus, vidro e muito mais.

Indo para leste de Vanalinn, embora não existam mais muralhas tão imponentes, restaram algumas estruturas bem interessantes como o Viru Gate que são duas torres que ficaram meio que perdidas entre os edifícios mais modernos (modernos no contexto de Talin é coisa do século passado Kkkkkk).

Não deixe de conferir o Mercado de Flores ali existente.

Vanalinn é um lugar extremamente fotogênico e existem alguns bons pontos para fotos panorâmicas e por isso listo aqui algumas opções para você admirar e arquitetura local e tirar fotos incríveis: 

– Patkuli Viewing Platform para fotos dos típicos telhados vermelhos de Vanalinn com o Mar Báltico ao fundo; e  

Patkuli Viewing Platform.

– Bishop’s Garden Viewing Platform (Piiskopiaia); e

– Kohtuotsa viewing platform: este é imperdível!

Kohtuotsa viewing platform.

Talvez vale a pena curtir um por do Sol ali, mas veja exatamente a posição do sol conforme a época da sua viagem.

Dica importante para toda esta região mais central de Talin:

Talin pode não ser um enorme hub de turistas como por exemplo Paris ou Roma (felizmente!!!), mas mesmo assim a cidade recebe uma quantidade considerável de turistas, especialmente durante o verão, vindos dos cruzeiros pelo Mar Báltico.

Entre 10h e 15hs uma horda de turistas pode aparecer literalmente do nada e inundar especialmente a região de Vanalinn.

Ruas de Talin quase que desertas às 9hs da manhã em pleno verão.
Não é photoshop, é Talin de manhã.

Então, se você quiser curtir esta região mais tranquilamente, em especial a região histórica que é a mais concorrida, aproveite-a nas primeiras horas do dia ou ao entardecer.

Fora do centro histórico

Se você já estava satisfeito com a quantidade de atrações no centro histórico, saiba que fora dele Talin reserva um bom punhado de atrações.

Saindo do centro histórico, a Leste, você encontra a Ópera Nacional da Estônia. Fundada em 1906, é a principal casa de artes cênicas do país, oferecendo uma programação rica em ópera, balé e concertos clássicos em um belo edifício histórico. 

Ópera Nacional da Estônia.

Já um tanto mais distante desta área, pegue um tram ou um ônibus para conhecer uma das maiores atrações fora do centro histórico.

Ou melhor ainda…

Aproveite um dos benefícios mais legais do Tallin Card e alugue gratuitamente por 3 hs uma bicicleta para percorrer os vários quilômetros de ciclovias que Talin oferece fora das muralhas da cidade velha.

Não pegue a bicicleta para o trecho da cidade velha porque as ruas dali são de paralelepípedos e portanto insuportáveis para ciclistas!

Com muitos parques e ciclovias Talin é perfeita para pedalar.

Nós escolhemos para este passeio justamente o trajeto até o Parque Kadriorg e o Palácio Kadriorg

Em meio à uma enorme área verde, a maior de Talin, você encontrará uma boa quantidade de atrações e absolutamente diferentes daquelas existentes em Vanalinn.

Tanto o parque quanto o palácio foram encomendas do czar russo Pedro, o Grande, no início do século XVIII como um presente para sua esposa, a imperatriz Catarina I.

O parque é realmente grande, com 70 hectares repleto de muitos jardins ornamentais e áreas verdes sem tanta intervenção humana.

Palacio Kadriorg.

Já o palácio à beira-mar foi erguido após a vitória da Rússia contra a Suécia na Grande Guerra do Norte (1700–1721), mas a família real nunca morou nela: aparentemente Catarina não gostava muito do palácio e, após a morte de Pedro em 1725, visitou Kadriorg apenas esporadicamente. 

Depois de sua reforma em meados do século XIX, em 1934 tornou-se a residência oficial e de curta duração do presidente da Estônia. 

Hoje, o palácio abriga uma filial do Museu de Arte da Estônia.

O salão principal é a parte mais interessante.

Seu salão principal é uma das peças mais impressionantes da arquitetura barroca do norte da Europa. Na entrada, você encontrará uma reprodução de 1858 da Vênus de Milo do escultor alemão Karl Voss.

Não deixe de visitar os jardins que ficam atrás dele.

Free com Tallin Card.

A residência oficial do presidente da Estônia é um edifício um pouco mais a diante, o Palácio Presidencial, cuja visitação do interior não é possível, mas vale ver a sua imponente fachada neobarroco de 1938.

Palácio Presidencial.

Um pouco mais distante dali o principal museu de arte da Estônia, o Museu de Arte KUMU. Free com Tallin Card.

Museu de Arte KUMU.

Próximo ao cais de onde saem e chegam os ferries de Helsinque fica um museu muito bacana, o Lennusadam Seaplane Harbour, um museu marítimo interativo instalado em hangares históricos de hidroaviões. Um dos mais modernos da Europa.

Lennusadam Seaplane Harbour.
Hidroavião estoniano.

Tem um pouco de tudo: um submarino, um navio quebra-gelo e várias aeronaves históricas.

Uma das grandes atrações é o submarino Lembit de 59,5 m, construído no Reino Unido entre 1935 e 1937 para a Marinha da Estônia. O submarino é a única embarcação estoniana construída antes da Segunda Guerra Mundial a ter chegado ao ártico.

Submarino Lembit.

O mais legal é que dá para visitar o seu interior:

Não é todo dia que a gente vê de perto algo assim.

Uma adição empolgante à coleção de Seaplane Harbour é um naufrágio medieval de 24,5m, descoberto em 2022 durante escavações perto da Cidade Velha de Talin.

Naufrágio medieval.

Você também pode embarcar no quebra-gelo Suur Tõll, construído na Alemanha em 1914 para a Marinha Imperial Russa, no navio Valvas fabricado nos EUA, adquirido pelo governo estoniano em 1997, e em uma série de embarcações menores.

Suur Tõll.

Ah, e tem muitas atrações interativas que atraem a atenção dos pequenos viajantes por um bom tempo.

Free com Tallin Card.

Acabamos não indo visitar, mas alguns quilômetros nesta mesma direção, fica a Torre de TV de Talin. Com 314 metros, é o edifício mais alto da Estônia. Oferece vista panorâmica e experiências interativas. Free com Tallin Card.

Torre de TV de Talin.

Sobrou tempo? Sim, este roteiro está enorme, mas eu falei para não subestimar Talin!!!!

Visite o Bairro Rotermann, uma área revitalizada que mistura arquitetura industrial histórica com design contemporâneo, repleta de restaurantes e lojas.

Armazéns reformados e edifícios contemporâneos assimétricos se combinam para formar uma área interessantíssima e caminhável da cidade. Não é por outro motivo que ali fica o Museu de Arquitetura da Estônia, que apresenta modelos de muitos dos edifícios mais icônicos da cidade, e o Museu de Arte Contemporânea PoCo, que exibe obras de artistas como Keith Haring, Banksy e Andy Warhol. Ambos Free com Tallin Card.

Bairro Rotermann.

Interessante a integração entre histórico e moderno.

A maioria das pessoas, no entanto, vem aqui para comer, beber ou fazer compras nos muitos restaurantes, bares e lojas de grife que margeiam os becos da região. 

Além disso vale conferir a Talin Design House, uma interessante loja de design que vende artigos para casa, cerâmicas e móveis. 

Voltando para os arredores da região mais histórica, porém ainda fora das suas muralhas, mais algumas interessantes atrações.

Toda cidade que se prese atualmente tem aproveitado espaços outrora degradados para instalar interessantíssimos complexos de restaurantes, bares, galerias e muito mais.

Foi assim com Puerto Madero em Buenos Aires, para dar um exemplo mais próximo da gente.

Talin aproveitou esta onda para criar em uma área de antigas fábricas abandonadas a Telliskivi Creative City.

Telliskivi Creative City.

Situada numa área ao norte da estação de trem, no bairro de Kalamaja, esta área começou a ser recuperada em 2009 justamente com a ideia de criar ali um polo cultural.

Nas ruas da região, muitos restaurantes, bares, e galerias em meio a muitos murais de rua. Excelente pedida para quem curte grafite e street art.

Uma das principais atrações ali é o a filial estoniana do museu sueco de fotografia Fotografiska Talin, um espaço onde obras de artistas internacionais emergentes e estabelecidos são exibidas em exposições temporárias. Free com Tallin Card.

Fotografiska Talin.

Em frente à Fotografiska está o Dokfoto, ou Centro de Fotografia Documental Juhan Kuus. Outro espaço com exposições rotativas, este museu dedicado ao fotógrafo estoniano-sul-africano Juhan Kuus é focado na narrativa visual centrada no ser humano do passado e do presente.

Aos sábados, Telliskivi recebe uma feira de pulgas na praça ao lado do restaurante F-Hoone, com muitas barracas de roupas usadas e antiguidades. Aliás esta área toda é cheia de lojinhas interessantes, bares, restaurantes e alguns murais bem bacanas.

Mas talvez a atração mais interessante ali seja o Balti Jaama Turg, um grande mercado tradicional renovado com centenas de vendedores, gastronomia local e produtos artesanais. Não deixe de visitar e principalmente comprar uma caixinha de framboesa, amora, Blue Berry ou outra fruta tipicamente loca!

Balti Jaama Tur.

E no andar superior tem uma série de lojas de antiguidades com coisas interessantes, inclusive do período de domínio da URSS:

De todas as atrações de Talin, a única que eu realmente não entendi qual o objetivo de conhecer foi o tal Linnahall.

Um verdadeiro “elefante soviético” de concreto à beira mar.

Linnahall é esta estrutura de concreto atrás da chaminé.
Hoje, um monte de concreto pichado.

Sabe aquele tipo de coisa que você olhar e pensa… porque alguém construiu isso??? Quando dinheiro e esforço para… nada… Como diz o Cumbiquinho: “Totalmente DESNECESSÁRIO!!!”.

Pesquisando sobre a definição me retornou a seguinte definição: “complexo soviético construído para as Olimpíadas de 1980, hoje é um ícone arquitetônico brutalista à beira-mar”. Brutalmente non-sense. Kkkk

* O Cumbicão visitou Talin mediante uma parceria estabelecida junto ao Board de Turismo Local (Visit Talin) para coletar material para série de posts. Todas as opiniões e relatos aqui descritos refletem fielmente a experiência, atendendo à política do blog.

Diogo Avila

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Diogo Avila

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